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Desemprego da juventude é nova preocupação para as sociedades do mundo, diz economista em reunião na Fiesp

Roberto Teixeira da Costa, membro do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, fez análise sobre as tendências globais para 2030

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Teixeira: economia global de mercado deve enfrentar mais regulações, o que abre mais espaço para a atuação de novos agentes internacionais, como o Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A falta de capacitação das camadas mais jovens da população para o mercado de trabalho configura um novo – e sério – problema mundial, de acordo com o economista Roberto Teixeira da Costa, em análise feita na manhã desta segunda-feira (20/05) durante reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Costa, membro do Consea da Fiesp, citou dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelos quais apenas 12,6% da população mundial dos jovens entre 15 e 24 anos do mundo tinham emprego em 2012 – 73,4 milhões, em números absolutos.

A preservação do emprego tem acontecido em faixas de maior idade, destacou Costa ao apresentar perspectivas conhecidas para o cenário econômico e social global em 2030 para conselheiros da Fiesp.

“Na Espanha, a taxa de desemprego dos jovens é algo extremamente elevado. As sociedades vão ter de se preocupar muito com o emprego para os jovens”, afirmou o economista, conhecido como fundador da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) .

Segundo levantamento da OIT, o percentual de jovens espanhóis desempregados em 2012 chegou a 52,2%.  O Brasil, porém, apresenta uma queda no indicador passando de 22,6% em 2002 para 13,7% em 2012.

Brasil na cena global


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Na mesa, da esquerda para a direita: José Tadeu Jorge (reitor da Unicamp), embaixador Adhemar Bahadian, Ruy Martins Altenfelder (presidente do Consea), Roberto Teixeira da Costa (expositor, membro do Consea e fundador da CVM), Ivette Senise Ferreira (vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo e do Consea/Fiesp) e Jose Gerardo Traslosheros Hernández (Cônsul do México em São Paulo). Foto: Helcio Nagamine/Fiesp.



Entre outras tendências para 2030, Costa avaliou que a economia global de mercado deve enfrentar mais regulações, o que abre mais espaço para a atuação de novos agentes internacionais, como o Brasil.

“A escolha de um brasileiro para a Organização Mundial do Comércio [OMC] é bem exemplificativo”, afirmou Costa, ao comentar a eleição de Roberto Azêvedo para diretoria da OMC.

O membro do Consea também mencionou a posição favorável do Brasil frente à iminente escassez de água e a produção de energias limpas e renováveis.

“Os governos vão ter de financiar muito mais projetos de pesquisa para energias limpas e renováveis. Fala-se muito de petróleo, mas a água vai ser muito mais importante no futuro e alguns conflitos poderão existir por causa dela. Mas o Brasil esta numa posição favorável por termos 12% da água doce do mundo”, avaliou.

Costa ponderou, no entanto, que o Brasil ainda é tardio em solucionar problemas antigos como os gargalos de infraestrutura. Segundo Costa, a crise é o que faz o país se mover.

“A questão dos portos, por exemplo, é um problema crônico brasileiro, mas foi preciso que a televisão mostrasse aquela fila de caminhões a caminho do Porto de Santos para que a sociedade percebesse”, disse Costa.

“Finalmente a ficha caiu e conseguimos aprovar essa lei dos portos, uma coisa que deveríamos ter feito há muitos anos”, completou.