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‘A aquicultura é a nova fronteira agrícola brasileira’, diz secretário-adjunto da Agricultura de São Paulo na Fiesp

Rubens Rizek Junior foi um dos convidados do seminário “O sucesso do pescado”, que debateu as potencialidades do setor na manhã desta quinta-feira (08/09)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de comer peixe. E, com isso, além de ter mais saúde, movimentar a economia. Para debater esses e outros assuntos, foi realizado, na manhã desta quinta-feira (08/09), na sede da Fiesp, em São Paulo, o seminário “O sucesso do pescado”. Organizado pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da federação, o evento reuniu empresários e autoridades para discutir a criação de uma agenda de trabalho mais forte para o setor.

Com a mediação do coordenador do Compesca, Roberto Imai, o secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Dayvson Franklin de Souza, destacou as potencialidades do pescado no Brasil. “É impossível fazer alguma coisa sem ouvir o setor, precisamos construir uma pauta juntos”, disse Souza. “O Brasil tem como meta atingir uma participação de 10% no comércio mundial do agronegócio e os frutos do mar representam o segmento que mais tem condição de contribuir com esse objetivo”.

De acordo com o secretário, o desafio “é ter interlocução mais aberta”. “Nós não somos concorrentes do boi, das aves e da soja, somos mais um grande produto nas mãos do país”, afirmou.

Também convidado do seminário, o secretário-adjunto de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Rubens Rizek Junior, reforçou a importância de estimular o setor no Brasil diante do tamanho do nosso litoral e da quantidade de rios e reservatórios que temos aqui. “Importamos 60% do pescado que consumimos”, disse. “Já fomos importadores de carne e hoje conseguimos exportar, será assim com o peixe também”, afirmou. “O que precisamos fazer é resolver o gargalo da burocracia, as nossas normas travadas”.

>> Ouça boletim sobre o setor do pescado

Segundo Junior, é importante reforçar o consumo de peixes, o que pede o desenvolvimento de melhores técnicas de conservação, de soluções que vão além do gelo. “Também temos que ter uma política pública de saúde que inclua a proteína do pescado na alimentação”, explicou. “A aquicultura é a nova fronteira agrícola brasileira”, disse. “Não temos mais tanto o que crescer nos outros segmentos, mas na aquicultura sim”.

Questão de bom atendimento  

Compradora de Pescados do Carrefour, Maria Rosilene Costa participou do seminário destacando as ações da rede de varejo para vender mais peixe. “Certa vez, pedi cem quilos de saint peter ao meu gerente para vender no final de semana”, contou. “Ele não acreditou no potencial de vendas, mas me permitiu fazer a compra. Organizei uma degustação na loja e acabou tudo até as 20h de sábado”.

Para ela, o bom atendimento amplia a compra. “É importante que o peixeiro conheça as espécies, destaque os sabores, trabalhe como consultor, saiba oferecer outros produtos”, explicou Maria Rosilene. “Com uma relação de confiança, é possível fidelizar os clientes. Como existe o consultor de vinhos, o peixeiro deve ser consultor de peixes, ficar do lado de fora da peixaria e chamar o cliente para conhecer os pescados, gerar experimentação”.

Além disso, ela reforçou a importância da higiene e limpeza na área. “É preciso ter boa apresentação, com cortes, tipos e nomes destacados, bom sortimento”.

Frescos e sem conservantes

Diretor da Trutas NR, produtora de Sapucaí-Mirim, no Sul de Minas Gerais, Afonso Vivolo falou sobre a experiência de mercado de sua empresa, principalmente no que se refere ao consumo de filé de truta em vez do peixe inteiro. “Os consumidores desconfiaram”, disse. “Viemos com um novo conceito e precisamos voltar a vender o peixe todo”.

Hoje, 90% da produção do fabricante vai para restaurantes. “Respeitamos o varejo, mas o nosso ganha-pão está nos restaurantes”, afirmou Vivolo.

Segundo ele, entre as tendências para a indústria nesse mercado estão a rastreabilidade e origem comprovada, a oferta de peixes frescos em embalagens que garantam o maior tempo de prateleira e a entrega de produtos sem antibióticos e conservantes, com certificação de bem-estar animal.

Sabor caseiro

Administradora executiva da Yoshi Pescados, Patrícia Dias Nascimento explicou que a empresa nasceu para trabalhar com produtos elaborados à base de pescados, como bolinhos e empanados, para entrar no mercado de forma diferente do que já existia. “São produtos com foco no sabor caseiro, nas porções corretas, que não precisam ser reformulados”, diz.

Além das vendas para restaurantes, a Yoshi vende para o varejo. “Trabalhamos de forma agressiva as nossas degustações e desenvolvemos ações para consumidores como os produtores de cerveja e os donos de bares, por exemplo”.

Outro foco foram as ações com marcas de panelas, aproveitando o gancho de que os alimentos da Yoshi são fritos em panelas do tipo que não usam óleo. “Precisamos fazer uma venda assistida, orientar o consumidor. Ninguém sai de casa todo dia para comprar bolinho empanado”, disse Patrícia. “Queríamos ficar conhecidos de forma diferente”.

Segundo ela, entre as dicas para ter sucesso trabalhando com pescados, está o trabalho em parceria com os demais agentes da cadeia produtiva do peixe. “Temos que parar de reclamar e fazer acontecer”.

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O seminário sobre o sucesso no mercado de pescados na Fiesp: trabalho em parceria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp