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Entrevista: Práticas e Consumo Conscientes


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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com a gerente de educação do Instituto Akatu, organização sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, para entender como empresas e sociedade podem adotar práticas e hábitos de consumo mais conscientes com relação aos resíduos plásticos.

Para ela, sensibilizar e mobilizar os indivíduos para que adotem tais práticas é uma das maneiras mais eficazes de promover um novo sistema de gestão de resíduos, mais racional, com menos impactos negativos e mais impactos positivos.

Leia mais na entrevista na íntegra:

Por que é importante que consumidor, indústria e poder público se responsabilizem pela destinação correta dos resíduos plásticos?

Denise Conselheiro – Porque todos, de maneira integrada e cada um à sua maneira, podem colaborar bastante para reduzir a quantidade de resíduos plásticos que acabam indo parar em lixões e aterros. Essa é a principal ideia que fundamenta o conceito de responsabilidade compartilhada.

Quais ações podem ser tomadas para que o descarte dos resíduos não aconteça de forma indiscriminada?

Denise Conselheiro – A principal mudança, do ponto de vista do consumidor, é repensar suas decisões de consumo, de modo a adotar práticas e hábitos de consumo mais consciente. Isso bem antes do descarte, já na própria decisão de adquirir ou não determinado bem ou serviço. Começa com um questionamento sobre a real necessidade e motivação de compra, passando por outras reflexões como se o produto, de fato, atende à necessidade identificada, se é durável e tem instruções claras de uso e manutenção, como fazer a compra, de quem comprar e, por último, como descartar as sobras. Esta última reflexão, portanto, cabe desde o primeiro momento, da decisão de consumo, de modo a privilegiar os bens e produtos que, uma vez tenham atendido às necessidades daquele consumidor, possam atender às necessidades de outros. E, se de fato não tiverem mais serventia, que possam ser reciclados e reinseridos na cadeia produtiva, de modo a diminuir a demanda por recursos naturais como um todo.

Quais os benefícios para quem destina seus resíduos de forma correta?

Denise Conselheiro – A maior parte dos benefícios é bastante perceptível em termos coletivos. Diminuir a quantidade de resíduos recicláveis que é destinada incorretamente ajuda a reduzir o volume total de resíduos gerados e a pressão sobre os lixões e aterros – normalmente já superlotados – e a contaminação que eles podem causar. Em termos ambientais, a destinação correta ainda favorece a reciclagem, já que reduz a demanda por mais recursos naturais para novos processos produtivos, uma vez que as matérias-primas dos materiais reciclados são reaproveitadas. Em termos sociais, facilita o trabalho do catador de materiais recicláveis, promovendo o importante reconhecimento da classe enquanto agente ambiental. E ainda ajuda a reduzir os investimentos públicos necessários para coletar e gerenciar todo esse monte de resíduos, permitindo que tais verbas sejam alocadas em outras áreas essenciais do governo, como saúde ou educação.

Como é tratada a questão dos resíduos plásticos em outros países? Há iniciativas bem-sucedidas?

Denise Conselheiro – A iniciativa mais importante surgida nos últimos anos é a criação da Aliança do Plástico (Alliance to End Plastic Waste), oficializada agora em janeiro. As maiores empresas do setor se reuniram para investir no combate à poluição, em especial nos oceanos, e já arrecadaram mais de US$ 1 bilhão para investir em ações que incluem, por exemplo, atuar em parceria com instituições públicas para construir sistemas de gestão de resíduos.

O Akatu sugere alguma política pública para melhor manejo dos resíduos?

Denise Conselheiro – Como mencionado antes, melhorar o manejo começa por diminuir a geração de resíduos, consumindo apenas aquilo que é de fato necessário. E, quando houver sobras ou resíduos, promover, sempre que possível, o reaproveitamento ou aproveitamento integral dos mesmos, de modo a maximizar os benefícios trazidos por aquele determinado produto ou serviço e servir a mais pessoas. E, uma vez que não for mais útil para ninguém, de fato, encaminhá-lo para a reciclagem. Sensibilizar e mobilizar os indivíduos para que adotem tais práticas é uma das maneiras mais eficazes de promover um novo sistema de gestão de resíduos, mais racional, com menos impactos negativos e mais impactos positivos. Por isso, é essencial que sejam criadas políticas públicas neste sentido, em especial para essa educação de crianças e jovens para a sustentabilidade, para que esta mudança de cultura, efetivamente, surta efeito.