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Atividades culturais vão sendo lentamente retomadas em São Paulo: tema avaliado na Fiesp

Durante encontro de profissionais da cultura, apontaram-se problemas a serem superados com impactos da pandemia no setor

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O setor cultural lentamente retoma suas atividades, com as medidas sanitárias necessárias, neste momento. A leitura foi feita por André Sturm, presidente do Conselho Superior da Indústria Criativa (Cosic) da Fiesp, em encontro virtual realizado nesta quarta-feira (21/7), quando se debateu a Lei Rouanet e seus efeitos, mais o ProAC e o atual cenário da cultura.

Sturm debateu, com os participantes, a prorrogação, no Estado de São Paulo, dos prazos de execução dos projetos culturais que têm o benefício da Lei Federal n.14.017/2020, a chamada Lei Aldir Blanc, “um copo d’água” para a cultura, como afirmou Sturm, em uma metáfora, diante da crise que o setor vive em função da pandemia de Covid-19.

De acordo com ele, “há 42 mil projetos inscritos nos editais, no estado de São Paulo, número astronômico que demonstra a penúria a que se chegou no setor cultural, e é preciso se pensar em iniciativas factíveis para oferecer à sociedade. O Programa de Ação Cultural (ProAC) é apenas uma das possibilidades, antes existiam outros editais que não vão mais ser executados, como enfatizou o presidente do Cosic.

Outro problema apontado diz respeito ao apoio empresarial às iniciativas artísticas, impossível de se estabelecer quando se trabalha de 40 a 60% de ocupação nos espaços físicos, índice que não ajuda a ‘fechar a conta’, pois não há viabilidade financeira com esse teto, aumentando-se a possibilidade de se ter prejuízo, como, por exemplo, em peças de teatro, que trabalham com índice maior de público.

Nesse sentido, avaliou-se a importância da iniciativa privada a apoiar os produtos culturais. O maestro João Carlos Martins, que está à frente da Bachiana Filarmômica Sesi-SP, frisou o apoio expressivo da indústria, por meio do Sesi-SP. Ele enfatizou o momento dos concertos não presenciais, mas que estão sendo resgatados, mais a união das duas modalidades, a presença física e a digital, diante da expressiva visualização on-line da Bachiana, pelo YouTube do Sesi-SP e pelo YouTube do Centro Cultural Fiesp (CCF), sem se somar as demais transmissões da Bachiana, que são frequentes. “As pessoas perderam o hábito de sair de casa e vai levar um certo tempo para se retomar isso. Há um consumo muito alto de streaming e materiais culturais on-line”, apontou Sturm, diante da tendência até de um caráter híbrido de consumo da cultura.

Os participantes avaliaram a distribuição de recursos e a possibilidade de divisão mais equitativa. Sturm frisou a natureza diversa da indústria cultural, da cultura dos coletivos e a cultura dos artistas e, para ele, seria importante separar esses ‘guichês’. E, ainda, citou um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a respeito do impacto dos recursos investidos no ProAC. Eles representam muito mais do que a relação renda e emprego, pois alcançam diversos profissionais do entorno na atividade empreendida.

Diante dos efeitos da pandemia, que ainda serão sentidos pela área cultural, nos próximos seis meses, segundo os integrantes do encontro, foram criados dois Grupos de Trabalho, um deles voltado às políticas públicas e outro emergencial, para elencar propostas que deem ‘oxigênio’ à cultura a fim de ultrapassar esse período sensível, e que apresentarão propostas nos próximos meses.

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Foto: Everton Amaro/Fiesp