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‘Indústria está sendo punida’, diz diretor da Fiesp e do Ciesp sobre escassez de água

Eduardo San Martin afirma que empresas estão deixando de se instalar na região de Campinas por não receberem licença para captar água

Agência Indusnet Fiesp

A crise hídrica no Estado de São Paulo gera um horizonte de incerteza para a atividade industrial, afirmou Eduardo San Martin, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), na manhã desta quinta-feira (17/07), durante seminário do Ciesp em Campinas.

San Martin comentou os números revelados por pesquisa realizada com 413 indústrias pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades. De acordo com o estudo, 64,9% das empresas avaliam que um eventual racionamento de água teria impacto sobre seu faturamento.

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Eduardo San Martin: empresas estão tendo dificuldades para conseguir licença para captar águas subterrâneas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“Essa pesquisa nos mostra que 75% das indústrias de grande porte estão preocupadíssimas”, destacou San Martin. “Nós não sabemos o que vai acontecer. Dependemos de algo que não está a nosso alcance [a possibilidade de chuvas].”

“A indústria está sendo punida”, reforçou o diretor.

Embora as empresas, por questões estratégicas de mercado, não divulguem seus números,  segundo San Martin é possível perceber sinais concretos de como a escassez de água tem afetado a atividade industrial na região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que reúne pelo menos 50 municípios paulistas e quatro de Minas Gerais.

“Temos empresas que estão deixando de se instalar porque não recebem licenças ambientais para se instalar. Porque não conseguem receber licenças para captar água. Isso sem falar daquelas que não conseguem ampliar as suas atividades.”

O diretor destacou que na região existem 75 grandes indústrias que respondem por 75% do consumo de água industrial. “Essas indústrias podem ter cada vez mais prejuízo na sua capacidade produtiva se esse bem natural faltar˜, lembrando que em 2008 as indústrias dessas bacias hidrográficas tinham autorização para captar 14,31 metros cúbicos por segundo e que esse volume caiu quase pela metade.

“As empresas estão tendo inúmeras dificuldades para conseguir outorga”, referindo-se ao anúncio de que a Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos iria autorizar a captação de água subterrânea.

San Martin lembrou que Fiesp e Ciesp vêm incentivando empresas a reduzir o consumo de água. “Fizemos uma cartilha, um plano de contingência, uma fou feita para uso doméstico, outra para uso industrial”, lembrando ainda a existência do Prêmio Reúso de Água, iniciativa das entidades que há nove anos estimula as boas práticas.

“O que nos entristece é que há dez anos aquele que administra os reservatórios de água de toda essa região do Estado já sabia que deveria ter sido feito alguma coisa e não fez˜, criticou.

“Não é admissível que quem decida o sistema de operação seja a Sabesp, enquanto muitos municípios não são operados pela Sabesp, que é o caso de Campinas, que luta para receber água para toda a sua população.”

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