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Atratividade do mercado externo em 2022 será maior, avaliam especialistas do setor calçadista

Descasamento entre crescimento da economia no mundo e no Brasil abre espaço para a exportação de produtos brasileiros

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

A pandemia atingiu a economia de todos os países. A recuperação, entretanto, não segue o mesmo ritmo. O mundo deverá crescer 5% em 2021 contra 4,5% em 2022. Na América Latina, que deverá fechar em 6% este ano, as previsões de crescimento ficam em torno de apenas 3% para 2022.

Esse é o entendimento de representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) que participaram da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva de Couro, Calçados e Artefatos (Comcouro) da Fiesp. O encontro realizado na quarta-feira (10/11), por videoconferência, foi conduzido pelo coordenador do Comcouro, Samir Nakad.

“A boa notícia é que esse descasamento de crescimento abre espaço para exportação de produtos brasileiros”, disse o consultor em economia da Abicalçados, Marcos Lélis, que apontou mais dois gargalos que impedem o crescimento da economia dos países em desenvolvimento: a inflação e o comportamento da economia real na China, após o caso Evergrande.

“O diagnóstico do cenário econômico brasileiro revela um cenário preocupante. O problema é muito mais estrutural do que conjuntural, e vem desde 2016. Com esse tecido econômico desestruturado, a capacidade de recuperação fica comprometida”, alertou Lélis.

Fatores adicionais que atrapalham a retomada mais vigorosa são a taxa de desemprego e a qualidade do emprego que está sendo gerado. A queda no rendimento mensal do trabalhador é outro ponto de atenção, por afetar sua capacidade de compra. “Isso é agravado pelo aumento da inflação, que é muito maior nos preços monitorados do que nos preços livres. E some-se a tudo isso a menor previsão de crescimento do PIB para 2022, de apenas 1%”. Lélis ainda chamou a atenção para possíveis pontos de discussão para o próximo ano: regime de metas, teto de gastos e a política de preços da Petrobrás.

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América Latina deverá crescer ainda menos que resto do mundo em 2022

De acordo com a coordenadora de inteligência de mercado da Abicalçados, Priscila Link, a indústria calçadista tem conseguido produzir mais que o ano passado, no entanto, ainda não superou os níveis pré-pandemia. “No acumulado de janeiro a setembro de 2021, a produção de calçados cresceu 18,6%. Por outro lado, ainda situa-se 15% abaixo do nível de 2019. Sem os impactos da segunda onda a produção teria crescido 29,8%, situando-se 7% abaixo de 2019”, afirmou a especialista.

Link destacou as vendas no varejo de tecidos, vestuários e calçados, que cresceram 28% em volume, no acumulado de janeiro a agosto de 2021, mas também abaixo de 2019 em 15 pontos percentuais. Já o nível de emprego na indústria calçadista cresceu 15,6% em relação a setembro de 2020 e encontrou estabilidade na comparação com 2019, apenas 0,8% abaixo daquele período.

“As nossas estimativas para 2022 são de 2,6% de crescimento, considerando um câmbio de R$ 5,31 para o dólar. Um dos caminhos para driblar a crise é aumentar a participação no mercado externo e diminuir a dependência do comércio nacional, responsável por 85% da produção”, concluiu.

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O problema é muito mais estrutural do que conjuntural, diz o consultor Lélis

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Link: um dos caminhos para driblar a crise é aumentar a participação no mercado externo