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Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp discute impacto de acordos comerciais sobre economia brasileira

Especialistas debateram vendas externas brasileira em reunião do Coscex nesta terça-feira (20/08)

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O impacto dos “mega-acordos” e dos acordos regionais sobre a economia e o comércio exterior brasileiros foi o tema de reunião do Conselho Superior de Comercio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta terça-feira (20/08), na sede da instituição. O evento foi coordenado pelo embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex.

O encontro teve a presença de Vera Thorstensen, coordenadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e de Lucas Ferraz, professor da mesma instituição. “Identificar a situação do país nesse atual contexto é importante”, disse Vera. “Acordos regionais e ‘mega acordos’ são assuntos de extrema relevância para o Brasil”.

A reunião do Coscex: oportunidades para o comércio exterior brasileiro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião do Coscex: oportunidades para o comércio exterior brasileiro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A coordenadora da FGV fez um alerta: “Os Estados Unidos atualmente pouco se preocupam com a OMC”, disse ela. “E o mais preocupante é que o Brasil está se isolando”.

Vera: “E o mais preocupante é que o Brasil está se isolando”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Vera: “E o mais preocupante é que o Brasil está se isolando”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo Vera, o custo do isolamento para a economia brasileira não é só perder mercado, mas ficar fora dos fóruns que criam as novas regras e dinâmicas do comércio externo global. “Podemos perder espaço inclusive no setor agrícola, no qual somos uma potência. O Brasil precisa participar desses acordos, já que a OMC não é mais o grande palco de decisão do mundo”, disse.

Para ela, é preciso retomar o debate sobre as vendas externas. “A atual política internacional brasileira é acéfala. Ninguém mais discute comércio exterior”, concluiu.

“As coisas avançam no mundo todo. Novas ideias surgem. Mas parece que nosso país está estagnado”, concordou o embaixador Rubens Barbosa.

De acordo com ele, se as políticas governamentais atuais derem certo, as empresas produzirão apenas para o mercado interno, sem chance alguma de competição no exterior.

Dando prosseguimento ao debate, o acadêmico Lucas Ferraz abordou o tema. “Para a manutenção da competitividade das empresas brasileiras, precisamos nos integrar às cadeias de valor globais ou buscar integração com mercados regionais”, disse.

Ferraz: alerta para a perda de dinamismo do Mercosul. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ferraz: alerta para a perda de dinamismo do Mercosul. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“A perda de dinamismo do Mercosul representa um fator de risco para a economia do Brasil” afirmou.

Para Ferraz, embora a realização de acordos regionais implique riscos para a sobrevivência, em alguns setores da cadeia brasileira, o risco isolamento é muito mais grave. “Pode significar perdas ainda maiores para nossa economia”, concluiu.