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Criatividade dos jovens mudará o mundo, afirma prêmio Nobel Muhammad Yunus em evento na Fiesp

Bengalês emocionou público ao relembrar sua luta contra a pobreza extrema

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Muhammad Yunus: microcrédito nasceu de uma ideia simples. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Não importa o tamanho do problema, sempre haverá uma solução simples para resolvê-lo. Com essa frase, o economista Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006, começou sua palestra na manhã desta quarta-feira (29/05), diante de um público superior a 900 presentes, em reunião extraordinária do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante o encontro, que contou com a presença do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e do diretor titular do CJE, Sylvio Gomide, o bengalês falou da força dos negócios sociais como transformadores da sociedade e relembrou sua luta contra a extrema pobreza em Bangladesh.

“Tudo o que fiz foi encarar de maneira simples os problemas que se apresentavam”, disse Yunus, relembrando os primórdios do Grameen Bank, banco que fundou para oferecer microcrédito para milhões de famílias pobres de Bangladesh.

No encerramento do evento, Paulo Skaf classificou a exposição de Mohammed Yunus como uma verdadeira aula a todos os empreendedores e empresários brasileiros. “A importância de dar oportunidade para as pessoas e valorizar as boas ideias foi exaltada nesta manhã”, disse.

Skaf afirmou que, infelizmente, no Brasil, não basta uma boa ideia como a de Yanus para mudarmos a realidade. “Precisamos ter duas ideias no Brasil, uma para criar o negócio e uma para enfrentar o impressionante sistema burocrático brasileiro. Mas isso faz parte de nossa luta”, lamentou.

Sylvio Gomide disse que poucos “realmente mudaram o mundo” como Yunus. “A presença dele sempre foi um sonho desde a criação do comitê. Sua visão serve de exemplo e modelo para todos os jovens empreendedores brasileiros”, afirmou o diretor titular do CJE.

O Grameen Bank

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Muhammad Yunus, Paulo Skaf e Sylvio Gomide. Foto: Everton Amaro/Fiesp.


Em 1976, Yunus, então professor universitário, percebeu as dificuldades de pessoas carentes em obter empréstimos na aldeia de Jobra. Por não possuírem garantias, os bancos recusavam-se a emprestar pequenas quantias à população, e, nas raras ocasiões em que conseguiam crédito, pessoas acabavam sendo taxadas com juros altos.

Diante de um cenário desfavorável para as camadas mais pobres do país asiático, Yunus resolveu emprestar dinheiro de seu próprio bolso. Sem qualquer garantia. Hoje, o Grameen Bank atende mais de oito milhões de pessoas, com taxa de recuperação de 98,85%, sendo procurado principalmente por mulheres pobres.

“O microcrédito nasceu de uma ideia simples. Quando comecei, pensava apenas em resolver o problema de uma pequena vila ao lado da universidade onde lecionava”, relembrou ao falar da iniciativa que mudou a situação de milhões de pessoas..

Segundo Yumus, seu trabalho, que classifica como negócio social, mudou, de fato, a situação social e econômica de milhares de pessoas. “Com os empréstimos, milhares de mulheres começaram a ter algum tipo de posse. Isso mudou o status delas nas famílias e na sociedade. Elas se tornaram livres, começaram a comprar casas próprias. Seus filhos mudaram, passaram a frequentar escolas. E isso mudou a geração seguinte”, contou.

Ao falar sobre o problema do crescimento do desemprego entre jovens, Yunus se dirigiu aos muito jovens presentes na plateia. “Vocês não são buscadores de empregos. Vocês dão empregos, os criam, porque vocês têm o dom de ter ideias. É a criatividade de vocês que mudará o mundo”, disse.

Negócio social

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Muhammad Yunus: ''Acredito que podemos criar um mundo sem que haja uma única pessoa pobre. E vocês podem fazer isso criando negócios sociais. ' Foto: Everton Amaro/Fiesp

Durante sua fala, o bengalês também destacou a missão de um negócio social – muito diferente de um negócio que visa apenas o lucro. “Em um negócio social não queremos tirar dinheiro de ninguém. O negócio solidário funciona assim: tudo para o outros, nada para mim.”

“Não vivemos para ganhar dinheiro. O dinheiro não é nosso hábito, nossa chave, nosso vício. Não somos isso. E quem assim pensa interpreta a humanidade de maneira errada. Somos muito mais, queremos conquistar muito mais que apenas dinheiro. Somos naturalmente solidários. Lucrar pode até dar felicidade. Mas fazer os outros felizes é uma experiência de ‘superfelicidade’”, garantiu Yanus.

Ao encerrar sua exposição, o bengalês fez questão de se direcionar aos empresários e autoridades na plateia do Teatro Sesi-SP.

“Vocês decidirão: negócio de lucro ou negócio social. Acredito que podemos criar um mundo sem que haja uma única pessoa pobre. E vocês podem fazer isso criando negócios sociais em suas pequenas vilas, assim como eu fiz no passado. É chegado o momento de recriarmos o sistema. Um mundo sem desemprego: se nós imaginarmos isso, eu te garanto, isso acontecerá. Vamos imaginar e vamos buscar”, encerrou, antes de ser aplaudido de pé pelo público.

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Paulo Skar e Muhammad Yunus em encontro no gabinete da presidência da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp