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Entrevista: Por mais mulheres negras na liderança


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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com Andrea Cruz, conselheira da ONG Will (Women in Leadership in Latin America) e responsável pelo Programa EBWL (Empower Black Women to Senior Leadership), para conhecer melhor o trabalho de mentoria que vai acelerar a ascensão profissional de mulheres negras à liderança.

Andrea, que também é fundadora e CEO da Serh1 Consultoria, diz que a intenção da ong é ter edições anuais e ampliar o número de vagas para incluir novas participantes, assim como engajar mais empresas e executivos na inclusão de mais mulheres negras em cargos de liderança.

Leia Mais na Íntegra da Entrevista:

Como surgiu a ideia de criar um programa de mentoria apenas para mulheres negras?

Andrea Cruz – Ao longo dos anos, identificamos que a participação de mulheres em cargos de liderança é ainda bastante tímida no Brasil, mas quando se analisa o recorte de mulheres negras esse percentual é muito inferior. Sendo assim, há algum tempo a WILL passou a olhar para essa questão, que impacta diretamente a diversidade no ambiente corporativo, e nos mobilizamos para promover iniciativas que contribuam para a mudança deste cenário. No ano passado, por exemplo, a pesquisa Mulheres na Liderança, que mapeia a situação das mulheres em cargos de alta gestão, trouxe um recorte especial para mulheres negras e o programa para aceleração e desenvolvimento de carreira é um outro passo que complementa essa estratégia de valorização e capacitação dos talentos negros para que alavanquem suas carreiras rumo ao topo.

Qual o objetivo do programa e como ele tem sido executado?

Andrea Cruz – O programa nasceu com o objetivo de mapear e preparar talentos, para acelerar as carreiras de mulheres negras rumo à liderança executiva. Lançado em outubro de 2021, com duração de um ano, o EBWL – Empower Black Women to Senior Leadership é uma jornada de capacitação em que cada uma das 21 participantes é acompanhada por uma dupla de mentores, responsáveis por guiá-las nesta trajetória de autoconhecimento e empoderamento profissional.

O que as participantes encontrarão no EBWL?

Andrea Cruz – Durante a etapa de criação, a equipe mapeou os entraves que costumam impedir o crescimento profissional de talentos negros e desenvolveu uma grade de conteúdo e atividades que engloba aspectos comportamentais e técnicos, divididos em temas como: autoconhecimento, comunicação, gestão de produtividade, gestão de risco e finanças. O resultado foi uma jornada de capacitação, autoconhecimento e empoderamento profissional.

O desenvolvimento técnico do programa ficou à cargo da consultoria SERH1, especializada em aceleração de carreira, e ao longo dos anos também desenvolveu expertise de aceleração para grupos de minorias, que, neste caso, trabalhou com 100% do foco direcionado para os desafios enfrentados por mulheres negras em cargos de média gestão. Além do conteúdo customizado, os grandes diferenciais do EBWL, em relação a outros programas, são o acompanhamento emocional que cada mentorada receberá ao longo de todo o processo e a etapa de preparação dos executivos convidados para dividir suas experiências com o grupo.

Qual o papel da Will e da empresa no programa?

Andrea Cruz – A WILL é a idealizadora e uma das organizações envolvidas na formatação do programa – uma das principais responsáveis por sua implementação. A empresa tem o papel de indicar a profissional que participará do programa.

Quais são os planos para o futuro do programa?

Andrea Cruz – O plano é dar continuidade ao programa, com novas edições anuais, e ampliar o número de vagas para incluir novas participantes, assim como engajar mais empresas e executivos de alto nível hierárquico no compromisso de aumentar a diversidade na liderança executiva no país.