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Entrevista: ESG na Prática


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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com Itali Pedroni Collini, diretora de Estratégia e Inovação da 500 Startups Brasil, para entender como funcionam os sistemas de classificação de risco ESG e obter dicas para as empresas que desejam introduzir práticas ESG e receber investimento.

Para ela, o Brasil ainda precisa avançar na implementação de uma governança sobre impacto ESG com velocidade maior ainda se quisermos reduzir as chances de catástrofes climáticas.

Veja a entrevista na íntegra:

Os sistemas de classificação de risco ESG são uma forma de tentar medir o quão aderente uma empresa é às boas práticas ambientais, sociais e de governança. Na prática, você acredita que as companhias nacionais que estão bem avaliadas nesses sistemas estão realmente engajadas com os critérios ESG? Por quê?

Itali Pedroni – Companhias geralmente bem-posicionadas nos rankings ESG costumam ter uma liderança historicamente alinhada com sustentabilidade, como a Natura com Guilherme Leal, ou estar adaptando seu modelo de negócio às tendências do século 21, como a AmBev que planejou zerar as emissões de carbono em sua cadeia de valor até 2040. Embora essas classificações ajudem a entender as boas práticas das grandes empresas, por outro lado não capturam tão bem o comportamento do mercado de pequenas e médias indústrias, que encontram mais dificuldade em começar a jornada de mensuração e adaptação a critérios ESG. Além disso, com a popularização do tema, há também a diluição de seu significado e empresas que acreditam estar de uma onda a ser surfada e não de uma mudança estrutural no modo como geramos riqueza.

O que você acredita que ainda falta nas empresas nacionais para que elas se engajem genuinamente e se beneficiem das práticas ESG?

Itali Pedroni – Acredito que falta um debate mais aprofundado sobre práticas ESG e sobre a responsabilidade que cada empresário carrega quando decide gerar riqueza a partir de métodos destrutivos para seu entorno. Indo além do debate, falta devida precificação do custo do impacto socioambiental negativo, não sustentável precisa ser custoso para as empresas, e incentivo para quem se coloca à disposição da transição, com mais linhas de crédito específicas para empresas que querem acelerar em metas sustentáveis.

Sua experiência como diretora na 500 startups mudou seu olhar sobre a governança das empresas no país?

Itali Pedroni – Na 500 pude entender o que funciona e o que não funciona em relação à governança de startups, porque afinal é necessário que o nível de mensuração e reporting seja adaptado a cada fase de desenvolvimento de um negócio. Trouxe comigo também a experiência de análise ESG de quando trabalhei na SITAWI, com projetos tanto para finanças sustentáveis quando investimento de impacto.

Vejo o Brasil avançar na implementação de uma governança sobre impacto ESG, mas precisamos de uma velocidade maior ainda se quisermos reduzir as chances de catástrofes climáticas

Qual dica você daria para os (as) empresários (as) brasileiro (as) que desejam introduzir práticas ESG e receber investimento?

Itali Pedroni – A primeira dica é buscar entender os fundamentos da transição que está sendo proposta, como porque se busca reduzir a emissão de carbono e porque as empresas têm criado ações afirmativas. Existe uma mudança de paradigma em curso e ela traz incômodo, mas também uma oportunidade de desenhar um outro futuro.

A segunda dica é aprender com empresas que já implementaram políticas ESG e passaram por erros que podem ser evitados, também por acertos desejados.

A terceira dica é focar em entender a vocação da sua empresa dentro do contexto dela, você deve se perguntas coisas como “qual comunidade de pessoas faz parte da minha empresa e arredores? Que tipo de energia utilizo e quais seriam as outras opções? Como monitoro se minha cadeia de fornecedores oferece algum risco ESG?”. Esse processo vai te ajudar a gerar ideias de projetos e políticas que façam sentido com seu orçamento e o estágio de desenvolvimento.

A quarta dica é se preparar e preparar a liderança da sua empresa para entender, explicar e defender a transição dentro da empresa, alinhando incentivos ao atrelar metas ESG à remuneração e/ou benefícios.

A quinta dica é começar pequeno e barato, focando mais em aprender que mudanças geram impacto socioambiental positivo na sua empresa do que publicizar o que ela está fazendo desde o dia zero. Quando uma empresa entende que a adoção de critérios ESG faz parte de uma mudança estrutural, ela passa a agir consistentemente na redução do impacto negativo ou no aumento do impacto positivo.

A sexta e última dica é buscar investidores interessados na pauta ESG e pedir feedback sobre suas ideias e projetos para transição. Além de ter um olhar especializado sobre o assunto, você pode mantê-los em contato sobre sua captação de investimento.