imagem google

Crowdsourcing promove mudança cultural ao usar formas colaborativas no ambiente de negócios

O tema, ainda desconhecido, foi opção criativa no evento de mídias sociais promovido pelo CJE

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1569318645

Marina Miranda, do Mutopo, durante o Social Media Week

As novas relações estabelecidas sob o patrocínio das tecnologias provocou mudanças profundas no mercado, abrindo a possibilidade de rearranjos que possibilitem um ambiente colaborativo. Ou seja, um modelo de produção co-criativo a partir da inteligência e conhecimentos coletivos e voluntários a fim de resolver problemas, gerar conteúdo, propor soluções ou desenvolver tecnologias.

Este é um dos princípios do conceito de crowdsourcing, tema abordado por Marina Miranda, do Mutopo, ao participar do evento de Mídias sociais, colaboração e empreendedorismo, promovido pelo Comitê de Jovens Empreendedores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta sexta-feira (28/09)., na sede da entidade.

A construção de uma rede colaborativa desse porte foi possível em função das mídias sociais, que mantêm as pessoas conectadas durante um bom tempo diante da otimização do tempo livre, em um sistema de compensação que pode envolver premiação. A opinião de Miranda foi ilustrada por inúmeros cases, como as iniciativas de sucesso da Wikipédia, Skype, Google, Amazon e Linux, por exemplo.

Ao tratar da iniciativa da Lego, Marina frisou que se disponibiliza uma plataforma na qual as pessoas expõem suas ideias e, ao se atingir 10 mil seguidores, a empresa fica atenta à viabilidade do projeto. Quem contribuiu garante participação quando o produto estiver pronto. “O importante é pensar como se traz este pensamento para dentro da empresa a fim de criar valor”, afirmou. Hoje, a Lego tem um grupo composto de 30 pessoas que se dedica a essa conversa de dentro para fora da empresa, conforme explicou.

Ela citou ainda outros cases, incluindo Procter & Gamble e Giffgaff. A P&G utiliza 50% de suas verbas de inovação em plataformas de crowdsourcing a fim de evitar falhas no processo e como vetor de pesquisa, ao entender que não dá para ter todo mundo, todo público dentro da empresa.

A Giffgaff, com apenas 25 funcionários, vende chips com opção para o cliente obter crédito ao realizar trabalho para a empresa em fóruns ou através de aplicativos. Se trouxer amigos, ele ganha mais crédito.

Trata-se, portanto, de uma mudança cultural em termos de negócio. Um bom exemplo é o quirky process – processo aberto a ideias que podem resultar em um protótipo, no desenvolvimento do produto sugerido que a comunidade quer comprar. Os próprios integrantes se encarregam de divulgar o produto e, assim, podem acumular pontos. Para Marina, o consumidor, antes passivo, hoje tem novo perfil e quer ser participativo.

Entre outras iniciativas empreendedoras que se utilizam do crowdsourcing, Queremos (especialista em realização de shows), Starbucks e a Tecnisa, que não se contenta mais em mostrar apartamentos para seu público, mas sim envolvê-los em desafios.

Para Marina, do Mutopo, o Linkedin é um exemplo dessa transformação por abrigar 101 milhões de pessoas. Muitas delas garimpam microtrabalhos paralelamente a um trabalho formal, que traga reputação, desafio, experiência e retorno financeiro. Para ela, se pensa mais no que se pode contratar neste ambiente e nem tanto em se obter um cargo.