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Alta volatilidade prejudica cenário macroeconômico e dificulta o planejamento, afirma Igor Rocha

Economista-chefe da Fiesp apresentou dados referentes ao câmbio durante reunião do Conselho Superior de Economia

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Variável complexa e relacionada tanto ao mercado financeiro quanto ao mercado de bens e serviços, a taxa de câmbio pode influenciar o desempenho macroeconômico e a composição da estrutura produtiva. “E mais importante que o nível da taxa de câmbio é a sua volatilidade”, pontuou o economista-chefe da Fiesp, Igor Rocha, durante reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação, na sexta-feira (3/6).

A alta volatilidade da taxa de câmbio tem sido uma característica marcante na economia brasileira, cuja moeda tem sofrido ao longo do tempo fortes ciclos de valorização e desvalorização. Segundo o economista-chefe da Fiesp, esse cenário prejudica o planejamento e investimento produtivo.

“No período recente, as variações cambiais têm sido influenciadas principalmente pelo diferencial de juros e pela elevação do preço das commodities. O Brasil foi o país que apresentou a maior volatilidade cambial entre março de 2020 e 2021”, disse Rocha.

O alto patamar da taxa de juros torna a moeda brasileira alvo preferencial em período de alta liquidez internacional, mas o contrário também ocorre quando se percebe risco e instabilidade do ambiente institucional.

Rocha lembrou que entre dezembro de 2019 e outubro de 2020 o dólar se valorizou em 42,7% frente ao real, sendo o maior percentual entre as moedas mundiais. Por outro lado, entre janeiro e março de 2022, a moeda brasileira foi a que mais se valorizou em relação ao dólar: 16,5%.

E esses picos de volatilidade vêm ocorrendo em diversos momentos das últimas duas décadas, como nas eleições de 2002, durante a crise financeira internacional de 2008, a partir de 2011 na reversão do ciclo de liquidez internacional, com o aperto monetário nos Estados Unidos em 2015, sem contar os dois últimos anos de pandemia. “Precisamos entender as causas para mitigar as consequências da volatilidade, que contribuem para incerteza macroeconômica, prejudicam importação e exportação e dificultam o planejamento”, concluiu Rocha.

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Economista-chefe da Fiesp, Igor Rocha, apresenta dados durante reunião do Cosec. Foto: Karim Kahn/Fiesp