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Geração Economia Verde


por José Valverde Machado Filho

Empreender a partir de uma identidade empresarial moderna, fundamentada na ética e no comprometimento tem orientado as iniciativas do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao longo de sua existência e no cotidiano de suas ações.

A profética frase de que “o Brasil é um país do futuro” se cumpre em nossa geração. Seja nos Congressos que anualmente realizamos, nas reuniões ordinárias ou nas demais atividades que promovemos, o princípio do desenvolvimento sustentável tem merecido acentuado destaque e, inequivocamente, nos apontado o caminho sem volta rumo à Economia verde.

A sintonia com as tendências e a capacidade criadora dos nossos empreendedores serão decisivas para acelerar o processo de transição dos atuais padrões de produção e consumo. Produção Mais Limpa e consumo sustentável são conceitos essenciais para embasar uma nova economia.

Temos afirmado e estabelecido a pauta do empreendedorismo a partir da plena coexistência do meio ambiente ecologicamente equilibrado e o desenvolvimento econômico.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a economia verde pode ser considerada como tendo baixa emissão de carbono, é eficiente em seu uso de recursos e socialmente inclusiva.

No relatório intitulado Rumo a uma Economia verde – caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Pobreza, o (Pnuma) apresenta argumentos econômicos e sociais convincentes aos “tomadores de decisão” para o investimento de 2% do PIB mundial em face do “esverdeamento” de 10 setores estratégicos da economia global.

O estudo desafia líderes políticos mundiais, lideranças empresariais e a sociedade a trabalharem juntas nessa transição.

Essa mudança de eixos terá no empreendedor, sobretudo no jovem empreendedor, um protagonismo incumbido de conceber os “negócios sustentáveis” – novas idéias e negócios que se coadunam com os conceitos da sustentabilidade. Os negócios sustentáveis se mostram promissores e com um ampliado leque de setores e segmentos. Estão diante do empreendedor, para que este com criatividade identifique oportunidades e possa delas se valer. Nesse sentido, a inovação tecnológica é indissociável da sustentabilidade, para a viabilidade de avanços e da consolidação da economia de baixo carbono. Contudo, temos um considerável gargalo.

Diferentemente de países como Japão, que investe 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB), e EUA, 2,7%, o Brasil aplica cerca de 1% do (PIB) em inovação. Isso precisa ser mudado, sob pena inibir os empreendedores e comprometer a competitividade no mercado internacional. Especialistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e China apontam energia e meio ambiente como áreas que mais devem gerar projetos inovadores nos próximos anos.

Os instintos aguçados dos empreendedores, aliados ao dom de transformar ideias em produtos e serviços, encontram terreno fértil, um robusto mercado em franco crescimento, especialmente para o que denominamos tecnologias verdes: para a geração e gestão de energia, o tratamento e a racionalização dos recursos hídricos, a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos, o controle da poluição e das emissões dos gases de efeito estufa e do acesso à biodiversidade.
Vinte anos depois da “ECO-92”, o mundo se volta para o Brasil e esses temas, entre outros, serão profundamente debatidos.

E isso se dará de maneira destacada na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (“Rio + 20), em junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro. Dois serão os temas centrais: “Economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza” e “A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável”. O que estará na pauta das discussões dos cerca de 200 chefes de Estado? Não haverá espaço para sectarismo, tampouco para os que apostam puramente em um evento “ambientalista” e buscam desde cedo ignorar que o ponto central estará na procura de consenso para se estabelecer os parâmetros de um modelo de desenvolvimento do planeta para as próximas décadas.

A sintonia com as tendências e a capacidade criadora dos nossos empreendedores serão decisivas para acelerar o processo de transição dos atuais padrões de produção e consumo. Produção Mais Limpa e consumo sustentável são conceitos essenciais para embasar uma nova economia. Cresce a percepção da sociedade no tocante a escassez dos recursos naturais, bem como o aumento da poluição e degradação ambiental. E que as consequências poderão afetá-las, direta ou indiretamente. As pequenas e médias empresas se ressentem da ausência de políticas públicas voltadas para a incorporação de tecnologias e conceitos de sustentabilidade.

Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que 58% das companhias não têm nenhum conhecimento sobre sustentabilidade. Ainda neste século, caberá em especial, aos jovens empreendedores brasileiros a internalização das premissas da economia verde. E com isso colocar o Brasil na vanguarda do crescimento econômico, como referência na preservação do meio ambiente e promovedor de justiça social.