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Cuidar do próprio bem-estar e praticar meditação: formas de preservar a saúde mental

Festival de Empreendedorismo contou com a sabedoria da Monja Heishin Sensei e ênfase para o bem-estar pessoal com Mariana Clarck, psicóloga, e Carla Tieppo, neurocientista

Isabel Cleary e Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

A preocupação dos especialistas em relação à saúde mental dos trabalhadores e como ela impacta o bem-estar, a produtividade e o espírito de colaboração dos funcionários se potencializou com o surgimento da pandemia de Covid-19. Mariana Clarck, psicóloga e mentora de saúde mental na Top2U, plataforma de mentoria on-line que inspira, conecta e desenvolve pessoas, admite que antes do surto causado pelo novo coronavírus o ambiente de trabalho nas corporações era permeado por altos níveis de competitividade e baixos níveis de transparência, mas que a discussão em torno do cuidado com as equipes de intensificou no último ano.

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A psicóloga Mariana Clarck comparou o ambiente de trabalho nas corporações antes da pandemia, com altos níveis de competitividade, e a mudança de cenário. Foto: Karim Kahn/Fiesp

Embora os desafios já sejam conhecidos, a situação é inédita para o RH de todas as empresas, sejam elas grandes ou pequenas. “O RH sempre traz essa demanda com angústia, como se fossem os únicos responsáveis por todos os problemas pelos quais as empresas estão passando, e o que tentamos fazer é tirar esse peso da equipe de recursos humanos, porque entendemos que todos têm uma parcela de responsabilidade, incluindo colaboradores e lideranças”, argumentou Clarck. “Isso não significa que precisamos ter todas as respostas, mas é importante que o canal do diálogo seja uma porta escancarada para que as pessoas tragam suas angústias”, acrescentou a especialista.

Para Carla Tieppo, neurocientista pioneira na aplicação da ciência do cérebro no desenvolvimento humano e organizacional, o desafio é concreto, mas as empresas, incluindo as pequenas, podem e devem adotar dinâmicas que trabalhem a emocionalidade das equipes, independentemente da pandemia e do universo organizacional.

“O que as empresas precisam pensar é como oferecer cuidado e bem-estar para as pessoas, seja por meio de acesso a apoio médico, psicológico, práticas de meditação, atividades esportivas ou mentoria”, explicou Tieppo.

Para isso, consultar os colaboradores é fundamental. Quais programas de bem-estar fazem sentido para cada funcionário? Pesquisas e informações podem ajudar os especialistas a sugerir e implementar opções de programa de bem-estar que tenham aderência à realidade de todos os membros da equipe, assim como reuniões periódicas que medirão os programas implementados. Em quais frentes cada empresa tem sido bem-sucedida e o que não tem funcionado?

Também é muito importante que as empresas estejam atentas ao nível de pressão e sobrecarga dos colaboradores. “Temos que equilibrar os pratinhos de energia e pressão para dar conta do trabalho no dia seguinte”, alertou Clarck. “Tem uma hora que a corda arrebenta e as estatísticas mostram isso, estamos todos ficando mais doentes, e não existe remédio para o cansaço que não seja o descanso”, complementou.

De acordo com Carla Tieppo, é fundamental que as empresas façam um mapeamento dos colaboradores que estão sobrecarregados, seja por causa do trabalho, seja por causa da pressão causada pela vida familiar, e garantam apoio a estes funcionários que estão especialmente vulneráveis.

“A gente já entendeu que o tipo de produção entregue sob condições de grande pressão é de baixíssima qualidade e que se a gente deixar a pressão lá em cima o tempo todo, isso pode quebrar as pessoas”, destacou Tieppo. “As empresas devem se apresentar como bálsamos para os colaboradores e não como mais alguém que vai pressionar esses indivíduos”, sugeriu a neurocientista.

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A neurocientista Carla Tieppo indicou às empresas realizar mapeamento dos colaboradores que estão sobrecarregados e vulneráveis e oferecer apoio. Foto: Karim Kahn/Fiesp


Praticar a meditação é empreender em nós mesmos, indica Monja Heishin Sensei

Em tempos de tensão, como este que vivemos com as mudanças causadas pela pandemia da Covid-19, em que a ansiedade e o medo nos rondam constantemente, é preciso ter cuidado redobrado com a saúde mental. Para os profissionais que buscam empreender em um momento de incertezas, o desafio de se manter calmo para tomar as corretas decisões pode se tornar ainda maior, e a meditação pode ser de grande ajuda.

De acordo com a Monja Heishin Sensei, monja Zen Budista há 13 anos, a prática da meditação, da respiração consciente, é uma forma de empreender em nós mesmos, com a saúde física e mental. “Por isso precisamos aprender a fazer uma meditação correta e adequada. Porque, se não estamos bem, uma meditação inadequada pode piorar o nosso quadro”, ressaltou Sensei durante sua palestra no Festival de Empreendedorismo da Fiesp, realizado nos dias 10 e 11 de agosto.

Reservar alguns momentos do dia para prestar atenção no aqui e agora, aquietar a mente e respirar são ações que fazem parte da meditação. De acordo com a monja, existem diversas formas de praticá-la, como por exemplo, com mentalizações, com repetição de mantras, ou vendo cores. “Eu sou de uma tradição budista, uma prática chamada Zazen, que consiste em sentar em posição confortável e com plena atenção na respiração”, contou.

Durante o evento on-line, Sensei ensinou os exercícios para praticar diariamente o Zazen e ressaltou quais são os benefícios. “A nossa vida é muito agitada e, quando ficamos sentados, sem nos mover, observamos esta Terra e a agitação sem brigar com ela. Reconhecemos também nossas ansiedades e acolhemos elas, e inspirar e expirar essa agitação pode nos ajudar a chegar a tal ponto que esses sentimentos não mais nos controlam”, explicou.

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