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Ação em rede é trunfo brasileiro para segurança e defesa cibernética

Chefe do Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro destaca tema em seminário promovido pela Fiesp

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

A capacidade de atuar em rede, unindo civis e militares, foi destacada pelo general Paulo Sérgio Melo de Carvalho, chefe do Centro de Defesa Cibernética (CDCiber) do Exército Brasileiro, durante a abertura, nesta terça-feira (1/12) de seminário sobre compartilhamento de informações para segurança e defesa cibernética, organizado pelo Departamento de Segurança da Fiesp (Deseg). Melo de Carvalho explicou a atuação das Forças Armadas dentro da estratégia nacional de defesa neste setor. “Nossa principal luta é contribuir com o desenvolvimento nacional, combatendo os ataques cibernéticos. Somos capacitados para atuar em rede, buscando sempre iniciativas conjuntas entre as Forças Armadas, militares e civis. Esse é nosso ponto forte”, disse o Carvalho.

Segundo o general, para que o desenvolvimento e a autonomia sejam alcançados no setor é essencial o domínio independente de tecnologias. Apesar do trabalho em equipe, o general enxerga grandes desafios. “É de extrema importância capacitar e aperfeiçoar recursos humanos, incrementar projetos conduzidos pelos institutos de pesquisa, buscando parcerias com empresas, aperfeiçoar a pesquisa científica com foco em soluções tecnológicas e inovadoras e realizar ações que contemplem a multidisciplinaridade e a dualidade de aplicações”, disse.

Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, participou do evento e ressaltou a relevância do tema. “Ainda estamos engatinhando em termos de preparação, efetividade e de respostas. Mas o melhor tem sido feito para garantir o mínimo de segurança para o Brasil. Para a infraestrutura de um país, os ganhos são absolutamente significativos.”

Jairo Cândido, diretor do Departamento da Indústria de Defesa da Fiesp (Comdefesa), também esteve presente no encontro. Destacou que os recursos não são abundantes, mas elogiou o trabalho do Exército Brasileiro. “O Brasil todo precisa ser interconectado e protegido, e está na mão deste grande homem (general Carvalho) esta grande missão, que vem desempenhando bem, apesar dos gargalos. Se o Exército continuar por esse caminho, em cinco anos a gente já coloca essa nação num outro estágio de conhecimento e de ferramenta para poder efetivamente exercer nossa soberania.”

Questionado por Coriolano Aurélio de Almeida Camargo Santos, representante do Departamento Jurídico (Dejur) da Fiesp, sobre como a Receita Federal atua na questão do recebimento de informações sensíveis e sigilosas recebidas da indústria, Carvalho disse que isso fica sob a responsabilidade da Presidência da República, no Departamento de Segurança da Informação e Comunicações (DSIC). “Temos um relacionamento intenso com os órgãos da administração pública federal e garantimos que o trabalho está sendo bem gerenciado”, afirmou.

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Seminário Compartilhamento de Informações para Segurança e Defesa Cibernética, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Jogos Olímpicos 2016

Em termos práticos, o modelo de trabalho do CDCiber, que planejou as ações da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, será essencialmente o mesmo nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, devido aos bons resultados alcançados. “Vamos estabelecer destacamento conjunto de defesa cibernética com duas sessões: operações e inteligências. É de extrema importância contar com apoio de parceiros externos. Estabelecemos rede onde quando ocorre algo, ficamos sabemos por eles”, disse Melo de Carvalho.

Segundo o general, desde o início do ano o Exército volta seus esforços para o evento. “É importante capacitar e empregar uma equipe entre 100 e 200 homens para trabalhar ininterruptamente durante os jogos. E não é só das Forças Armadas – semana passada fizemos um levantamento de quantos militares e civis vamos precisar. Num evento assim, juntamos as três Forças. Trabalhando na parte de capacitação, precisamos agir com coordenação buscando colaboração de todos os entes da sociedade e buscar confiança”, afirmou.

Ricardo Lerner, vice-presidente e diretor titular do Departamento de Segurança da Fiesp (Deseg), afirmou que o compartilhamento de informações sobre ataques e vulnerabilidade na área digital se mostrou excepcionalmente eficiente para a proteção da infraestruturas críticas. Isso pode evitar danos irreversíveis às empresas e ao país, “principalmente quando se trata de momentos de grande visibilidade em eventos internacionais, como será o caso do Brasil em 2016 durante os Jogos Olímpicos”.