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Brasil poderá ser o maior produtor de tilápia do mundo em duas décadas

Webinar do IV Encontro Noruega-Brasil de Aquicultura trouxe para o debate as perspectivas para o setor e as oportunidades para os países

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Na abertura do IV Encontro Noruega-Brasil de Aquicultura, realizado por webinar nesta terça-feira (27/10), o embaixador da Noruega no Brasil, Nils Martin Gunneng, afirmou ser possível trabalhar de forma sustentável e rentável no Brasil. “Para crescer nessa indústria temos de ser sustentáveis. É possível unir sustentabilidade e lucratividade, mas para que isso ocorra é preciso revisar os formatos atuais”, disse Gunneng durante o evento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e a Innovation Norway, em parceria com a Fiesp, o Ciesp e a Embaixada da Noruega.

Para Roberto Imai, diretor-adjunto do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp e diretor-titular da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura do Deagro, o momento atual de dificuldades econômicas e outras impostas pela pandemia também oferecem muitas oportunidades que “podem e devem ser transformadas em realização de novos negócios”.

O presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, destacou o crescimento da aquicultura no Brasil, com taxa superior a 5% ao ano, em especial a tilápia, com mais de 10%. “Precisamos produzir mais a fim de beneficiar toda a sociedade. O marco regulatório ambiental evoluiu nos últimos 12 meses, no que refere às águas da União, e estimamos que nos próximos cinco anos sejam incorporados às unidades de produção mais de quatro milhões de toneladas de peixes nos lagos de hidrelétricas brasileiros”, disse com entusiasmo.

Segundo Medeiros, isso trará oportunidades para todos os operadores da cadeia produtiva, além de beneficiar o consumidor com mais oferta, “para atingir os objetivos também contamos com nossos parceiros noruegueses, que possuem tecnologias essenciais que devem ser adequadas às necessidades do produtor brasileiro”.

Antes das exposições de empresas brasileiras e norueguesas, o consultor Altair Albuquerque apresentou as vantagens competitivas para investir no setor no Brasil. “Temos clima favorável, mais de cinco milhões de produtores rurais e potencial de aumento de mais de quatro milhões de toneladas nos próximos cinco anos”, disse, e fez comparação com o mercado de frangos, suínos e bovinos, que cresceram consideravelmente nos últimos 20 anos e projetou semelhante cenário para a comercialização de peixes para as próximas duas décadas. “Há muito espaço para crescer. Em 10 anos poderemos ser o segundo e, em 20 anos, o maior produtor de tilápia do planeta. Existe demanda crescente e está nascendo um gigante”, acrescentou.

Na sequência, empresas brasileiras e norueguesas participaram de painel para apresentar seu modelo de negócio e uma rodada de negócios on-line. No ano passado o mercado de pescado brasileiro alcançou a marca de 758 mil toneladas, posicionando o Brasil entre os cinco maiores produtores de tilápia do mundo. A Noruega também vem reforçando seu protagonismo na indústria de aquicultura mundial e enxerga grande potencial no mercado brasileiro.

O objetivo do encontro foi reunir especialistas da indústria, do governo e de universidades do Brasil e da Noruega, fortalecer a colaboração entre as indústrias dos dois países e reforçar a construção de uma indústria brasileira de aquicultura de forma sustentável e ecologicamente correta.