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Associativismo


por Kleber de Paula*

Em 2007, quando por indicação do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE) cheguei à Central de Serviços (Cser) da entidade, ouvi, surpreso, a palavra ASSOCIATIVISMO. Na época, eu não entendia a composição do sistema indústria e não conhecia ainda a estrutura dos sindicatos patronais, suas atribuições e, consequentemente, seus desafios. Aos poucos, fui descobrindo que independentemente do setor, porte, faturamento ou região, toda empresa pertence à base de um sindicato patronal, que assiste o seu segmento de atuação, negocia melhores condições e por isto impacta no resultado final, seja esta empresa uma indústria, um comércio ou uma prestadora de serviços. Na contramão desta informação, tomei conhecimento de que, em alguns casos, há entidades patronais que possuem menos de 5% de representatividade junto às suas bases, ou seja, para cada 100 empresas filiadas, apenas cinco são associadas e conhecem verdadeiramente a proposta do sindicato.

Se por um lado, o sindicato perde por ter poucos recursos, por outro lado, temos milhares de empresas que estão submetidas a Acordos Coletivos, imposições comerciais, concorrência desleal e poucas informações técnicas de seu setor, além das dificuldades inerentes ao empreendedorismo, sem saber que há sim, uma base de informações específicas de sua atividade à sua disposição, inclusive sobre possíveis passivos. Em pesquisas de campo, questionei empresários de diversos setores qual seria a entidade patronal que defendia seus interesses, e, para meu espanto, alguns responderam com o nome da entidade laboral, justamente a que na época na negociação coletiva, reivindica melhores condições para o trabalhador, o que também é importante, mas nem sempre atenta ao cenário em que se encontra o setor. Isto acontece, porque a entidade laboral mantém representantes no quadro de trabalhadores das indústrias e o representante que deveria conhecer a entidade patronal é o próprio empregador.

Também somos um país de empreendedores, então, não raramente os empregadores de hoje são os empregados de ontem, então não conhecem de fato as premissas das entidades patronais. Não é uma missão simples a de disseminar a missão dos sindicatos patronais.

Culturalmente, ao ouvir a palavra sindicato, o Brasileiro se lembra de sindicatos laborais, greves, entre outros detalhes, até porque tivemos um sindicalista que chegou à Presidência. Também somos um país de empreendedores, então, não raramente os empregadores de hoje são os empregados de ontem, então não conhecem de fato as premissas das entidades patronais. Não é uma missão simples a de disseminar a missão dos sindicatos patronais. Cabe aos contadores no momento do enquadramento sindical, aos empresários quando recolhem a contribuição questionar o destino, e as próprias entidades é claro.

As formas de promover as entidades patronais são muitas, porém, há vários entraves como barreiras geográficas, custos, atualização de bases entre tantos outros desafios á vencer. Claro, o desafio traduz-se em oportunidade, tendo em vista a quantidade enorme de empresas que ao conhecer melhor seu setor de atuação, poderiam enriquecer seu portfólio, reduzir custos, além de trocar experiências com quem vivencia as mesmas dificuldades. O sindicato patronal é como um grande clube, aglutinador e incansável na promoção e na defesa dos interesses de seus associados. A disseminação dos sindicatos patronais, o aumento da representatividade dos mesmos e o fortalecimento da indústria, dependem em parte do associativismo, assim como o crescimento da produção, do emprego, e porque não dizer, do nosso País.

*Kleber de Paula é sócio-diretor da IndusCorp Consultoria e diretor do CJE, atuando na Central de Serviços da Fiesp