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Big data pode movimentar US$ 1,6 trilhão em quatro anos

Governança de dados foi tema de workshop na Fiesp

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

Em um mundo cada vez mais conectado, o big data é um dos temas mais relevantes do mercado de tecnologia da informação. Sergio Gallindo, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), afirmou que a tecnologia cresce exponencialmente. “Será uma nova economia impulsionada por dados. Alguns especialistas preveem que o tratamento e a monetização de dados gerarão US$ 1,6 trilhão em quatro anos. Ganhos de eficiência podem agregar cerca de US$ 15 trilhões ao PIB global até 2030, beneficiando vários setores, tais como, agricultura, transporte, saúde”, disse. A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (19/7), durante o workshop “Governança de dados: cloud e big data”, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante o encontro, que aconteceu na sede da entidade, Gallindo disse que no ano passado, somente a nuvem foi responsável por R$ 4,7 bilhões na economia brasileira – R$ 1,7 bilhão provenientes do setor público e o restante privado. “Não é tendência, já e realidade em termos de peso mercadológico, e as empresas precisam olhar como futuro da sua própria tecnologia de informação interna”, alertou.

O presidente da Brasscom alertou também que é necessário ter segurança jurídica nessa área. “É essencial para o desenvolvimento da nova economia impulsionada por dados, que representa uma grande oportunidade para o Brasil”, disse. Segundo ele, vários países têm buscado elaborar arcabouços legais que estabeleçam parâmetros mínimos para a definição e a proteção dos dados pessoais, desde sua coleta até o tratamento e o uso de tais dados. “Neste sentido, eventual lei de proteção de dados pessoais deve ser um ponto de orientação, estabelecendo diretrizes que não prejudiquem a cadeia produtiva ou que inibam o desenvolvimento da tecnologia e da inovação”, completou.

Claudio Bessa, gerente de desenvolvimento de negócios e ecossistemas da IBM América Latina, esteve presente no encontro e mostrou a evolução da tecnologia ao longo dos anos. Segundo Bessa até 2020, 1,7 MB de informações novas serão criadas a cada minuto para cada ser humano no planeta.

Jorge Rady Almeida Júnior, professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), também participou do workshop e explicou que alguns pontos foram fundamentais para movimentar o big data. “Levamos como base os cinco “V”s do big data: volume, velocidade, que é a geração de dados cada vez mais acelerada e necessidade de processamento mais rápido; variedade de fontes, estruturados (bases de dados), semiestruturados (XML) e não estruturados (documentos, imagens, redes sociais); veracidade, que baseia-se na confiança do significado e no conteúdo dos dados e, por fim, o valor, que mostra o grau aceitável e considerável de benefícios”, explicou. Em um conceito rápido, é uma nova geração de tecnologias e arquiteturas construídas para economicamente extrair grandes volumes de uma grande variedade de dados, permitindo captura em alta velocidade, descoberta e/ou análise.

Segurança cibernética

Embora o big data seja relevante para a economia e um hub cada vez mais promissor, é preciso ficar alerta quantos aos crimes cibernéticos que ele desperta.  Salvador Oliveira, líder de serviços profissionais na Ventura Enterprise Management, disse que há muitos pontos positivos, mas também é importante ver o risco que essa tecnologia causa. “Em 2014, o cibercrime causou um prejuízo de US$ 400 bilhões de dólares”, afirmou. Segundo o líder, o cibercrime está ao lado do tráfico de drogas e equivale a 0,8% do PIB mundial. Salvador explicou que as motivações que levam os atacantes a agir são os desafios, a reputação, o idealismo e monetização.

O encontro foi mediado por Carla Belitardo, diretora da divisão de telecomunicações do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) e contou também com as presenças de Elisabete Couto, diretora de serviços de TI e Cloud da Embratel Claro Empresas e Gabriel Bonilha, diretor geral da EmergiNet.

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Workshop do Deinfra, da Fiesp, sobre governança de dados. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp