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Nota de esclarecimento – Pegada hidrica e governança do uso da água


Pegada hídrica, em sentido mais elementar, refere-se à quantidade de água necessária para se produzir um determinado bem, no caso do setor produtivo, considerando toda a cadeia produtiva, como por exemplo, quantos litros de água são necessários para se produzir uma tonelada de aço. Da mesma forma é considerada para se quantificar as necessidades de água para a produção de alimentos, para uso sanitário e demais usos da água.

Mas dependendo do fórum de discussão, pode também ser considerada para se avaliar a governança da água pelos segmentos usuários, ou seja, para se avaliar se um determinado setor ou atividade está utilizando a água de forma racional e eficiente, sem desperdícios ou perdas.

A FIESP está acompanhando todo o processo de discussão e elaboração destas métricas, pois reconhece a importância do tema, tanto assim que fomenta a adoção de programas de conservação e reúso de água pelo setor industrial, por meio de inúmeras ações, dentre as quais a elaboração de manuais de boas práticas e do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso.

O relatório recente do Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, 2010) denominado “Water for business – Initiatives guiding sustainable water management in the private sector” apresenta dezenove (19) iniciativas relacionadas às métricas e governança da água.  Dentre elas, a metodologia da pegada hídrica proposta pela Water Footprint Network (WFN) e a norma de pegada hídrica – ISO 14.046 que está em fase de elaboração.

Observa-se, no entanto, que estas métricas ainda estão em fase de desenvolvimento e são de grande complexidade, o que requer processos estruturados de discussão e construção.

Os principiais aspectos que precisam ser considerados na abordagem deste tema são:

  • Proliferação de iniciativas;
  • Falta de conceitos e critérios comuns;
  • Fragilidades nos conceitos básicos e na avaliação e quantificação dos impactos associados ao uso da água;
  • A ausência de análise da disponibilidade hídrica no cômputo da pegada hídrica : Como considerar as condições locais;
  • Ausência de dados locais (quali-quantitativos);
  • Como usar estes dados e comunicar a “pegada hídrica” sem que estejam definidos padrões mínimos (a metodologia ainda não está consolidada);
  • Será possível usar a pegada hídrica para afirmações comparativas de produtos?

Sendo assim, entende-se que qualquer discussão sobre a pegada hídrica deve começar pelo simples – que é a padronização das métricas associadas ao uso da água nos processos produtivos – requisito fundamental para que seja possível evoluir para sistemas mais complexos com perspectiva de ciclo de vida e quantificação de impactos.

Saiba mais em:
pegada_hidrica_setor_industrial.pdf

Atenciosamente,

Nelson Pereira dos Reis
Diretor Titular
Departamento de Meio Ambiente da Fiesp