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Participação da Indústria de Transformação no PIB: 1947-2014


Em março de 2015, o IBGE realizou alterações no cálculo do PIB para melhor adequá-lo aos padrões internacionais. Com isso, também alterou-se o cálculo do valor adicionado da Indústria de Transformação e sua consequente participação no PIB total. Assim, a participação da Indústria de Transformação no PIB atingiu 10,9% em 2014.

Devido a esta e a anteriores alterações no cálculo do PIB, perdemos a comparabilidade dos valores mais atuais com valores mais antigos. Para permitir o acompanhamento da participação da Indústria de Transformação no PIB desde 1947 até 2014, fizemos uma correção dos valores anteriores, o que permitiu o encadeamento da série desde aquele ano, o que não era possível com os valores disponibilizados pelo próprio IBGE. O encadeamento da série desde 1947 foi feito usando como referência o artigo de Bonelli e Pessoa “Desindustrialização no Brasil: um resumo da evidência” de 2010.

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Desta forma, o valor para 2014 (10,9%) é o menor da série, mesmo quando analisamos esta série mais longa, o que traz à discussão a precoce desindustrialização no Brasil.

O processo de desindustrialização no Brasil iniciou-se nas décadas de 1980 e 1990, mas ganhou força no período após a Crise Financeira Internacional de 2008 e 2009. Neste período, a indústria brasileira enfrentou a redução do preço relativo dos bens manufaturados, que também levou à perda de participação da indústria em diversos países, além a concorrência mais acirrada com produtos importados (especialmente da China) e o descolamento entre os aumentos dos salários reais e da produtividade da mão de obra do setor.

O processo de desindustrialização em países desenvolvidos esteve associado ao aumento do emprego de alta produtividade e à elevada qualificação da mão de obra na indústria, permitindo a transferência de trabalhadores para os outros setores da economia. Já no caso do Brasil, o processo de desindustrialização esteve associado a uma expressiva deterioração da balança comercial de manufaturados, à baixa intensidade tecnológica da pauta exportadora e à menor produtividade total da economia, o que o torna nocivo à economia brasileira.

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