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Brasil quer aumentar pauta de exportações brasileiras para a China

Tatiana Lacerda Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, afirmou que há perspectivas positivas para eliminação de barreiras com o país asiático

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Tatiana Lacerda Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), fala em reunião do Coscex/Fiesp

Sob o aspecto quantitativo, os dados gerais do comércio exterior brasileiro nestes primeiros cinco meses do ano são muito positivos. No período, as exportações superaram US$ 100 bilhões e as importações, US$ 86 bilhões, que respectivamente correspondem às altas de 31% e 29.5% no mesmo período de 2010. As exportações crescem em ritmo mais acelerado que as importações por causa das dificuldades com o câmbio e dos preços das commodities no mercado internacional.

Os números foram informados por Tatiana Lacerda Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), durante a reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, nesta segunda-feira (13). Ela mostrou que os principais produtos exportados são minérios e combustíveis (petróleo), principalmente para a Ásia e América Latina, com crescimento especialmente no Caribe.

“Sob o aspecto geográfico, pode-se dizer que as exportações brasileiras são bem distribuídas, e fenômenos recentes destacam a importância crescente da Ásia e o declínio da importância dos Estados Unidos”, afirmou a secretária do MDIC.

Ao mesmo tempo, as exportações para a Argentina também têm crescido em ritmo superior ao do praticado com o mundo. No Brasil, 14 unidades federativas respondem por menos de 1% das exportações, enquanto São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro correspondem a 50%.

Tatiana chamou a atenção à porcentagem do alto volume de exportações por grandes empresas, de 94,8%, enquanto as médias alcançam 4,1% e as micro e pequenas, 1,0%. “Para engajar os estados com menor participação no esforço exportador do País, o MDIC está mobilizado em torno de um plano nacional da cultura exportadora”, revelou.

Brasil-China

Para ela, a preocupação em relação ao país asiático é o fato de as exportações brasileiras estarem concentradas em poucos produtos. Em reunião recente do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, com o ministro de Comércio chinês, Chen Deming, surgiram perspectivas positivas para a eliminação de algumas barreiras ao comércio e, também, ao interesse chinês em contribuir para que haja importações brasileiras de outros itens, principalmente por parte das empresas governamentais responsáveis por grandes aquisições.

As exportações brasileiras para a China por fator agregado é concentrado em poucos produtos básicos já citados e inclui a soja, que totaliza 80% do volume. Entretanto, o que preocupa o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é a importação brasileira da China por fator agregado de manufaturados, que atinge 97,5%.

“Se mobilizarmos o setor privado brasileiro, podemos melhorar a qualidade deste comércio exterior: do ponto de vista quantitativo é positivo, mas sob o qualitativo há muito a ser feito”, analisou a representante do MDIC.

Brasil-Argentina

Dos US$ 6 bilhões superavitários com o Mercosul em 2010, US$ 4 bilhões vieram do país vizinho. A exportação para a Argentina, principalmente do setor automotivo, vem ascendendo em ritmo mais acelerado do que o crescimento das exportações brasileiras para o mundo, o que aumentou as vendas brasileiras nesses primeiros cinco meses do ano.

“Apesar dos números positivos, isso não nos deixa tranquilos, pois enquanto houver problemas com empresas específicas, seguiremos empenhados em derrubar barreiras não justificadas do lado argentino; 91% do que o Brasil vende para a Argentina são de produtos manufaturados”, pontuou Tatiana.

Protecionismo

De acordo com a secretária do MDIC, o foco de atuação do ministro Pimentel quanto ao componente defensivo do comércio exterior tem sido o combate à ilegalidade, em sinergia com a Receita Federal contra qualquer tipo de fraude. “Ele tem buscado aproveitar a circunstância desfavorável do câmbio ao comércio exterior brasileiro para promover as reformas, aguardadas há muito tempo”, concluiu.