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Autismo: os desafios da infância à vida adulta são abordados em live

Bate-papo lúdico e informativo contou com a participação do cartunista Mauricio de Sousa, criador do André, personagem autista da Turma da Mônica, e de outros convidados especiais

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

A conscientização sobre o autismo é o primeiro passo para a construção de uma sociedade mais compreensiva e acolhedora. Desde 2008, a Organização das Nações Unidas (ONU), definiu que abril seria o mês destinado a potencializar a visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Foi com o objetivo de contribuir para o debate de forma lúdica e informativa, que a Fiesp realizou a live Autismo em quadrinhos e os desafios da infância à vida adulta, no penúltimo dia do mês alusivo ao tema.

Entre os convidados, o desenhista, empresário e escritor Mauricio de Sousa, criador do André, personagem autista da Turma da Mônica que nos possibilita compreender, de forma divertida e carinhosa, o universo dessas pessoas. O jornalista e cofundador da Revista Autismo, Francisco Paiva Junior, além de Nicolas Brito Sales, jovem de 22 anos, autista, que atua como fotógrafo e palestrante, também participaram do bate-papo. O médico neurologista, Sidarta Zuanon, do Espaço Saúde do Sesi-SP e Senai-SP, e a psicóloga e jornalista Andrea Bezerra de Albuquerque, responsável pela área de diversidade e inclusão do RH do Sesi-SP e Senai-SP estiveram on-line durante toda a conversa e agregaram bastante conhecimento técnico à live.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há cerca de 70 milhões de pessoas autistas no mundo. Além disso, o autismo atinge uma em cada 6 crianças, com maior incidência entre os meninos. No Brasil, estima-se que existam em torno de 2 milhões de pessoas com diagnóstico positivo para o transtorno que geralmente é identificado entre os 2 anos e meio a 3 anos de idade.

A live Autismo em quadrinhos e os desafios da infância à vida adulta foi um bate-papo descontraído sobre o autismo e a necessidade de maior conscientização sobre o tema. Francisco Paiva Junior comandou a conversa. Íntimo do assunto,  convive com o filho, Giovani, 14 anos, que é autista.

“Eu parabenizo à Fiesp por pensar e promover um diálogo tão importante como este. É com ações assim que pessoas neurodivergentes – que são indivíduos que possuem uma configuração neurológica atípica, ou seja, diferente daquilo que a sociedade considera o padrão – serão cada vez mais incluídas”, disse Paiva.

Durante todo o bate-papo, foi possível assistir a vídeos com os personagens da Turma da Mônica, inclusive André. As animações apresentaram situações nas quais era possível entender de forma lúdica um pouco do que pensam e do que sentem os autistas.

Entusiasmado, participando da live em seu estúdio de criação, o cartunista Mauricio de Sousa contou que as histórias em quadrinhos são uma maneira eficaz e saudável de apresentar ideias, desmistificar conceitos preconcebidos. “Pessoas de todas as idades entram em contato comigo para dizer que descobriram algo com as historinhas. Mostrar um pouco do que pensa e como age o André é levar mais representatividade aos gibis”, ressaltou Mauricio.

O cartunista ainda alertou para o fato de que informações precisas sobre os sinais e o comportamento de uma pessoa podem ajudar as famílias na suspeita e na identificação, além de apoiar o pleno desenvolvimento dos autistas. “É muito importante levantar um véu sobre o autismo. Penso que trazer à tona este universo contribui bastante porque muita gente não conhece, não entende e, infelizmente, existem pessoas que não aceitam, se afastam”, completou o criador da Turma da Mônica.

Nicolas Brito Sales contou que as histórias criadas por Maurício fazem parte da sua vida até hoje. Com dificuldade de interpretar textos, os gibis abriram as portas do universo da leitura para ele. “Gostaria de reforçar que todo autista é único. Tenham empatia. Eu, por exemplo, sempre tive problemas para me prender ao conteúdo que estava lendo. Mas as histórias da Turma da Mônica me fizeram criar gosto. Tanto é que me tornei escritor de livros infantis”, explicou.

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O médico neurologista Sidarta Zuanon, do Espaço Saúde do Sesi-SP e Senai-SP, alertou que quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, melhor a qualidade de vida do autista. “Ele nunca perderá sua espontaneidade, sua verdade. É primordial o respeito à condição de cada pessoa, reconhecendo e respeitando o diverso”, enfatizou.

A psicóloga e jornalista Andrea Bezerra de Albuquerque, responsável pela área de diversidade e inclusão do RH do Sesi-SP e Senai-SP, chamou a atenção para o fato de que a sociedade conclame o assunto durante todo o ano e não apenas no mês de abril. “Debates como este são responsáveis por fazerem as pessoas autistas se sentirem fortes para ocupar espaços e lugares na comunidade. Nossa função é contribuir para o processo de inclusão e, dessa forma, ajudar a construir um país melhor”, complementou.

GUIA – Durante a live, o Instituto Mauricio de Sousa (IMS) e a Revista Autismo lançaram um guia com dicas de atividades para autistas. Em versões impressa e digital, o guia é todo ilustrado com o personagem André. Com diversas sugestões de atividades que estimulam o desenvolvimento das crianças e um olhar especial para as que estão no espectro do autismo, o manual ilustrado visa orientar e dar ideias de dinâmicas para as famílias que estão em isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus.

Acesse para baixar gratuitamente o guia, “Dicas de Atividades do André”

Assista à íntegra da live Autismo em Quadrinhos e os Desafios da Infância a Vida Adulta