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Entrevista: Women in Ashrae e o setor de AVAC&R


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Por Karen Pegorari Silveira

A brasileira Viviane Nunes fala sobre o trabalho de fomento a equidade de gênero que vem realizando no país, desde 2018, no mercado de AVAC&R (Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração) como presidente do comitê Women In Ashrae, da associação americana e diretora executiva do sindicato das indústrias do setor, Sindratar-SP.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Por que as empresas do setor de AVAC&R brasileiras precisam entender sobre equidade de gênero? Qual o impacto deste tema neste segmento?

Viviane Nunes – A equidade de gênero é extremamente importante. A empresa é uma micro sociedade e precisa ter uma política de inclusão. De certa feita, também educa as pessoas e é responsável por desenvolver políticas para tal. Seres humanos incluídos rendem mais do que aqueles que se sentem fora do contexto. A empresa com visão, voltada à equidade de gênero, bem como, todo tipo de inclusão precisa agrupar as pessoas que não são semelhantes, pois todas têm capacidades e competências diferentes. E esta visão reflete no lucro da empresa.  Como exemplo, cito a GHS, empresa atuante do setor, composta de 50% de ambos os sexos.

Qual o papel da Ashrae na inserção deste debate nas organizações? Como tem sido feito este trabalho no Brasil e no exterior?

Viviane Nunes – O mercado de AVACR (Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração) tem sido, ao longo dos anos, potencialmente formado por homens em sua maioria. Nesse sentido, a promoção do debate abre espaço, mostrando que é possível a atuação feminina no setor.

O papel da ASHRAE, por meio do Women in ASHRAE (WIA) – Mulheres na ASHRAE –  é incentivar profissionalmente as mulheres que atuam no setor de climatização e refrigeração, independentemente de sua área de atuação.  A proposta é expandir as habilidades de liderança feminina e apoiar a permanência das mulheres neste mercado de trabalho. Entre as ações do WIA no Brasil estão:

– Identificar as mulheres do setor, em seus diversos cargos: estagiária, profissional de produção, técnica, engenheira, projetista, executiva, gestora, administradora, jornalista, entre outros;

– Contribuir com as empresas do setor para aumentar a participação feminina na indústria de climatização e refrigeração, identificando profissionais da área;

– Discutir temas relacionados à presença feminina no setor;

– Realizar eventos que contribuam para o desenvolvimento profissional da mulher deste setor.

Em sua opinião quais as primeiras iniciativas viáveis para implementação de políticas e ações sobre equidade de gênero neste setor?

Viviane Nunes – Algumas empresas do setor são seguidoras dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – da ONU, em especial da meta número 5, que tem como objetivo eliminar as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas, garantindo a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para liderança, em todos os níveis de tomada de decisão, na vida política econômica e pública. Uma das empresas é a Trane, que desenvolve um papel importante e pretende ter 50% de mulheres em seus postos de comando. Com o apoio do SINDRATAR-SP e do Conselho Nacional de Climatização e Refrigeração, estamos mapeando as mulheres do setor, por meio de pesquisas, incentivando as fábricas, instaladoras e demais empresas do setor a expandir estas políticas e incentivos nas contratações. A Star Center Service foi a primeira empesa do setor a ter uma equipe de manutenção formada apenas por mulheres.  A Full Gauge, fabricante de controles para automação de AVACR, tem mais de 60% de mulheres em seu quadro de funcionários. E, conforme vamos trabalhando, vamos descobrindo o que as empresas estão desenvolvendo e aplicando. A primeira mulher a ser reconhecida no setor, por ligar uma central de água gelada, que demanda conhecimento e técnica foi Carmosinda Santos, que hoje está à frente de várias ações em prol das mulheres.

Como lideranças empresariais do segmento e os profissionais da área estão lidando com a questão? 

Viviane Nunes – Muitas lideranças estão mantendo o pensamento homogêneo, de forma a eliminar o preconceito e abrindo espaço para vagas, desde que as pessoas tenham capacidade técnica e produtiva, esquecendo a questão de gênero. Deve-se manter uma política de remuneração igualitária, por função e produtividade. Também é preciso manter uma estrutura física que possibilite a atuação feminina como: banheiros, vestuários, além de EPI com tamanhos adequados. É importante também manter dentro dos valores organizacionais uma política de incentivo à convivência entre os gêneros, que possibilite a harmonia entre os pares, que atuam num mesmo time, visando o crescimento de todos. A mulher precisa ser vista de forma qualitativa e agregadora.

O que as empresas têm a ganhar com o equilíbrio entre homens e mulheres no quadro de funcionários, nas posições de liderança, na política salarial e oportunidades de carreira?

Viviane Nunes – De acordo com o relatório da OIT – Organização Internacional do Trabalho, de maio deste ano – Mulheres na Gestão Empresarial: argumentos para uma mudança, baseado em pesquisa em 70 países, com mais de 13 mil empresas, iniciativas em favor da diversidade de gênero têm melhor rendimento nos negócios. Quase três, entre quatro empresas, disseram ter aumentado entre 5% e 20% seu lucro. A diversidade de gênero é agregadora e torna o ambiente inovador. Quanto mais pontos de vistas diferentes, melhor para, por exemplo, resolver problemas.