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Apenas com sofisticação industrial Brasil conseguirá se desenvolver, afirma professor da FGV

Paulo Gala entende que se deve dar atenção à educação e que manufaturas de alta tecnologia levam os países à riqueza

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp se reuniu na segunda-feira (13/12) para debater desenvolvimento econômico e aprendizagem produtiva, com a exposição do Prof. Dr. Paulo Gala, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Durante a abertura, o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, nomeou o economista Antônio Delfim Netto, que preside o Cosec e participou do encontro por videoconferência, como Presidente de Honra desse Conselho, a partir do dia 1º de janeiro de 2022. A reunião foi conduzida pelo vice-presidente do Cosec, Dan Ioschpe.

Skaf afirmou que Delfim engrandeceu cada lugar por onde passou, fosse no âmbito público ou privado, e que seu aceite para ser presidente do Cosec foi “de grande contribuição para a indústria e sua história e influência extremamente relevantes para o Brasil”.

Por falar em indústria, segundo o palestrante convidado, o setor é responsável por 90% da inovação mundial. Contudo, transformar inovação em desenvolvimento requer um processo de aprendizagem produtiva. “O Brasil era um país de baixa complexidade industrial, deu um salto até a metade dos anos 1990, mas a partir desse ponto percorreu o caminho contrário”, disse Gala, que apresentou estudo baseado em banco de dados de comércio internacional.

Os indicadores apontam que quando um país consegue atingir elevado patamar de sofisticação produtiva é mais provável que se torne rico. A metodologia classifica os países por diversidade e qualidade de produtos. Assim, um país que exporte cinco itens, sendo dois deles produtos com maior valor agregado, terá maior pontuação do que exportadores de commodities, por exemplo.

“Em 1980 o Brasil exportava o equivalente a US$ 21 bilhões, semelhante ao que a China exportava. Sem muitas mudanças, o Brasil chegou a 2014 com o volume de US$ 225 bilhões, contra US$ 2,3 trilhões da China. Isso ocorreu devido à diversificação de produtos e maior participação em produtos com alto grau de sofistificação do país asiático”, explicou, lembrando que hoje o Brasil tem mais da metade do mercado mundial de soja, com 56%, e 21% do mercado mundial de aço. “Manufaturas de alta tecnologia levam os países à riqueza, enquanto países mais pobres são os que dependem quase que exclusivamente de commodities. O Brasil está em nível intermediário, tem um pouco de tudo, mas a nata tecnológica é produzida em países ricos”, observou o docente.

Gala aponta o México como um dos poucos países latino-americanos que avançaram, sendo a América Latina toda a representação do grande fracasso da globalização, em termos de evolução tecnológica. “Por outro lado, vemos casos de sucesso como Irlanda, Israel, Coreia do Sul e Cingapura. Países territorialmente pequenos, que eram bastante pobres do ponto de vista de sofisticação tecnológica, mas que conseguiram dar um salto incrível”, disse ele.

Em sua conclusão, o pesquisador apontou a falta de políticas públicas como um dos principais problemas a serem superados e alertou que “educar sem ter sofisticação industrial não resolve o problema”, agregando outro ponto de atenção: a retenção cérebros no Brasil, evitando-se a atual fuga.

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Paulo Skaf nomeou Delfim Netto Presidente de Honra do Cosec. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp