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Brasil e Itália discutem parcerias em áreas industriais estratégicas

Governo italiano espera firmar acordo de investimentos com Brasil em 2010, com foco nas áreas de infraestrutura, construção civil, defesa e biocombustíveis

Agência Indusnet Fiesp

O governo italiano chefia a maior missão empresarial já feita para a América Latina, que trouxe ao Brasil 400 empresários, de grandes companhias e também pequenas e médias empresas, para a realização de 1.500 reuniões de negócios na Fiesp, em São Paulo, nestas segunda e terça-feira (9 e 10).

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Emma Marcegaglia, presidente da Confindustria

Segundo a presidente da Confindustria, Emma Marcegaglia, Brasil e Itália têm nas mãos o momento ideal para uma arrancada forte no comércio bilateral, sobretudo nos investimentos diretos.

“Dada a importância das nossas economias e a nossa proximidade cultural, temos o dever de realizar muito mais do que isso. O Brasil é a 9ª economia mundial e o 7° país em consumo. Estamos diante de uma nação extraordinária do ponto de vista econômico, uma liderança séria no Mercosul e no mundo”, afirmou a líder industrial.

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, fez um balanço dos avanços conquistados entre Brasil e Itália nos últimos quatro anos. Desde 2005, as missões empresariais levadas a ambos os países resultaram em 19 eventos, 6.000 empresários envolvidos e 3.500 encontros de negócios.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp

“Nosso comércio evoluiu de US$ 5 bilhões para US$ 10 bilhões nesse período, mas é um volume muito pequeno se comparado ao tamanho do fluxo dos países, de US$ 1,5 trilhão”, avaliou Skaf. “Daqui para frente, temos que enxergar estrategicamente as grandes oportunidades, e ter como meta triplicar esse valor nos próximos quatro anos”, indicou o dirigente da indústria paulista.


Potencial brasileiro

Emma Marcegaglia destacou que o Brasil possui investimentos públicos significativos, com aplicação de 190 milhões de euros no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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Claudio Scajola, ministro de Desenvolvimento Econômico da Itália

O ministro de Desenvolvimento Econômico da Itália, Claudio Scajola, acrescentou que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, bem como os investimentos em infraestrutura e na exploração de petróleo e gás na área do pré-sal, são boas oportunidades para as empresas italianas. Em 2008, a Itália investiu apenas 219 milhões de euros no Brasil, que acolheu 36 bilhões de euros do exterior no período.

“Queremos alcançar uma verdadeira parceria estratégica, buscando entendimento específico em setores de complementaridade industrial, como defesa, estaleiros navais, construção civil, infraestrutura, biocombustíveis e fontes renováveis”, disse o ministro.


Investimentos de longo prazo

O governo italiano espera firmar um acordo de investimentos de longo prazo com o Brasil já no início de 2010, principalmente para as áreas em que a Itália tem know-how e tecnologia a oferecer, e que a indústria brasileira pretende desenvolver.

“Temos mais de 300 pequenas e médias empresas italianas instaladas no Brasil, prontas para participarem dos projetos de investimento. Sem contar as grandes, como Pirelli, Fiat e TIM”, afirmou Scajola. “Temos todos os pressupostos para fazer crescer nossas relações. Mas ainda sofremos um custo alto de impostos para os nossos produtos”, prosseguiu o ministro italiano.

A presidente da Confindustria também cobrou do Brasil a redução de tarifas, consideradas um grande obstáculo para o incremento das relações bilaterais com a Itália.

“Fazemos nosso papel de empresários, mas algumas mudanças são necessárias nas regras comerciais de alguns setores. Compreendemos a política do Brasil de preservar sua economia contra o dumping, mas as tarifas alfandegárias são muito altas, as verdadeiras barreiras que nos impedem de aproveitar todo o nosso potencial”, enfatizou Emma Marcegaglia.

Sede industrial italiana em SP


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Adolfo Urso, vice-ministro de Desenvolvimento

A Confindustria espera trabalhar a partir do início de 2010 a instalação de uma sede da entidade industrial italiana em São Paulo, com o apoio da Fiesp. A renovação do memorando de entendimento entre as entidades, para cooperação entre as indústrias dos dois países, também foi assinada nesta terça-feira (10), na abertura do II Fórum Econômico Brasil Itália.

Um acordo bilateral para o setor de automóveis e peças, um dos mais atingidos pelas barreiras alfandegárias, é outra hipótese estudada pelos governos dos dois países, além da pressão para alcançar um acordo geral entre União Europeia e Mercosul.

Mais uma alternativa é a proposta apresentada pelo Brasil para um acordo bilateral com o bloco europeu – a UE já assinou acordo nesse molde com o Chile, e negocia o mesmo com a Coreia do Sul.

Segundo o vice-ministro de Desenvolvimento, Adolfo Urso, o governo italiano levará a proposta aos parceiros europeus. “Nossa intenção é discutir essa hipótese, mais simples de ser alcançada, no âmbito do Conselho da UE, que se reunirá no dia 30 de novembro em Genebra [Suíça]”, antecipou.