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Avaliação do Ciclo de Vida veio para ficar, diz professor da USP

De acordo com Gil Anderi da Silva, a ACV permite comparação ambiental dos produtos, mas ainda é pouco utilizada no Brasil

Agência Indusnet Fiesp

O desafio do comércio internacional frente às mudanças climáticas passa pela discussão sobre os processos de produção. Alguns países já avaliam o ciclo de vida de produtos para torná-los mais competitivos junto aos consumidores, cada vez mais exigentes. Com o propósito de discutir o tema, o Departamento de Energia da Fiesp realizou seminário na sexta-feira (5), na sede da entidade.

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Professor Gil Anderi Silva, da USP

“A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é a única ferramenta capaz de comparar ambientalmente produtos”, afirmou o professor Gil Anderi da Silva. A ACV leva em conta todos os processos, desde a extração do recurso natural; passa pelos elos da cadeia produtiva; uso do produto e seu descarte final, acrescentando a esta conta o transporte em todas as fases.

Entretanto, o Brasil ainda não possui banco de dados para realizar esse tipo cálculo. “Construir este banco tem um alto custo financeiro, mas se quisermos consolidar a ACV no País teremos que fazê-lo”, acrescentou Silva.

Segundo ele, a partir da avaliação é possível identificar oportunidades de melhoria, escolher fornecedores, trabalhar o ecodesign e a comunicação, definir políticas públicas e rotulagem ambiental.


Governo

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), tem a ACV como ação prioritária. De acordo com informações do próprio ministério, o projeto de implantação de um modelo brasileiro é “vital para o desenvolvimento nacional”.

Silva, que também preside a Associação Brasileira do Ciclo de Vida (ABCV), informou que está trabalhando com o MCT na segunda fase do projeto de Inventário do Ciclo de Vida para a Competitividade ambiental da indústria brasileira.

O professor salientou que para consolidar a ACV no Brasil, além da necessidade da construção de um banco de dados, é importante capacitar recursos humanos e contar com o comprometimento dos diferentes segmentos econômicos, “principalmente o industrial”.


Experiência
O gerente-adjunto do Ecoinvent Centre, Roland Hischier, disse que a Avaliação do Ciclo de Vida na Suíça (seu país) é feita há mais de dez anos. Conforme análise realizada por eles, o ciclo de vida de uma televisão, avaliada por oito anos e ligada quatro horas diariamente, apresentou impacto duas vezes maior no processo de produção do que durante o uso.

Segundo Hischier, o Ecoinvent detém a maior base de dados do mundo e foi criado por iniciativa de universidades suíças e institutos de pesquisas. “Temos um banco de dados on-line, com quatro mil produtos e um mecanismo de garantia de qualidade independente”, explicou.

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Participações

O seminário “A Importância da Avaliação do Ciclo de Vida da Energia para uma Economia de Baixo Carbono” contou ainda com as seguintes participações: Antonio Bonomi, pesquisador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol; Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica); Décio Michellis Júnior, diretor de Energia da Fiesp; Roberto Moussalem, gerente do Departamento de Energia da Fiesp; e Marcos Eduardo Gomes Cunha, diretor de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da Ciclo Ambiental.