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Depois de duas medalhas no Mundial de Natação, Ana Marcela treina para novos desafios

De volta do Mundial de Barcelona, nadadora do Sesi-SP já retomou os treinamentos e se prepara para a agenda de competições

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Com duas medalhas na bagagem, a maratonista aquática do Sesi-SP, Ana Marcela Cunha, voltou do Mundial de Barcelona com mais energia para novas conquistas.

Nas três provas que disputou, a atleta conquistou pontos para a seleção brasileira, que terminou o Mundial em primeiro lugar nas provas em águas abertas. Ana Marcela conquistou a medalha de bronze na prova de 5km, a prata nos 10km e ficou em 5º lugar nos 25km.

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Ana Marcela Cunha: prata e bronze em Barcelona. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Assim que desembarcou no Brasil, a nadadora já recomeçou os treinamentos, com foco nas suas próximas competições: Copa do Mundo, Troféu José Finkel e campeonato brasileiro.

Em entrevista coletiva, Ana Marcela falou sobre a emoção de conquistar medalhas e pelo amor pela natação:

Como você avalia o desempenho da maratona aquática brasileira em Barcelona?

Ana Marcela Cunha – Antes desse Mundial, o Brasil tinha conquistado, na história, duas medalhas em campeonatos mundiais. Saímos dessa competição com cinco medalhas, o que mostra que estamos em uma evolução muito grande. Nas duas provas mais tradicionais tivemos duas brasileiras nas primeiras colocações. Além das dobradinhas femininas, teve o crescimento do masculino. Os meninos conseguiram a medalha de bronze, com a Poliana, no revezamento, o Alan foi 5º nos 25km e o Samuel foi 6º nos 5km. No próximo Mundial, esperamos que o masculino também esteja na briga pelas vagas para a Olimpíada de 2016.

Qual foi a sensação de conseguir uma medalha na prova dos 10km?

Ana Marcela Cunha – Foi minha volta por cima! Há dois anos eu havia ficado em 11º colocação nessa prova e fora dos Jogos Olímpicos. Voltar no Mundial seguinte, ganhar a medalha de prata, ser a segunda melhor nadadora do mundo, na prova olímpica em que estavam as três medalhistas de Londres-2012, é um saldo muito positivo.

E a medalha nos 5km foi uma surpresa?

Ana Marcela Cunha – Não esperava a medalha porque o 5km é uma prova um pouco mais difícil para mim. Virei a primeira volta em 12º e fui tentando crescer. No final, era eu e mais quatro meninas alinhadas em 3º lugar. Mas o treino de perna, que eu fiz bastante, funcionou e eu consegui abrir na frente. Aproveitei a oportunidade que elas saíram para os lados, dei um tiro e veio uma medalhinha. Fiquei muito feliz, por não esperar uma medalha e pela confiança que me deu para as próximas provas. Se na prova de 5km eu já ganhei a medalha, na de 10km, da distância olímpica, sabia que estaria bem.

Depois da medalha de ouro nos 25 km que você conquistou no Mundial de Xangai, ficou decepcionada por não chegar ao pódio nessa prova em Barcelona?

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Ana Marcela Cunha: 'Essas medalhas não são só minhas, mas de todos que nos ajudaram também.' Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ana Marcela Cunha – A prova foi uma consequência de eu ter nadado um pouquinho mais à frente na última volta dos 10km. Se eu tivesse guardado um pouquinho…  Mas, não estou frustrada, estou muito feliz por ter conseguido uma medalha na prova olímpica. Esse Mundial foi muito mais rápido, com provas muito mais fortes que o passado. Nadamos a prova de 5km em 57 minutos, o que fazíamos em 1h02. A prova de 10km baixou de 2h06 para 1h58. A de 25km, no último Mundial, nadamos 5h29 e nesse foi para 5h07, ou seja, 22 minutos mais rápida. Como todas as provas foram mais fortes, foi isso que me fez sentir um pouco no final da prova dos 25km.

Já deu tempo de analisar o que você precisa melhorar?

Ana Marcela Cunha – Faz só uma semana que fiz a prova de 10km. Só agora vamos sentar para conversar, rever as provas e ver o que podemos melhorar para os próximos dois anos. Se a medalha de prata já veio com os erros, vamos tentar corrigir os erros para que venha a medalha de ouro.

As conquistas da maratona aquática já são reflexos dos investimentos recentes, como o ‘Plano Brasil Medalhas’ e o projeto do Sesi-SP na natação feminina?

Ana Marcela Cunha – A gente conquista as coisas, mas pouca gente sabe quantas pessoas estão por trás, nos ajudando. O Projeto Medalhas tem feito a diferença para gente, que agora tem psicólogo, nutricionista, preparador físico, técnico, assistente. Também foi muito importante o que o Paulo Skaf fez com a natação feminina, que ainda está atrás da masculina no Brasil. Essas medalhas não são só minhas, mas de todos que nos ajudaram também.

Quais são seus próximos desafios?

Ana Marcela Cunha – Na próxima terça-feira [06/08], embarco para o Canadá, onde nado os 10km no dia 10 de agosto, em mais uma etapa da Copa do Mundo. Dia 12, embarcamos de volta e dia 14, nado os 800m livre no Troféu José Finkel. Dia 17, vou para Brasília, onde nado novamente os 10km, no dia 18. Dia 19, volto para casa e fico de folga até o dia 23. Vou aproveitar a folga para descansar, dormir o máximo que eu puder para repor as energias e voltar treinando com tudo para a China.

Diferente da natação, a maratona aquática tem atletas mais velhos. Você planeja até quando vai nadar e competir?

Ana Marcela Cunha – Eu amo o que eu faço! Se depender de mim, quero ser como a Angela Maurer, que tem quase 40 anos e chegou ao pódio. E mesmo quando não estiver mais competindo, pretendo nadar sempre, até o quanto eu aguentar.