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Criação da reeleição foi péssimo negócio para o Brasil, diz José Serra em reunião na Fiesp

Ex-governador do Estado de São Paulo apontou os principais desafios que, para ele, o próximo presidente do Brasil terá de enfrentar

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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José Serra prevê “crescimento econômico medíocre” até o fim de 2014. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A criação da reeleição foi um péssimo negócio para o Brasil, opinou José Serra, ex-governador do Estado de São Paulo, durante reunião de diretores de comitês e conselhos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta segunda-feira (28/10), na sede da instituição.

“Com a reeleição, o governante se preocupa em criar recursos e cenários para permanecer no poder. O que não é nada saudável para o país”, completou.

O ex-governador falou sobre as principais dificuldades que, para ele, o futuro presidente da República terá no mandato que se inicia em janeiro de 2015.

“O maior problema é o desiquilíbrio externo, traduzido na elevação das exportações agrominerais, complementadas com as baixas altas de juros internacionais. Prevejo crescimento econômico medíocre até o fim de 2014”, afirmou.

Outro aspecto que criará dificuldades para o próximo mandatário, segundo ele, é que a ausência de uma política de comércio exterior.

“O novo presidente deverá mudar o Mercosul e deverá mudar a postura brasileira no comércio global’, disse.

Além desses pontos, Serra apontou como questões vitais a inflação, (“assunto muito presente e de difícil resolução”), a alta carga tributária (“a mais alta das economias emergentes”) e a necessidade de aumento de gastos na saúde.

Serra apontou algumas saídas para os obstáculos levantados. “É essencial o aumento da produtividade da economia e da qualidade dos serviços públicos. Precisamos de investimentos públicos, em parceria com a área privada, para voltar a crescer rápido”, encerrou.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, analisou brevemente a participação do ex-governador. “São questões importantes para reflexão e para nossa preocupação.”