imagem google

5G traz benefícios e pontos de atenção, como a segurança cibernética

Em encontro, especialistas avaliam como a indústria se prepara frente à nova tecnologia

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Fiesp se reuniu nesta quinta-feira (26/8) em videoconferência a fim de debater sobre o 5G na indústria e a questão da segurança cibernética. “Um tema de extrema importância e atual, diante da liberação do Tribunal de Contas da União (TCU) ontem para licitação da tecnologia no Brasil”, destaca Antônio Carlos Teixeira Álvares, presidente do Conic.

O gerente de Soluções de Comunicações Sem Fio do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), Gustavo Corrêa Lima, sintetiza que a rede 5G trata-se de infraestrutura wireless, sem fio. Segundo ele, o desenvolvimento da tecnologia foi estabelecido pelas Nações Unidas (ONU) por meio do International Telecommunication Union (ITU) com o objetivo de conectar o mundo a cada nova evolução das comunicações móveis.

Lima afirma a necessidade da rede nas indústrias: “A tecnologia caminha junto ao 5G. Irá permitir maior alcance e velocidade em respostas para equipamentos conectados e autossensitivos, análises por visão computacional, digital twin (com prescrição de falhas e ações corretivas), dados em realidade aumentada, rastreabilidade da cadeia produtiva com blockchain, inteligência artificial, entre outros”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1638857410

Conic destaca o uso do 5G na indústria e a segurança cibernética necessária em função da nova tecnologia. Fotos: Ayrton Vignola/Fiesp


Faça o download da apresentação sobre Cibercultura Industrial, de Gustavo Corrêa Lima

Segurança cibernética

Com a nova tecnologia 5G, é preciso se prevenir mais fortemente contra as ameaças cibernéticas com série de medidas para que as redes sejam mais robustas. Lima chama a atenção para o fato de o cibercrime ser extremamente lucrativo. “É equivalente ao terceiro PIB mundial,  na ordem de trilhões de dólares, mais rentável que o tráfico de drogas”, revela.

Por essa razão, alerta que o tema precisa estar na pauta dos CEOs das empresas, item que subiu para a 9ª posição, de acordo com a pesquisa da PwC, em nível de preocupação com ameaças comerciais, econômicas, políticas, sociais e ambientais para o crescimento.

No entanto, Lima alerta que não é só a rede que pode ser atacada. Também há o fator humano, como aconteceu na Flórida, em uma estação de tratamento de água, cujo sistema foi invadido devido à fraca segurança do software, responsável pelo funcionamento, que não bloqueou o acesso.

Suporte Senai-SP às indústrias

O gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Lahoz Maia, destaca como a instituição trabalha para oferecer suporte às indústrias a fim de evitar ataques cibernéticos. De acordo com ele, o Senai-SP mantém estreito contato com diversos setores tendo em foco as estratégicas para a conectividade digital, entre indústria, empresas e cadeia de fornecedores, cluster 5G, startups, academia, com professores e pesquisadores, e, ainda, o governo, por meio dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e das Comunicações (MiniCom), mais a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

O Senai-SP deu início a amplo programa de conectividade digital para assistência tecnológica às empresas. Essa atuação se fundamenta em parcerias com o setor industrial e Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs), o que inclui ações de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e integração das tecnologias com vistas à democratização da transformação digital na indústria brasileira. Isso se dá, notadamente, nas tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 e conectividade 5G de alta performance em ambiente aberto.

Maia diz que o momento é de atenção a todos que trabalham com tecnologia e, para elaboradores de políticas públicas, pois o tema é crucial para o Brasil. Para ele, devemos saber como o 5G está entregando sua proposta de valor, o encantamento está passando, e deve-se perguntar como será a produtividade. “Temos de analisar sobre os benefícios que o 5G se propôs a entregar. Por isso, a rede do Senai-SP está à disposição para a indústria”, avisa.

Apresentação sobre 5G na Indústria: a questão da segurança cibernética, Osvaldo Lahoz Maia

Panorama de cibersegurança

Ruth Fabiana Soliani, gerente sênior de P&D, responsável pela área de segurança cibernética do SiDi, revela que hoje ocorrem 70 ataques por minuto às redes. Em 2020, o custo médio de um vazamento de dados nos Estados Unidos foi de USD 8,64 milhões, de acordo com pesquisa da Delloite. No Brasil, 41% das empresas já sofreram ataque cibernético, incluindo o tipo ransomware, quando dados de sistemas são infectados, ou bloqueados, e um ‘resgate’ monetário é cobrado para reaver o acesso.

E, quando se avalia por qual motivo as indústrias começaram a virar alvo de ataques, Saliani explica: “Os sistemas de controle industrial tornaram-se alvos pelo potencial altíssimo de danos financeiros, impactos aos indivíduos, inclusive sua segurança física, e pelo impacto na sociedade em geral, como interrupções de serviços essenciais”.

Saliani diz que para se proteger é preciso conhecer bem os artefatos da empresa, assim como as ameaças, e tomar medidas eficazes. A vulnerabilidade pode estar no software, no hardware, nos protocolos de comunicação, nas tecnologias de comunicação, nos fornecedores, na infraestrutura, no armazenamento em nuvem ou na integração entre sistemas e pessoas.

Saliani recomenda ações preventivas aos ataques, tais como:

  • Conscientização
  • Gerenciamento de vulnerabilidades
  • Autenticação e controle de acesso
  • Segmentação da rede
  • Criptografia de dados sensíveis
  • Backups isolados e testados