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Entrevista: Pesquisas indicam tendências para o setor de alimentação


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Por Karen Pegorari Silveira

Nesta edição, conversamos com o Instituto Ipsos, terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo para conhecer os resultados de estudos sobre o mercado de alimentação no Brasil.

De acordo com Diego Pagura, Chief Client Officer da Ipsos, o Brasil está mudando, as oportunidades proliferam alinhadas às tendências mundiais em alimentação e este novo cenário exige uma absoluta empatia da empresa e produtores para com o consumidor.

Leia mais na íntegra da entrevista:

De acordo com pesquisas da Ipsos, quais foram as principais mudanças nos hábitos alimentares da população brasileira nos últimos anos?

Diego Pagura – As principais mudanças que observamos têm como base algumas das motivações humanas que estão presentes na maioria dos brasileiros. Uma delas é muito simples e, ao mesmo tempo, relevante: a busca da felicidade. Nossos estudos indicam que, para 65% dos brasileiros, a principal fonte de felicidade é a boa saúde e o bem-estar. Analisando os nossos mais recentes aprendizados sobre hábitos alimentares, não há dúvida de que existe uma busca consciente por uma alimentação mais saudável. Esta busca se evidencia em dois comportamentos: 1) na alta proporção de pessoas que têm aderido a dietas ultimamente (6 de 10) e 2) nas mudanças no estilo de alimentação, no que se refere ao tipo de dieta e no consumo de proteínas animais ou vegetais, assim como o consumo de açúcar, sódio e gorduras.

Como essas mudanças vem impactando as indústrias de alimentos, segundo os estudos realizados?

Diego Pagura – A indústria de alimentos está sendo afetada em vários aspectos. Por um lado, temos os pontos de vista dos profissionais de alimentação, que estão demandado muito mais. Por outro, temos as próprias grandes empresas de alimentos e as redes de restaurantes que têm encontrado caminhos inovadores para atender a essas novas demandas. E, por fim, temos também os pequenos produtores e startups, que têm conseguido atender às demandas que hoje são representadas por nichos, mas que mostram crescimentos exponencias no consumo de alimentos.

Os estudos do Instituto apontam um novo caminho para o setor de alimentos no país?

Diego Pagura – Sem dúvidas. O Brasil está mudando, e as oportunidades proliferam, alinhadas às tendências mundiais. Um exemplo: o número de vegetarianos e veganos vem crescendo no longo dos últimos anos no Brasil. Embora a maior parte da população brasileira, hoje, consuma proteína animal (8 em cada 10), já temos 1 em cada 20 pessoas que tem diminuído ou eliminado o consumo de proteína animal no último ano (ou seja, que tem passado para regime vegetariano, vegano ou flexitariano). Isto impacta não apenas na busca por alimentos que substituam diretamente essas proteínas, mas também na busca por produtos industrializados que forneçam, em suas composições, maiores quantidades de proteína. Também aumenta a expectativa por ofertas vegetarianas nos cardápios dos restaurantes, algo que ainda apresenta um grande espaço a ser explorado.

Com base nas informações das pesquisas e estudos, você acredita que este novo cenário proporciona oportunidades para o setor? Quais?

Diego Pagura – Este novo cenário exige uma absoluta empatia da empresa e produtores com o consumidor. Esta é a chave de valor agregado. Porém, as oportunidades estão sendo subaproveitadas, e isso se vê refletido nas expectativas dos consumidores: os brasileiros acreditam que o custo dos alimentos que consomem irá piorar (41%), que a qualidade irá melhorar (38%) e que terão mais acesso a produtos saudáveis (42%). As empresas que conseguirem achar a chave da empatia para entregar os alimentos desejados a preços justos, serão as vencedoras.

Em sua opinião como as pequenas indústrias de alimentos podem se preparar para ganhar competitividade?

Diego Pagura – Pequenas indústrias de alimentos têm uma oportunidade única. Os hábitos de preparação de alimentos dos brasileiros estão mudando. 1 em cada 3 brasileiros (36%) afirma que irá preparar mais refeições em casa. A soma dessa demanda existente à facilidade de conexão com consumidor de hoje, através de redes sociais, e os mais inovadores canais de vendas e distribuição, podem fazer do negócio de uma pequena indústria um grande sucesso.