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Entrevista: Responsabilidade compartilhada na gestão de resíduos


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Por Karen Pegorari Silveira

A ABIHPEC vem acompanhando há alguns anos e discutindo em diferentes fóruns a questão da gestão dos resíduos sólidos urbanos e tem defendido sempre que a responsabilidade pela coleta das embalagens pós-consumo deve ser compartilhada entre todos: o poder público, a indústria (toda a cadeia produtiva), o comércio e o consumidor.

Nesta entrevista a diretora de Meio Ambiente da entidade, Rose Hernandes, conta um pouco mais sobre este trabalho.

Leia na íntegra:

Entre os projetos desenvolvidos pela ABIHPEC, nos chamou atenção o programa Dê a Mão para o Futuro. Como é realizado este trabalho, qual seu objetivo e eixo de atuação?

Rose Hernandes – Desde 2006, a ABIHPEC, consciente da necessidade de buscar soluções para a questão das embalagens pós-consumo e empenhada em contribuir para o incremento dos índices de reciclagem no Brasil, oferece às empresas o “Dê a Mão para o Futuro: Reciclagem, Trabalho e Renda”, que foi desenvolvido como uma alternativa viável para suas associadas no gerenciamento de resíduos sólidos pós-consumo.

O programa, que hoje é referência em responsabilidade compartilhada, conta com a parceria de outras duas entidades, ABIPLA e ABIMAPI.

As cooperativas apoiadas pelo “Dê a Mão para o Futuro” recebem investimentos em máquinas, equipamentos, adequação de infraestrutura, além de capacitações sobre administração de negócios, especialmente nos aspectos administrativo, produtivo e comercial.

Os investimentos propiciam que as cooperativas atuem em redes de comercialização, de modo a atingir escala e, assim, comercializarem os seus resíduos diretamente à indústria recicladora.

O “Dê a Mão para o Futuro” também realiza ações de divulgação, buscando engajar a sociedade em relação à correta destinação de resíduos sólidos urbanos por meio de campanhas de conscientização nos municípios em que atua. Além da divulgação porta a porta, o programa investirá, ainda em 2019, em plataformas digitais.

Além de apoiar as empresas no atendimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, esta iniciativa tem um grande impacto social. Poderia comentar sobre este impacto?

Rose Hernandes – Com as ações que são realizadas pelo “Dê a Mão para o Futuro”, as cooperativas são capazes de destinar uma quantidade cada vez maior de resíduos para a reciclagem, o que se reflete em maior geração de trabalho e renda, além de melhoria da qualidade de vida dos catadores e catadoras e de suas famílias.

Como acontecem as ações de caráter social neste programa?

Rose Hernandes – As ações do programa “Dê a Mão para o Futuro” proporcionam que as cooperativas se estruturem e cresçam como um negócio (solidário). A partir disto, elas se tornam aptas a entrar no mercado de coleta seletiva, oferecendo seus serviços às prefeituras, condomínios e empresas.

Quanto mais as cooperativas evoluem, maior a sua capacidade de agregar novas oportunidades de trabalho e de aumentar a renda de seus cooperados e cooperadas.

Importante também salientar que a divulgação na rota das cooperativas com a participação dos catadores, oferece a este profissional uma visibilidade positiva e ativa perante os munícipes.

Quantas pessoas já foram impactadas desde o início do programa e quais são os resultados até o momento?

Rose Hernandes – Até o fim de 2019 prevemos beneficiar, diretamente, aproximadamente 5 mil catadores e catadoras e suas famílias com as ações do programa “Dê a Mão para o Futuro”, que estarão divididas em 164 cooperativas apoiadas, localizadas em 109 municípios de 21 estados brasileiros.

Quantas empresas já aderiram ao Dê a Mão para o Futuro e quais os resultados obtidos? 

Rose Hernandes – Atualmente, o programa “Dê a Mão para o Futuro” conta com mais de 200 empresas participantes. Os principais resultados são:

1- Cumprimento da meta estabelecida no Acordo Setorial de Embalagens, que reúne entidades de diversos setores da economia, entre elas a ABIHPEC, em prol da logística reversa.

2 – Atendimento a todas as legislações vigentes em níveis federal, estadual e municipal;

3 – Renovação das licenças de funcionamento das unidades fabris no estado de São Paulo, em cumprimento à Decisão de Diretoria da CETESB nº 076/2018;

4 – Exclusão de todas as Ações Civis Públicas, resultando no reconhecimento legal do programa.