imagem google

Com lançamento previsto para 2020, 5G promete revolucionar a velocidade de transmissão de dados

Conexão mil vezes mais rápida do que a de quarta geração pode viabilizar internet das coisas

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O mundo das telecomunicações nunca esteve tão aquecido e se movimentando de uma forma tão dinâmica como nos últimos anos. Antenada com as principais evoluções do mercado a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou um workshop, na manhã desta segunda-feira (18/4), para discutir o 5G e o futuro das comunicações móveis no país e no mundo.

Jesper Rhode, diretor de marketing da Ericsson para a América Latina, disse que o 5G não é só uma tecnologia, é mais um conceito. “É uma rede só para vários tipos de cenários e utilizações dependendo da necessidade de cada um. É preciso entender que essa nova tecnologia vai abraçar muitos tipos de uso e que vai conectar modelos de negócios, pessoas, indústrias”, disse.

Segundo Rhode, o 5G é um grupo de tecnologias que vem atender uma série de demandas simultaneamente. “Daqui 5 a 10 anos teremos capacidade de transmissão mil vezes maior do que temos. Talvez conectar centenas de milhares de dispositivos. A expectativa é que traga a estrutura necessária para que a internet das coisas (Iot) de fato aconteça, pois ambos estão vinculados”, afirmou.

Nesse sentido, Eduardo Tude, presidente da Teleco, ressaltou que a mudança que veremos com o 5G é profunda, e a internet das coisas é uma das questões principais. “Toda tecnologia desenvolvida até agora foi para conectar pessoas, e agora o desafio é conectar coisas.” Ele disse que somos obrigados a repensar em todo contexto de como oferecer nova conectividade, e é isso que o novo “G” propõe, pois a internet é muito maior do que a conectividade. “O Brasil precisa discutir essa tendência e tomar atitudes para que quando a tecnologia estiver madura ela realmente aconteça de forma rápida”, alertou.

Roberto Falsarella, gerente de soluções da Nokia Networks, também falou da quinta geração como sendo um conceito. “É uma tecnologia que está sendo desenvolvida para o mercado com uma transmissão melhor, menor latência e maior eficiência. Tem o objetivo de fomentar mais serviços e aplicações diferentes num ecossistema muito maior. Cada pessoa terá dezenas de dispositivos conectados”, afirmou. Para ele, é uma explosão de possibilidades, e os interessados precisam se juntar para tornar isso real.

Cenário mundial

Amadeu Castro Neto, diretor da GSM Association no Brasil, informou que há três grandes movimentos políticos que acabam impulsionando a indústria para o 5G: Copa da Rússia, em 2018; Olimpíadas de Tóquio, em 2020, e uma reação da União Europeia por conta do avanço da China, Japão e Coreia, que estão avançando estrategicamente no assunto e buscando fazer do 5G uma oportunidade de negócios para os seus fornecedores.

“Em janeiro, a União Europeia convidou as principais operadoras da Europa para pressioná-las a se movimentarem em direção do novo negócio, para que China, Japão e Coreia não saiam na frente. É uma disputa de regiões, isso é mercado”, disse.

Cronograma

Durante o encontro, Neto falou sobre o cronograma que se espera para a quinta geração. “Oficialmente temos uma primeira fase, que estaria disponível no segundo semestre de 2018.” Depois, com as primeiras definições, que é o que a indústria precisa para produzir os equipamentos, entra a segunda fase, que acontece em 2020. Falsarella endossou dizendo que atualmente a quinta geração está em fase de especificação e será lançada em fases. “Meados de 2018 e lançamento comercial para meados de 2020.”

Participaram também da reunião Ruy Botessi, diretor adjunto de Telecomunicações da Fiesp, Helcio Binelli, diretor da Divisão de Telecomunicações da Fiesp, e Agostinho Castro Neto, gerente geral da Gerência de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Anatel. O encontro foi mediado por Victor Olszenski, diretor da Divisão de Telecomunicações da entidade.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1656299024

Workshop do Departamento de Infraestrutura da Fiesp sobre tecnologia 5G. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp