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Alta de preços impacta os mais pobres, diz especialista do agronegócio

Em reunião da Fiesp, Andy Duff afirma que governos precisam pensar em estratégias de curto prazo para reduzir insegurança alimentar

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Durante a abertura da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, na segunda-feira (6/6), o presidente do colegiado, Jacyr Costa, disse que o Brasil tem potencial para amenizar o problema mundial relacionado à segurança alimentar. “Esse é um assunto estratégico que exige ações governamentais, bem como motivação da iniciativa privada”.

Para debater o tema foram convidados especialistas e membros de órgãos do governo. Algumas ideias mencionadas por conselheiros para melhorar o ambiente de negócios incluíram o aumento do comércio, a diminuição dos subsídios e da taxa de juros no Brasil.

Em 2016 havia 100 milhões de pessoas em situação de crise alimentar. E em 2021 esse número quase que dobrou, atingindo 193 milhões em 53 países, sobretudo no continente africano. Segundo o estrategista Andy Duff, chefe da RaboResearch Food & Agribusiness, essa situação preocupante se deve a diversos fatores, como conflitos militares, eventos climáticos extremos ou choques econômicos.

“E a recente guerra no Leste europeu trouxe novos problemas, uma vez que Rússia e Ucrânia são responsáveis por considerável quantidade de cevada, milho e, principalmente, do trigo consumido mundialmente”, disse Duff.

Desde 2020 o preço dos alimentos básicos está subindo, devido à crise causada pela pandemia, mas na comparação com outro período crítico, entre 2007 e 2010, verifica-se aumento de preços mais intenso e agudo. “Principalmente combustíveis, cereais e fertilizantes”. O especialista também lembrou que os estoques globais são altos, mas a questão é onde estão esses estoques. “Metade deles, falando especialmente do trigo, está na China”.

Com preços de alimentos básicos mais elevados quem sofre mais são os consumidores mais pobres do mundo. E com insumos mais caros ou indisponíveis para produtores rurais em países mais vulneráveis surge um quadro de insegurança alimentar.

“Os países deveriam pensar em estratégias de curto prazo, como evitar a implementação de barreiras ao comércio internacional, bem como explorar outros caminhos para aumentar a disponibilidade, tais como evitar o desperdício e aumentar o acesso ao financiamento”, pontuou. Em uma economia conectada, o aumento da produção de milho e de soja também contribuiria para minimizar os impactos decorrentes da escassez do trigo.

O Secretário Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Almirante Flávio Rocha, destacou os eixos de atuação do departamento, explicou que a segurança alimentar é tratada dentro do item desenvolvimento econômico e afirmou que o sucesso do modelo brasileiro depende da integração das cadeias produtivas.

“Produzir alimentos não significa apenas plantar e colher. Sem insumos e tecnologia a distribuição de alimentos fica prejudicada. Nosso intuito é promover o desenvolvimento sustentável do agronegócio, aumentar a competitividade dessa indústria, agregar maior valor aos produtos nacionais reduzir a dependência externa e conceder mais acesso ao crédito e ao seguro rurais, bem como equilibrar produção agropecuária e conservação ambiental”, enfatizou Rocha.

Outros pontos abordados foram exportação, fortalecimento do setor produtivo nacional, inserção do Brasil no mercado internacional e o combate à fome. Ao comentar o preço dos fertilizantes, observou que a persistência da alta pode estender a crise de grãos para outros alimentos, como arroz, o que impactaria bilhões de pessoas na Ásia e nas Américas.

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Foto: Ayrton Vignola/Fiesp