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Britânico referência mundial em mudança do clima visita Fiesp e conhece documento de posicionamento da entidade

David King se reuniu com diretores da entidade e integrantes de seu Comitê de Mudança do Clima

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O representante especial para mudança do clima do Ministério das Relações Exteriores britânico, sir David King, referência mundial na área, encontrou-se com diretores da Fiesp e integrantes do Comitê de Mudança do Clima da entidade, na terça-feira, 29.

Ao afirmar que trabalha em tempo integral, como uma espécie de embaixador do clima, contabilizando visitas a mais de 70 países nos últimos dois anos, King lembrou que quer melhorar a interlocução entre as nações. A Grã-Bretanha tem preocupação central com o clima, pois está cercada pelo oceano, e a elevação do nível do mar, aliada a tempestades, levará a consequências graves. “É preciso entender a natureza desse desafio”, disse, reforçando que o Reino Unido tem realizado um intenso trabalho para migrar de uma economia com base em combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono.

Segundo King, “hoje empregamos mais energia renovável e a indústria está se reposicionando para entrar neste novo mundo”, explicando que o setor automotivo, por exemplo, fez uso da tecnologia e incentivos proporcionados por políticas públicas, como a de isenção de taxas para carros elétricos na Grã Bretanha, para adaptação às ações planejadas para a redução de gases de efeito estufa (GEE).

King revelou que se estabeleceu forte diálogo com a Confederação Britânica da Indústria, especialmente sobre o uso da energia elétrica e da água para determinar qual modelo energético se quer no futuro, exemplificando que o custo da energia eólica está em 110 libras (cerca de R$ 650) por megawatt-hora (MWh), com valor decrescente, enquanto a nuclear sobe cada vez mais.

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Reunião na Fiesp com a participação de David King, representante especial para mudança do clima do Ministério das Relações Exteriores britânico. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Destacou ainda que se deve considerar que pequenas usinas nucleares são mais rápidas de ser construídas e com melhores requisitos. “Por isso combinar nuclear com as intermitentes é uma boa saída”, lembrando que as nucleares hoje estão mais seguras.

“O setor de renováveis cresce exponencialmente, e o Brasil tem mais recursos renováveis por pessoa do que o meu país. Vocês vão conseguir exportar”, sentenciou. Quanto ao mercado de carbono, David King lembrou que por volta de 2005, 29 nações o integraram, mas houve duas tentativas frustradas. O preço da tonelada caiu de 20 euros para 10 em função do desaquecimento da economia que levou inevitavelmente à queda das emissões de GEE. “A função principal é a regulação que cada país pode criar e não o mercado de carbono em si”, disse.

Nelson Pereira dos Reis, diretor de meio ambiente da Fiesp e integrante do Comitê de Mudança do Clima da entidade, disse que uma das grandes discussões que se faz, no Brasil, é a flexibilização do mercado de carbono e a taxação. Reis também enfatizou o forte engajamento do governo brasileiro e do setor privado no combate à mudança do clima.

O brigadeiro Aprígio Azevedo, diretor executivo de projetos da Fiesp, apresentou ao representante britânico os principais pontos do documento de posicionamento da Fiesp para a COP21, entregue aos Ministérios de Relações Exteriores e de Meio Ambiente, em consonância, inclusive, com a InDC brasileira anunciada recentemente. Pontos como transferência de tecnologia e mecanismos de financiamento foram ressaltados. Na análise de King, a transferência de tecnologia é tema relevante e deve ser tratado globalmente. Ele ainda frisou que as universidades precisam apostar em pesquisa que efetivamente chegue ao chão de fábrica.

Há grande expectativa por parte de todos os países em torno de um futuro acordo na Conferência do Clima, a COP21, que será realizada no final do ano, em Paris, para limitar o aumento da temperatura abaixo dos 2ºC até o final do século.

David King também preside o Conselho do Future Cities Catapult, centro de excelência e inovação do Reino Unido que busca soluções inteligentes para as cidades. Químico, tem passagens pelas universidades de Oxford e Cambridge. Também foi assessor-chefe para Ciência do Reino Unido entre 2000 e 2007.