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Artigo: trajetória profissional, dilemas e desafios para alcançar o topo


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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Juliana Azevedo

Desde cedo, percebi que queria ser muito mais por mim, pela minha família – que sempre me apoiou – e pelo meu país. Comecei a trabalhar nova, dando aula de inglês e trabalhando em uma imobiliária. Quando completei 18 anos, entrei na POLI-USP para cursar Engenharia de Produção e, meses depois, comecei também a estudar Direito na PUC-SP.

Nessa época, tornar-me presidente de uma grande empresa, como a P&G, já era um sonho. Sempre fui muito dedicada ao trabalho e focada em resultados. Entendi que para crescer precisava mostrar para a companhia que faço a diferença, não só em gestão, como também trazendo resultados expressivos para o negócio.

Eu iniciei minha carreira profissional na P&G, em 1996, como estagiária na área de Marketing, trabalhando com os produtos de cuidados femininos e para bebês. Em 1998 fui efetivada e, naquela época, as nossas marcas não eram tão reconhecidas e fortes aqui no Brasil. Foi um trabalho de formiguinha para conquistarmos a liderança do mercado, algo que temos até hoje. Trabalhamos muito, construímos essas marcas e investimos em versões dos nossos produtos que eram mais acessíveis aos brasileiros, como Pampers e Always básicos.

Foi então, que assumi a posição de gerente de Produto para as marcas de cuidados femininos, tendo Always como principal. Foram projetos de muito sucesso e que levaram as marcas à liderança dos seus mercados. É um case que Harvard ensina até hoje em seus cursos de marketing, algo do qual tenho muito orgulho de ter criado junto com pessoas extraordinárias.

Depois, assumi o posto de diretora para as marcas de beleza da empresa aqui no Brasil, cuidando de Pantene e Head&Shoulders. Na época, lembro que tínhamos o desafio de mostrar para as consumidoras que Pantene era um produto ótimo e acessível, feito no Brasil. Precisávamos quebrar a barreira de que era algo importado, pois isso distanciava a marca dos consumidores.

Com base nisso, resolvemos trazer a Gisele Bündchen como nossa embaixadora. Foi uma reviravolta para a marca e uma estratégia que funcionou muito bem. Pantene, desde então, só tem crescido e demonstra ser uma das principais marcas da companhia.

Esse período foi um tanto desafiador para mim e me fez refletir bastante sobre minha carreira. Eu havia recebido uma proposta de vice-presidência que exigia que eu saísse do Brasil, porém, por questões pessoais, não aceitei e muitas vezes me questionei por essa decisão.

Ao longo do tempo precisei de bastante autoconhecimento para seguir em minha trajetória. As decisões da sua vida pessoal e profissional podem te levar para caminhos diferentes do que você havia idealizado; caminhos, às vezes, que vem para o bem.

Tanto que esse “problema” se transformou em uma oportunidade. Foi quando assumi, além de Marketing, a área de Vendas, uma das mais valiosas experiências da minha carreira. Alguns anos depois, fui promovida a VP de Beleza para América Latina e nesse momento foi quando eu passei a ter uma visão de operação mesmo, entrando nas questões de fábricas, supply, RH, entre outros.

Tenho certeza de que foi muito mais precioso do que ter assumido a vice-presidência naquele momento. E a P&G foi fundamental nessa fase. A empresa entendeu o meu momento, ao mesmo tempo que não me estagnou ao me dar a oportunidade de assumir outra área, de Vendas – que eu já havia sinalizado em meu plano de carreira que eu gostaria. Assim, tornei-me uma das primeiras pessoas a assumir uma posição sênior em Vendas, envolvendo Marketing junto. Quer dizer, quando você tem claro o que quer e a empresa sabe o que é importante para você, o crescimento acontece.

Por último, antes de voltar ao Brasil, atuei como VP Global para as marcas de cuidados femininos da P&G, coordenando desde estratégias até desenvolvimento de produtos e comunicação em mais de 152 países. Foi um grande desafio, já que tinha um objetivo de, a curto prazo, transformar os resultados dessa unidade de negócios. A meta foi alcançada e mudamos o cenário global dessas marcas até os dias de hoje, em que a categoria continua crescendo fortemente.

E agora, estou no lugar que sempre sonhei: a presidência da nossa operação do Brasil.

Nesse anos, já colhemos resultados incríveis. Crescemos o negócio de forma consistente e saudável trazendo inovações que realmente fazem parte da vida dos brasileiros. Também desenvolvemos uma organização que, mais do que nunca, valoriza a diversidade e inclusão, com um ambiente em que todos podem ser quem são e atuar na sua melhor versão. Hoje metade do nosso time gerencial é composto por mulheres, resultado esse que me enche de orgulho.

Durante a minha longa jornada – que apenas começou -, cometi erros e provavelmente cometerei mais alguns. Principalmente quando tentamos inovar e mudar realidades, mas acredito que o que faz a diferença é a forma como lidamos e crescemos com eles. Agora foco em meus momentos de orgulho, desafios, aprendizados e transformação, e sempre mantenho comigo o otimismo, as oportunidades e a união.

Juliana Azevedo é conselheira do CONFEM (Conselho Superior Feminino da Fiesp), presidente da P&G Brasil e presidente do Conselho da United Way e da Unicef.