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Brasil mostra seu protagonismo na questão ambiental

Setor do agronegócio pode contribuir para o desenvolvimento sustentável como fonte de energia limpa

Agência Indusnet Fiesp

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Marcos Jank, presidente da Unica: "Temos três Belo Monte adormecidas nos canaviais"

Durante o evento Diálogo sobre Economia Verde e Cidades Sustentáveis: Rumo à Rio+20, realizado nesta terça-feira(21), na Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da entidade, relembrou o protagonismo brasileiro na questão ambiental em relação ao mundo: “A participação do Brasil nesta Conferência e em todos fóruns internacionais será a de contribuir com sua própria experiência.” Reis destacou que a tecnologia deve ser um ponto crucial para a sustentabilidade.

A desembargadora federal do Tribunal Regional da 3ª Região, Consuelo Yasuda Yoshida, enfatizou a importância da regulação para se estabelecer a sustentabilidade, por exemplo, com a eficiência energética. Ela também afirmou que a indústria tem papel fundamental nesse processo e pode contribuir na questão ambiental e social. “É importante que o setor legislativo não se flexilize ao ponto de se afetar o equilíbrio econômico e ambiental. Temos de combater tudo o que degrada o desenvolvimento humano, como trabalho escravo e desmatamento.”

Zoneamento estratégico

Diante do grande desenvolvimento do agronegócio brasileiro, Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açucar (Unica), destacou a necessidade de se pensar estrategicamente a questão de zoneamento, como tem sido feito pelo setor sucroalcooleiro: “É preciso definir onde devem ficar cidade, floresta e agricultura”.

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Marcio Macedo Costa, do BNDES: "É preciso pensar a economia verde como uma trajetória de desenvolvimento e de forma estratégica"

Outra questão levantada por Jank é que devemos avançar em agroenergia. “Temos que sair das armadilhas das hidrelétricas, e há condições para isso. Temos três Belo Monte adormecidas nos canaviais, se pensarmos na produção de energia com a biomassa do bagaço da cana”, afirmou o presidente da Unica, relembrando que esse é um exemplo típico do imenso potencial que o Brasil dispõe e não está aproveitando, assim o como a energia eólica e solar.

Marcio Macedo Costa, chefe do departamento de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), citou uma série de projetos sustentáveis pelo País apoiados pelo banco, inclusive de pequenos empresários e cooperativas. Para ele, que esteve presente na Eco 92 quando ainda era um jovem recém-formado, é preciso pensar a economia verde como uma trajetória de desenvolvimento e de forma estratégica.

Pensar no Brasil

Desenvolvimento sustentável não pode ser confundido com crescimento econômico a todo custo. Com esse ponto de vista, Laura Vicente Machado, diretora de produção e consumo sustentável da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), afirmou que, antes de se pensar no interesse de um setor ou outro, deveria se priorizar os interesses do País e da sociedade, dando como exemplo a questão do Código Florestal. “Se for aprovado o Código do jeito que está hoje, nossas metas não serão atingidas”.

Ela destacou ainda que a inovação, embora esteja sempre nos discursos sobre sustentabilidade, muitas vezes, tem sido ignorada na prática. Para a representante do MMA, a primeira coisa a se fazer é reduzir o desperdício. “Com essa atitude todos ganham. É preciso sermos corresponsáveis pela qualidade de recursos ambientais e humanos do País. Melhorar a qualidade das pessoas não só na questão do consumo, mas em se tornar pessoas melhores como um todo”, disse.