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Crise hídrica custou à Sabesp R$ 800 milhões

Jerson Kelman, presidente da empresa, fez balanço durante workshop na Fiesp

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Jerson Kelman, afirmou que, durante todo o período da crise hídrica a Sabesp reduziu pagamentos e deixou de arrecadar, em função do bônus de incentivo, cerca de R$ 1,5 bilhões. O resultado negativo para a empresa foi de R$ 800 milhões. “Sofremos um solavanco financeiro, mas não falhamos com a população”, afirmou o executivo. A declaração foi dada na sede da Fiesp, durante o workshop “Legado da Crise Hídrica”, na manhã dessa quinta-feira (30/6).

Segundo Kelman, foram gastos bilhões com obras para garantir segurança hídrica na região metropolitana. “Temos que estar preparados para a repetição desse fenômeno que, como muitos disseram, não foi um evento previsível. A probabilidade de ocorrências dessa natureza é de 0,004%, ou seja, ocorre uma vez a cada 250 anos”, explicou.

Com relação às tarifas, Kelman afirmou que a população recebe o serviço compatível com a conta de água que paga. “É uma relação direta com a infraestrutura paga e, para implantar um serviço de primeiro mundo, precisamos de mais investimentos no setor, mas sem violar a capacidade de pagamento da população, que não é uniforme. O que segura a velocidade que nós evoluímos é a capacidade da classe de baixa renda pagar”, disse. Por isso, uma das ideias da companhia é aumentar a base de clientes que recebem tarifas subsidiadas e talvez dividir por região.

José Bonifácio de Souza Amaral Filho, diretor da Regulação Econômico-Financeira e de Mercados da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), apresentou um panorama de todo enfrentamento da crise hídrica e disse que o período trouxe um incentivo à redução voluntária de consumo de água.  Segundo o executivo, a agência atuou com foco em três pontos no período: determinou a indicação dos bairros sujeitos à redução de pressão/interrupção de fornecimento, fiscalizou todas as obras de saneamento, que tivessem referência com a crise hídrica e acompanhou regularmente os investimentos da Sabesp em São Paulo para verificação do cumprimento.

O evento foi mediado pelo diretor da divisão de saneamento básico da Fiesp, Alceu Guérios Bittencourt, que afirmou que o grande legado de toda a crise foi o aprendizado social, de custo e valor e o uso racional. Também esteve presente Hugo de Oliveira, consultor em saneamento básico.

>> Ouça boletim sobre o workshop

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Workshop na Fiesp sobre o legado da crise hídrica, com a participação de Jerson Kelman, da Sabesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp