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Corrigir em 26% o preço da gasolina ajudaria a destravar o setor de biocombustível, diz presidente da Datagro

Plínio Nastari debateu soluções para a área durante o 14º Encontro de Energia da Fiesp, nesta terça-feira (06/08), no Hotel Unique, em São Paulo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Com estimativa de 80% de veículos flex na frota brasileira em 2020, a produção de cana-de-açúcar poderia chegar a 1,4 bilhão de toneladas caso houvesse políticas apropriadas para o setor. Entre elas o realismo tarifário para combustíveis líquidos em uso de transporte, industrial e comercial, afirmou nesta terça-feira (06/08) o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, em participação no 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em debate no evento, Nastari sugeriu que a primeira solução para destravar o setor de biocombustíveis deveria ser uma correção do preço da gasolina, o qual ele chamou de “realismo tarifário”.

Nastari: discussão em torno de "realismo tarifário". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Nastari: discussão em torno de "realismo tarifário" no 14º Encontro de Energia. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Pelas contas do presidente da Datagro, o preço da gasolina deveria ser corrigido em 26% para permitir que o biocombustível possa competir no mercado doméstico.“Dá para corrigir o preço da gasolina em 26% de uma hora para outra? Infelizmente talvez não, mas esse deveria ser o objetivo a ser buscado no médio prazo, de forma gradual”, afirmou.

A presidente União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, defendeu ainda uma política que garanta maior previsibilidade dos preços de combustíveis fósseis.“Os preços de combustíveis fósseis de fato fazem muita diferença para qualquer programa de energia renovável. E nos programas de energia renovável eu preciso ter previsibilidade”, disse.

Elizabeth: é preciso otimizar os investimentos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Elizabeth: é preciso otimizar os investimentos. feitos no passado. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Elizabeth o problema não é falta de investimento do setor na produção de biocombustíveis. Atualmente os investimentos são para otimizar os investimentos que foram feitos no passado, travados pela falta de planejamento e por um “conjunto de políticas públicas insuficientes”, avaliou.

Ela informou que, de 2006 a 2012,foram investidos US$ 4,5 bilhões em equipamentos para mecanização da colheita, enquanto  em 2012 foram  US$ 4 bilhões em renovação e expansão do canavial .

Luiz Augusto Horta Nogueira, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, engrossou o coro dos que pedem por planejamento.

Para desembargar a promissora produção de etanol do Brasil, ele sugeriu rever o marco tributário para o setor, já que “os tributos são decisivos na formação desse mercado”.

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