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Artigo: A criação de valor empresarial, por meio do processo de Relato Integrado


Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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Por Meire de Fátima Ferreira e Katy Corban*

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Importância para as empresas

A complexidade do mundo é cada vez maior e as empresas estão inseridas em um contexto de desafios globais (escassez de água, consumo de energia, aumento da pobreza, efeitos das mudanças climáticas, aumento populacional que faz pressionar ainda mais o uso de recursos naturais), se fazendo necessário um maior grau de transparência na forma como os negócios impactam o mercado, a sociedade e como são impactadas. O desafio é ter consciência de seu papel neste contexto e demonstrar como gera valor para si, para as comunidades e mercados onde operam.

A geração de valor pelas empresas como ativo, atualmente, têm uma base significativamente superior de intangibilidade, o que nos traz ainda mais elementos desafiadores para a mudança de paradigma da visão do capital apenas financeiro para outros capitais reconhecidamente (mas não quantificados) importantes, como o intelectual, humano, natural e social.

Podemos dizer que uma empresa deve passar pelo equilíbrio do negócio por seu valor contábil convencional, mas há uma necessidade de se evoluir na forma de contabilização de ativos intangíveis e externalidades positivas e negativas (aqui entendidas como impactos positivos e negativos) que sabidamente determinam o valor de mercado das empresas.

O contador tem um papel fundamental na determinação do processo de criação de valor ao contribuir de maneira efetiva na identificação e concretização de ativos intangíveis e de externalidades. Um exemplo para facilitar o entendimento de como buscar a integração de informações não financeiras (socioambiental e governança) com informações financeiras, pode ser identificado nas publicações de Rob Gray, considerado um dos mais importantes autores especializados em contabilidade ambiental em nível internacional, ao explicar que uma gestão ambiental integrada poderia contribuir em, pelo menos, cinco áreas :

1. Modificação dos sistemas de contabilidade existentes (eficiência energética, hídrica e de resíduos);
2. Eliminação dos elementos conflitantes dos sistemas de contabilidade (métodos de investimento);
3. Planejamento das implicações financeiras de uma agenda socioambiental (despesas de capital);
4. Introdução do desempenho socioambiental nos relatórios externos (relatórios anuais);
5. Desenvolvimento de uma nova contabilidade e sistemas de informações (como em balanço patrimonial ecológico).

Nesse passo, os processos de relato integrado vêm dar sua contribuição para avançar na transparência do desempenho das empresas sobre seu impacto socioambiental além de possibilitar a identificação de ativos intangíveis, externalidades e mecanismos de governança mais efetivos para processos tidos como não financeiros, possibilitando o encontro destes com os processos econômico-financeiros.

Eficiência operacional, melhor gestão de risco e melhor comunicação com investidores são benefícios concludentes na lógica do “pensamento integrado”, que possibilita o “processo integrado”, que por sua vez, resulta no “relato integrado”, ou seja, o relato é o fim e não o meio. Para que um relato seja coerente e consistente, é determinante que haja alguns passos anteriores no sentido de explorar e refletir sobre o contexto de operação e modelo de negócio, definindo a materialidade sobre a qual se deve existir a concentração de esforços financeiros e humanos em sua gestão e a partir deste ponto avaliar se é factível a monetização de ativos intangíveis e externalidades positivas e negativas causadas pela simples existência de uma organização.

Há uma grande caminhada no processo de integração de informações não financeiras, pois é sabido que as informações disponíveis não são totalmente confiáveis sob o ponto de vista de qualidade e ao mesmo tempo há uma necessidade de informações que até então não vêm sendo reportadas com a clareza, coerência e concisão necessária para a tomada de decisão dos investidores.

O movimento do Relato Integrado

O movimento do relato integrado se estabeleceu em agosto de 2011 pela Accounting for Sustainability Project (A4S) sob a liderança do Princípe de Gales, pela Global Reporting Initiative (GRI) and pelo International Federation of Accountants (IFAC), criando o International Integrated Reporting Counsil (IIRC), que agrega uma coalização de reguladores, investidores, empresas, normatizadores, contadores e ONG’s. A missão do IIRC é criar um modelo para processo de relato integrado aceito globalmente.

O movimento do relato integrado se mostra, dessa forma, oportuno para se falar sobre um ator fundamental nos mercados operados pelas empresas – os investidores, mas traz grandes desafios que certamente serão, ainda, motivos de muita dedicação por parte das empresas e das organizações comprometidas em avançar na transparência de dados tidos como não financeiros explicitando a governança também integrada sobre os mesmos.

O que é Relato Integrado

Relato Integrado visto como um processo integrado é prioritariamente destinado aos investidores, possibilitando uma representação de fatores-chave materiais no presente e futuro na criação de valor das organizações. O processo de relato integrado estimula o pensamento e comportamento integrado, resultando em uma comunicação de forma mais concisa que revela de forma objetiva qual a estratégia, a governança, o desempenho e da liderança para a criação de valor no curto, médio e longo prazo.

Esta comunicação deve ser alcançada através de um relato integrado, que é o resultado final de um processo que considera contexto, modelo de negócio, materialidade, externalidades negativas e positivas e ativos intangíveis para explicitar a criação de valor para a própria organização e comunidade onde está inserida. Pelo estímulo a diferentes formas de pensamento, o processo de relato integrado busca contribuir na direção de uma economia global mais avançada e sustentável.

Perspectiva Ernst & Young
► O processo de relato integrado reflete a estratégia de criação de valor de uma empresa.
► É uma ferramenta de gerenciamento para medir e comunicar o valor integral que uma empresa cria através de suas atividades de negócio e seus financeiros e socioambientais.
► Explica os vínculos entre o desempenho financeiro de uma empresa, a estratégia e o valor gerado a partir de atividades e negócios sustentáveis.
► Monetizando, onde possível, a criação de valor através dos impactos socioambientais de uma empresa, surge uma figura mais completa do desempenho do negócio.
► Representa uma oportunidade significativa para a evolução de relatos corporativos, explorando temas importantes de longo prazo, ajudando a fortalecer e restaurar a confiança das informações geradas.

* Meire de Fátima Ferreira é diretora executiva de Mercados para mudanças climáticas e sustentabilidade na Ernst & Young. Katy Corban é gerente de sustentabilidade na Ernst & Young e membro do CORES – Comitê de Responsabilidade Social, da FIESP.