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Dezembro laranja: contra o câncer de pele, a prevenção é a melhor resposta

A proteção é uma questão individual. Com o verão e o período de férias chegando, é importante redobrar a atenção

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Com as férias chegando e o verão mostrando a sua cara, fatos que se somam à queda dos índices de internação e mortalidade de Covid-19, as praias e os espaços abertos voltarão a ser mais frequentados e, por isso mesmo, é preciso respeitar as recomendações das autoridades sanitárias e não esquecer os cuidados fundamentais com a pele.

O câncer de pele responde por 33% de todos os diagnósticos desta doença no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), anualmente são 185 mil novos registros, ou seja, uma alta incidência frente ao total de 700 mil casos de diversos tipos registrados.

Para orientar especificamente sobre o câncer de pele e suas formas de prevenção, além dos tratamentos disponíveis, a Fiesp, o Sesi-SP e o Senai-SP convidaram o Dr. Mauro Yoshiak Enokihara, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para a live Dezembro Laranja, realizada nesta terça-feira (14/2).

Tomar sol reúne diversos benefícios – absorção de vitamina D, manutenção do cálcio, prevenção da osteoporose -, mas também traz consequências, alertou o especialista, e a recomendação é sempre a precaução e responsabilidade com a proximidade do carnaval, do período de férias, quando se esquece também do retorno de casos de dengue, zika vírus e chikungunya com o verão.

Enokihara observou que as pessoas deixaram de lado suas consultas de rotinas, em função da pandemia de Covid-19 e com tantas consultas represadas faz-se necessário reforçar o alerta.”Os pacientes imunossuprimidos têm tendência a desenvolver câncer de pele, na forma do carcinoma”, exemplificou, reforçando que a proteção é uma questão individual ao lado da manutenção de consultas rotineiras.

O especialista citou duas estratégias: fazer a prevenção primária, a fim de barrar esse tipo de câncer, ou a prematura, para se evitar uma evolução difícil de ser contida. Na prevenção primária, ele indica que, pelo fato de o Brasil ser um país ensolarado, com muitas pessoas que exercem suas atividades em áreas abertas, deve-se redobrar a atenção. Há outro fator de alerta, a predisposição genética, especialmente para quem tem pele, olhos e cabelos claros, e se expôs aos raios solares boa parte da vida. Quem sofreu queimaduras solares na infância tem mais disposição de desenvolver o melanoma, segundo estudos.

“O câncer não aparece somente nas áreas expostas, é preciso olhar o corpo todo”, lembrou, pois as pessoas buscam sinais apenas em áreas mais visíveis. Às vezes se protege apenas o rosto, em função da precupação com rugas, envelhecimento precoce e o surgimento de manchas senis e se esquece o dorso do pé, por exemplo. Isso tem mudado em função das campanhas frequentes que são realizadas. Se antes a ‘moda’ era ser bronzeada ou bronzeado, hoje já se criou outra consciência, inclusive com o uso de cremes aprimorados para a proteção epidérmica. Por isso, o dermatologista recomenda equilíbrio e bom senso e pesar na balança se, por questões estéticas, vale a pena correr o risco, disse, ao responder uma pergunta sobre o bronzeamento artificial, se ele é perigoso ou não.

O especialista explicou que há 3 tipos de câncer de pele: o Carcinoma Basocelular (CBC), 70% dos casos, outros 20% de Espino celular (CEC) e de 5 a 6 % de melanoma, o menos frequente, mas o de pior prognóstico. Uma mancha, uma pinta avermelhada, que vira uma ferida e não cicatriza, merece atenção e, com o melanoma, se era uma pinta que já existia e começa a se modificar também é ponto de alerta. Enokihara detalhou as formas de tratamento e os avanços obtidos no campo da biotecnologia, da terapia-alvo e da imunoterapia, que ajudam a aumentar a sobrevida do paciente. Na avaliação do especialista, trata-se de um avanço, mas o mais importante continua sendo a prevenção.

Como dicas de fotoproteção, o especialista citou o uso de chapéu ou boné, óculos escuros, guarda-sol e atenção ao horário que irá se expor aos raios solares, além do uso de um bom filtro solar contra raios ultravioleta (UVA) e ultravioleta B (UVB), com fator acima de 30, em média.

A live pode ser vista, em sua íntegra,neste link.