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Ações para indústria são tomadas de improviso sem pensar no médio e longo prazo, afirma diretor da Fiesp em seminário

Responsável pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da federação, José Ricardo Roriz Coelho apresentou metas para a reindustrialização do país durante seminário sobre o assunto nesta segunda-feira (26/08)

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil tem oportunidades significativas para acelerar o desenvolvimento econômico e conquistar a posição de país desenvolvido em 15 a 20 anos, projetou José Ricardo Roriz Coelho, diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).  Para chegar lá, o país precisa de um plano crescimento para médio e longo prazo e não de “ações de improviso”, alertou  Roriz Coelho.

A avaliação foi feita durante abertura do seminário  “Reindustrialização do Brasil – Chave para um projeto nacional de desenvolvimento”, organizado pela Fiesp nesta segunda-feira (26/08), na sede da entidade, em São Paulo.

Segundo Roriz, para o Brasil alcançar um patamar desejável de competitividade, é necessário que a indústria de transformação eleve rapidamente sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) para 17% em 2029.

Roriz Coelho: meta é atingir participação de 17% da indústria no PIB. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Roriz Coelho: meta é atingir participação de 17% da indústria no PIB. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Para chegar ao patamar de nação desenvolvida, o Brasil precisa de um novo ciclo de investimentos e da retomada do desenvolvimento da indústria de transformação”, afirmou. “Não menos importante, o país ainda precisa enfrentar entraves como os custos elevados para produzir e a sobrevalorização cambial”, avaliou o diretor da Fiesp.

O câmbio foi destacado por Roriz Coelho. “Mesmo com a desvalorização recente (do câmbio), boa parte desse processo de desindustrialização tem ocorrido em função do dólar, o qual tirou bastante nossa competitividade”, afirmou.

De acordo com informações do Decomtec, em média, o Custo Brasil, conjunto de dificuldades estruturais que oneram a produção e o investimento, acresceu até 25,4% no custo da produção da indústria de transformação brasileira na comparação com outras nações.

Falta de políticas industriais

Para Roriz Coelho, o ponto crítico da desindustrialização do Brasil é a falta de políticas industriais específicas. O diretor destacou atuações dos governos dos Estados Unidos e de países da União Europeia (UE), que vêm aplicando medidas conjunturais de longo prazo para recuperar o investimento industrial e para a reversão do declínio da participação da manufatura no PIB.

A UE, por exemplo, possui uma meta de aumentar de 15,2% para 20% a participação da indústria de transformação no PIB em 2020 e incrementar a taxa de investimento de 17,7% para 23%, segundo informações da Comissão Europeia.

O diretor da Fiesp reconheceu a aplicação de algumas políticas voltadas para o desenvolvimento da indústria, como as ações do governo para aumentar no inovação e o lançamento do Plano Brasil Maior em agosto de 2011. Mas esses instrumentos têm sido praticamente neutralizados pelo ambiente não competitivo, pela falta de uma política industrial efetiva.

“O Brasil Maior é um esforço importante, mas não é suficiente para a reindustrialização brasileira. É preciso que a gente promova um ambiente econômico que confira mais isonomia”, afirmou.

Indústria como protagonista 

Bielschowsky no seminário da Fiesp: "Temos que adotar politicas industriais ativas". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bielschowsky no seminário da Fiesp: "Temos que adotar politicas industriais ativas". Foto: Everton Amaro/Fiesp


A palestra de Roriz foi a primeira de uma série de discussões que o seminário Reindustrialização do Brasil deve propor ainda nesta segunda-feira (26/08).  Também participou do painel de abertura o economista Ricardo Bielschowsky, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  “A indústria tem de ser protagonista em qualquer processo de desenvolvimento. Temos que adotar politicas industriais ativas, intensificar isso”, disse.