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Entrevista: Promoção da Saúde no Ambiente de Trabalho


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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com Paulo Itapura de Miranda, membro do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, médico do trabalho e diretor de Sustentabilidade da indústria Clariant, para entender a conexão da Sustentabilidade com a Saúde do Trabalhador.

Para ele, ações de promoção de saúde e prevenção de doenças são um papel social que as empresas podem desempenhar.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Por que é importante que as empresas promovam a saúde no ambiente de trabalho?

Paulo Itapura – A promoção de saúde nas empresas tem um impacto bastante interessante para os empregados e para as empresas. As ações são peças de atração e retenção de talentos dentro das organizações porque evidenciam um cuidado e atenção por parte das empresas para com seus funcionários. Isso humaniza o ambiente de trabalho fazendo com que as pessoas se sintam cuidados. Para as empresas, estas ações previnem impactos em performance e desengajamento de seus funcionários. A promoção de saúde previne ocorrências que impactam em tempo de disponibilidade para o trabalho ou custos com tratamento. Ações de promoção de saúde e prevenção de doenças são, um papel social que as empresas podem desempenhar o que reverte em um impacto positivo em sua reputação.

Quais ações não podem faltar em um plano de promoção da saúde do trabalhador?

Paulo Itapura – Para a boa implantação de um plano é muito importante que se inicie com um engajamento da liderança sobre a importância deste tópico. A seguir fazer um diagnóstico do perfil de saúde da população com coleta de dados sobre a população de interesse, desde idade, sexo, distribuição geográfica e condições de saúde pré-existentes. A conexão e engajamento dos trabalhadores nas ações do plano é muito importe, assim, o plano deve ser ajustado à cultura da empresa e dos funcionários.

Para empresas de pequeno e micro porte também é possível incluir práticas que melhorem a saúde de seus colaboradores? Quais ações você indica?

Paulo Itapura – Para as pequenas e microempresas a promoção de saúde também é muito importante levando-se em conta o diagnóstico e características da população de interesse, conforme já explorei anteriormente. É importante ressaltar que para as pequenas e microempresas, o impacto de um problema de saúde entre seus funcionários pode ser proporcional muito mais relevante em perda de disponibilidade do funcionário, assim como, custos associados a um possível tratamento de saúde.

Quais os desafios para as empresas e para os colaboradores?

Paulo Itapura – Os benefícios de um programa de promoção de saúde são percebidos no médio e longo prazos, porém existe um investimento de tempo, dedicação e de recursos desde o início. Assim, o maior desafio é manter o programa pôr o programa como algo sustentado ao longo do tempo, tanto para as empresas como para os colaboradores.

Como medir os resultados e o impacto das ações?

Paulo Itapura – Para medir os resultados o ideal é estabelecer os indicadores que façam sentido para a organização de acordo com os achados encontrados na fase de diagnóstico. Por exemplo: número de fumantes; número de sedentários; número de obesos; número de hipertensos.

Quais as tendências mundiais na área de saúde ocupacional? O Brasil está alinhado com estas iniciativas?

Paulo Itapura – Entre as tendências da área de saúde ocupacional é importante destacar ações de abordagem integral da saúde de colaboradores. É uma forma de fazer gestão de saúde com dados oriundos de diversas fontes como exames ocupacionais, dados de utilização de planos de saúde, dados de recursos humanos. Este conjunto de dados proporciona um conjunto valioso de informações que servirá de base para a montagem de programa de promoção de saúde e tem sido cada vez mais utilizado pelas empresas para a gestão deste assunto. O Brasil está alinhado com esta tendência ainda que temos várias oportunidades e desafios pela frente.