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Coeficiente de Importação reforça preocupação sobre a intensa entrada de importados

Pelo quarto trimestre consecutivo, o coeficiente de importação da indústria geral cresce e atinge recorde de 20,7% no consumo aparente do Brasil

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

Os resultados dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) do 2º trimestre de 2010 reforçam a principal preocupação pela atual tendência do comércio exterior: lenta recuperação das exportações e acelerada elevação das importações.

No primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2009, o saldo da balança comercial apresentou queda de 43%, fruto de uma maior alta das importações (45%) em relação às exportações (27%). Os bens manufaturados aparecem como principais responsáveis por este resultado global.

De acordo com a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), enquanto os produtos básicos apresentaram altas semelhantes nas exportações (32%) e importações (37%), resultando em alta de 30% no superávit do setor, as manufaturas aumentaram as vendas em apenas 27%. Em contraposição, as importações obtiveram aumento de 47%, o que ocasionou queda de 97% no saldo já negativo do setor.

“Da fatia que representa o aumento de 20,7% no consumo aparente neste trimestre, a produção nacional voltada ao mercado interno teve uma participação de 68%, com os 32% restantes aproveitados pelos importados”, explica o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Levantamento da Fiesp mostra a projeção da balança comercial para 2010, com indicação de déficit de US$ 59 bilhões em manufaturados, o que representa aumento de 62% no saldo negativo de 2009.

Este cenário de lenta retomada das exportações, sustentada por bens básicos e semimanufaturados, também é captado pelos Coeficientes de Exportação e Importação da indústria, que sinalizam forte aceleração das importações.

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Apesar da alta de 0,6 pp em relação ao trimestre anterior, atingindo 17,7% neste 2º trimestre de 2010, o Coeficiente de Exportações (CE) da indústria geral ainda não demonstra fôlego, e apenas aponta nível comparável ao ano de 2003, afirma a Fiesp.

Por outro lado, mais do que retornar ao patamar anterior à crise, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria apresentou a quarta alta consecutiva, atingindo valor recorde, com 20,7% do consumo aparente do País. Com isso, o CI já se torna 3,0 pontos percentuais mais elevado que o CE, confirmando o baixo desempenho da indústria brasileira no mercado externo.

Quando confrontado com o 2º trimestre de 2009, o CE ainda se encontra 0,5 p.p. abaixo em relação àquele trimestre, 18,2% da produção da indústria foi exportada. Por outro lado, o CI teve alta de 3,8 p.p.

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De acordo com Giannetti, é importante ressaltar que a preocupação com a entrada de importados não gira em torno do simples fato de as importações estarem crescendo.

Segundo o diretor, é natural haver uma retomada das compras, pois a comparação evolve um trimestre imerso na crise, a exemplo do 2º trimestre de 2009, com um trimestre de recuperação do nível de consumo. “No entanto, o que se destaca aqui é que, mais do que acompanhar a retomada do consumo interno, as importações crescem em ritmo superior ao do próprio consumo e da produção interna”, afirma.

Comparado ao mesmo trimestre de 2009, neste ano o consumo aparente brasileiro apresentou alta de cerca de 20,7%, representando forte expansão no período pós-crise.

As importações tiveram aumento de 47,9%, diferença de 27,3 p.p. Já a produção industrial cresceu abaixo do consumo aparente, 14,3%.
Mesmo no confronto com o 1º trimestre de 2010, as importações (11,6%) cresceram mais do que o consumo interno (7,2%) e a produção industrial (6,9%).

Resultados Setoriais

No nível setorial, dos 33 setores da indústria para os quais se calcula os Coeficientes, apenas nove deles tiveram alta no CE na comparação com o mesmo período do ano anterior. No CI, a alta é generalizada, com apenas dois setores apresentando queda.

Dentre os setores com maior alta do CI, destaca-se o de instrumentos médico-hospitalares e de precisão, que possuem o maior grau de penetração de importados e contabilizaram alta de 11,5 p.p., atingindo 66,6% neste trimestre. Isto significa que dois terços do consumo interno neste setor é atendido por importados.

Tendo ultrapassado pela primeira vez o nível de 50% no 1º trimestre deste ano, o CI do setor de material eletrônico e aparelhos de comunicação continuam com forte crescimento neste trimestre, registrando alta de 9,9 p.p.

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No setor de siderurgia, o estudo revela um nível recorde no CI: neste trimestre, 15% do consumo do setor foi atendido por importados, contabilizando coeficiente 5,2 p.p. mais alto do que o mesmo período do ano passado. Além disso, registrou 1,9 p.p. mais alto que o último recorde, 13,1%.

A grande diferença entre a alta de 56% no consumo aparente do setor e o aumento de 138% nas importações explicam este resultado.

Apenas dois setores apresentaram queda do CI na comparação com o 2º trimestre de 2009, com destaque o setor de máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e construção, que fechou o 2º trimestre deste ano com um CI de 32,5%, o que representa recuo de 9,2 p.p.

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Com queda mínima de 0,9 p.p., o setor de produtos de madeira também teve recuo no CI, saindo de 3,0% para 2,1%.

Dos 33 setores analisados, em quase todos se observa que as importações cresceram mais que o consumo interno – exceção aos mesmos dois setores com queda no CI destacados acima.

No setor de produtos têxteis, por exemplo, enquanto o consumo aparente teve alta de 18,2%, as importações cresceram 60,8%, resultando alta de 4,6 p.p. do coeficiente de importação e atingindo 17,2%.

No setor de produtos químicos, enquanto o consumo aparente expandiu 19,0%, as importações cresceram 40,7%, com alta de 4,3 p.p. do CI. Também no setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, o consumo aparente cresceu 25,8%, contra a alta de 56,7% das importações e fraco aumento de 13,8% na produção industrial.

Do lado dos Coeficientes de Exportações, o estudo destaca para a alta de 9,2 p.p. no setor de indústrias extrativas. O CE atingiu de 69,9% neste trimestre, indicando que o setor é o mais internacionalizado dentre todos.

A segunda maior alta do CE aparece no setor de couros e artigos de couro, o segundo mais internacionalizado, que exportou 66,7% de produção neste trimestre, uma elevação de 7,5 p.p.

Outra importante alta, apesar de ainda não recuperar níveis pré-crise, é a do setor de automóveis, caminhões e ônibus, que apresentou elevação de 1,8 p.p. no CE, atingindo 12,6% neste trimestre.

“A disparidade entre o ritmo de crescimento do consumo interno e a forte alta das importações acende o alerta para o impacto desse cenário no produto nacional. Isto é, além do fato de as exportações não retomarem os níveis pré-crise, a produção nacional passa a sofrer crescente concorrência generalizada com os produtos importados”, completa Giannetti.