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Entrevista: Responsabilidade Social como Diferencial Competitivo


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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com a vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp, Grácia Fragalá, para saber como a Responsabilidade Social Empresarial pode ajudar as empresas a melhorar sua competitividade, aumentar as vendas e gerar valor para a sociedade.

Para ela, o modo de fazer negócio mudou e cada vez mais as empresas precisarão conectar-se de forma ética, transparente e sustentável com seus públicos de relacionamento, mesmo que seja com pequenas ações.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Como a Responsabilidade Social pode ajudar empresas a melhorar a competitividade e aumentar vendas?

Grácia Fragalá – O Fórum Econômico Mundial, evento que reuniu 3 mil líderes globais em Davos, na Suíça, recentemente, nos trouxe muitas reflexões. Uma delas, a principal na minha opinião, lançada pelo idealizador do Fórum, Klaus Schwab, diz que o atual modo de fazer negócios, voltado para obtenção de lucros de curto prazo está ultrapassado e se os empresários não fizerem mudanças espontaneamente, eles acabarão sendo forçados a isso por seus funcionários e clientes. Essa fala nos mostra que é preciso repensar os negócios para acompanhar as exigências dos consumidores se desejarmos nos manter competitivos. Ideia que o grande especialista em Marketing, Philip Kotler, concorda e inclui em seu livro Marketing 3.0. De acordo com Kotler estamos na era do Marketing Social – centrado em valores e, além da venda que satisfaça o consumidor, o negócio precisa ter um propósito maior: o de transformar o mundo em um lugar melhor. Segundo ele, mais do que passar uma imagem de empresa com engajamento social, as marcas precisam ter enraizadas em sua identidade o DNA social, mostrando integridade e autenticidade em suas ações.

A empresa que entender esse novo conceito de atender necessidades dos consumidores com transparência e responsabilidade terão uma imagem sólida, que agrega valor a seus clientes. E isso só é conquistado através de investimentos e esforços contínuos. Marcas que se preocupam em aumentar sua capacidade de gerar impactos positivos na sociedade, transcendem a filantropia e passam a exercer a Responsabilidade Social.

É possível aplicá-la em negócios de micro e pequeno porte também, sem que aumente os custos?

Grácia Fragalá – Sem dúvida. Os primeiros passos para ter um negócio socialmente responsável e agregar valor a ele é identificar os valores do seu público de relacionamento (consumidor, comunidade, fornecedores e etc.) e da sua própria empresa, mapear o que faz sentido para o negócio.

Mas é importante saber que os negócios de micro e pequeno porte geram a maior parte dos primeiros empregos no Brasil – ao dar acesso ao trabalho para jovens, proporcionar a capacitação e formação para o trabalho, as empresas estão contribuindo para o atingimento de um dos importantes objetivos do desenvolvimento sustentável – ODS 8: “…reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação”. As empresas já realizam várias ações cotidianamente e não consideram que já estão praticando responsabilidade social.

Ao responsabilizar-se pelos impactos de suas decisões, ao adotar transparência nas informações, valorizar honestidade e integridade, ouvir, considerar e responder aos interessados também estão atuando com Responsabilidade Social. São valores e atitudes, possíveis de cumprir, sem custos, mas com grandes impactos.

Você afirma que muitas empresas já praticam Responsabilidade Social com pequenas iniciativas e não consideram. Você poderia citar quais ações fazem parte do escopo de RS e que podem melhorar o desempenho?

Grácia Fragalá – Quando o empresário oferece todas as informações relevantes, de forma clara e objetiva, sobre seus produtos e serviços ele está praticando a Responsabilidade Social; quando valoriza seus colaboradores, pratica a diversidade, estimula a criatividade e inovação, e promove a capacitação dos trabalhadores ele também está incluindo a responsabilidade social em sua estratégia. Quando pratica segurança e saúde no trabalho; elimina impactos negativos à saúde causados pelos processos produtivos; apoia atividades culturais, educacionais e profissionalizantes; dá preferência a fornecedores locais de produtos e serviços; quando participa de associações locais para contribuir com o bem comum; evita ações que perpetuem a dependência da comunidade, entre diversas outras ações, ele está praticando a responsabilidade social.

Integrando a RS ao negócio a empresa se alinha às mais modernas práticas de gestão. Pode nos falar um pouco mais sobre essas estratégias utilizadas por grandes empresas?

Grácia Fragalá –Grandes empresas possuem programas estruturados para fortalecer o controle de riscos e avaliar se as empresas fornecedoras poderão manter a qualidade de seus produtos até o destino final. A gestão da cadeia de valor se dá quando a empresa passa a fazer a gestão estratégica dos impactos socioambientais de matérias-primas e serviços desde os fornecedores, subfornecedores e prestadores de serviços até o cliente final e etapas pós-consumo. As médias e pequenas empresas podem se beneficiar desse processo ao incorporar as boas práticas de gestão responsável sobre as quais falamos nesse boletim. Também podem inspirar-se nos exemplos das empresas que compartilham, nesta edição, suas experiências e que melhoraram sua competitividade em função da integração da responsabilidade social na estratégia do negócio, independente do porte.

Onde o empresário pode buscar apoio de conteúdo e tirar dúvidas sobre o tema?

Grácia Fragalá – A Fiesp e o Ciesp, por meio do Comitê e do Núcleo de Responsabilidade Social, oferecem diversas iniciativas para apoiar o empresário da indústria. Seminários, palestras, workshops e cursos, como a Jornada da Indústria pela Sustentabilidade, o Programa de Investimento Social Corporativo, os treinamentos abertos do Ciesp – o próximo será sobre Responsabilidade Social Empresarial na prática – e outras ações que podem ser encontradas em nossos sites. Nossa equipe também está à disposição dos sindicatos para orientá-los sobre os temas da dimensão social da Sustentabilidade. Há ainda vários documentos que podem nortear um trabalho de implementação de Responsabilidade Social Empresarial, como a Norma ISO 26000, a Agenda 2030, as diretrizes da OCDE, entre outras.