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Entrevista: Organização Internacional de Saúde Mental


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Por Alberto Ogata (com apoio de Karen Pegorari)

Vice-presidente sênior da Morneau Shepell, empresa canadense de bem-estar global, comenta sobre os desafios e oportunidades para as empresas neste momento de incertezas e profundas mudanças que estamos vivendo.

Para ela, depois da pandemia as organizações perceberão com mais clareza o quão importante é o apoio à saúde mental em uma base contínua para seus negócios.

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Desde o início da pandemia, em 2020, estamos vivendo tempos de grande incerteza e mudanças profundas. Como líder de uma empresa internacional, como a Morneau Shepell, como você observa este momento e quais seriam os principais desafios e oportunidades para as organizações?

Paula Allen – A pandemia foi traumática para muitos. O impulsionador mais significativo disso foi a incerteza financeira criada. Acrescente a isso as muitas mudanças como a falta de alternativas para aliviar o estresse com as situações sociais e as atividades e o fardo de precisar se adaptar e tomar muitas novas decisões e vemos toda uma população com maior risco de comprometimento na saúde mental. Os dados da pesquisa internacional denominada Mental Health Index ™ da empresa global Morneau Shepell mostram que a proporção da população com alto risco de problemas de saúde mental dobrou em comparação com 2019 e agora é de uma em cada três pessoas nos Estados Unidos e Canadá. Aqueles que eram mais vulneráveis ​​antes da pandemia vivenciaram uma crise quando a pandemia ocorreu, aqueles com risco moderado tiveram esse risco intensificado e aqueles que tinham menor risco sofrem com mais tensões e exaustão emocional.

As organizações nunca se preocuparam tanto com a saúde mental e o bem-estar de suas pessoas. Isso é bom, e as ações que algumas organizações realizaram para apoiar seu pessoal fizeram a diferença. Acredito que depois da pandemia, as organizações perceberão com mais clareza o quão importante é o apoio à saúde mental em uma base contínua para seus negócios, dada a importância de garantir a continuidade dos negócios durante a pandemia.

A Morneau Shepell realiza pesquisas periódicas (Mental Health Index) sobre a questão da saúde mental em diferentes países. Qual é a sua percepção sobre as tendências em relação aos profissionais e como são as melhores experiências neste campo? Quais seriam os maiores desafios?

Paula Allen – Nosso Índice de Saúde Mental mostrou declínio significativo em todos os aspectos da saúde mental. Também observamos um nível de gravidade maior nos funcionários que buscaram apoio do serviço de EAP (Programa de Apoio ao Empregado). Isso aumentou a pressão sobre nossos profissionais que atuam no suporte (conselheiros), mas também aprimorou o apoio colaborativo entre eles. Esse suporte social e profissional tem sido fundamental para o bem-estar desses profissionais. Os maiores desafios no futuro serão o acúmulo de pessoas que precisam de apoio agora, mas postergaram a busca de ajuda durante a pandemia. Nosso Índice de Saúde Mental mostra que um em cada quatro indivíduos tem menos probabilidade de buscar suporte de saúde mental neste momento do que em 2019, mesmo com o aumento da necessidade. Aqueles que procuram atendimento têm maior probabilidade de entrar em crise, e aqueles que relutam em procurar atendimento agora, provavelmente estarão em crise posteriormente.

Os determinantes sociais de saúde, a polarização política, o racismo estrutural estão tendo grandes impactos na vida das pessoas. Acredita que tais fatores agravaram o impacto na saúde mental dos profissionais durante a pandemia?

Paula Allen – As pressões e o risco de pandemia mostraram-nos onde éramos mais fortes e onde somos mais vulneráveis. Os determinantes sociais da saúde diferenciaram fortemente as pessoas e como a pandemia as impactou. Isso deixou nossa fraqueza muito clara e ampliou várias vezes o impacto da pandemia para alguns. Também mostrou a forte correlação entre os determinantes sociais mentais e físicos da saúde.

Como você acredita que o “S” do modelo ESG está impactando a visão dos investidores? Acredita que eles estão mais atentos às empresas que cuidam da saúde e do bem-estar dos colaboradores e na comunidade?

Paula Allen – O “S” está emergindo como a principal área de enfoque neste momento. Essa tendência começou antes da pandemia e se acelerou como resultado da pandemia. Há várias razões para isso. 1. A pandemia tornou o público em geral mais atento à forma como os negócios tratam suas pessoas. As pessoas não esquecem o comportamento em uma crise. Isso afetará sua fidelização com relação a marcas e empresas. 2. Os investidores também estão muito mais sintonizados com a resiliência como um recurso a ser procurado nos negócios. Essa resiliência inclui quão bem os funcionários podem enfrentar as adversidades e o que a empresa está fazendo para suportar isso. A resiliência do pessoal de uma organização impacta seu serviço aos clientes, criatividade e produtividade, todos impactando o desempenho dos negócios. 3. Além disso, as organizações que apoiam melhor seus funcionários simplesmente fazem melhor.

O uso crescente da inteligência artificial levou a prestação de serviços de saúde a outro nível, seja na melhoria dos procedimentos clínicos e hospitalares, bem como na geração e tratamento de dados em larga escala. Como você vê permitindo ganhos de qualidade e eficiência em tratamentos e cuidados com os pacientes. Como você acha que a inteligência artificial pode ajudar a prevenir e tratar a saúde mental em grande escala?

Paula Allen – Eu acho que há uma grande oportunidade para uma resposta mais precisa às muitas condições de saúde mental e muitas expressões de condições relacionadas a ela. Eu realmente acho que a falta dessa precisão é um problema significativo agora – duas pessoas com depressão podem ter diferentes fatores de risco, resposta geneticamente direcionada à medicação, bem como diferentes recursos pessoais e sociais, mas tendem a ser tratadas de maneira muito semelhante, dado o mesmo diagnóstico. Isso aumenta as chances de uma resposta inadequada. Dados e análises são essenciais para o avanço dos cuidados de saúde mental no tratamento. Acho que mudar o curso das experiências de um indivíduo (determinantes sociais da saúde mental) é mais complexo. Esses determinantes também impactarão a sustentabilidade da recuperação. Isso dito, a inteligência artificial a este respeito oferecerá algum benefício e deve ser explorado.