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Artigo: Saúde do colaborador como fator crítico de sucesso e competitividade


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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Alberto Ogata e Paulo Itapura

Há algum tempo, os investidores estão atentos a uma tríade: ESG (ou seja ambiental, social e governança). Deste modo, buscam retornos e impactos positivos de longo prazo no meio ambiente, na sociedade e no desempenho do negócio. Assim, são utilizados indicadores não financeiros mas que são entendidos como estratégicos para o desempenho futuro das companhias.

De acordo com o documento do Pacto Global, “ A evolução do ESG no Brasil”, no último ano, as discussões acerca do assunto em redes sociais cresceram mais de 7 vezes. Enquanto isso, 84% dos representantes do setor empresarial afirmaram que o interesse por entender mais sobre a agenda e os critérios ESG aumentaram em 2020. Ainda de acordo com esta publicação da Rede Brasil do Pacto Global, as 5 iniciativas mais

identificadas atualmente nas empresas foram:

1- Criação de mecanismos internos de compliance e governança que inibam práticas desleais dentro das empresas (79%)

2- Gestão de resíduos (reciclagem e reaproveitamento de insumos) (76%)

3- Criação de comitês e instâncias de governança que contribuam para integridade da organização (68%)

4- Apoio emergencial à Covid-19 (61%)

5- Apoio às comunidades do entorno (60%)

As atividades ambientais envolvem a gestão de recursos, a redução de danos e o impacto climático. Por outro lado, a governança se refere aos processos de gestão das companhias e os seus potenciais riscos, inclusive no que se refere ao alinhamento dos interesses dos acionistas, dos administradores e da sociedade.

O pilar social se refere ao impacto das ações da empresa na sociedade e no seu público interno (colaboradores). Envolvem os direitos humanos e o impacto dos produtos e serviços. Temas como diversidade, inclusão, relações de trabalho, interface e conflitos com as comunidades locais.

Em geral, a indicadores relacionados à saúde não tem sido incluídos nos relatórios ESG, mas este cenário começa a mudar. Os investidores estão se conscientizando que a saúde dos trabalhadores traz impactos econômicos e sociais para os negócios.

A pandemia de COVID-19 trouxe impactos em várias áreas, em todo o mundo. Uma das consequências foi que a sociedade passou a enxergar a saúde como um elemento importante para a sua sustentabilidade e não apenas um serviço prestado por médicos, hospitais ou laboratórios. Companhias que tinham esta visão e se comprometeram, inclusive durante a pandemia, com a saúde dos trabalhadores e da comunidade, tiveram a reputação da sua marca reconhecida. Ficou mais fácil de perceber que a boa gestão de saúde traz benefícios para a produtividade das equipes, um ambiente de respeito e consideração pelas pessoas, orgulho e engajamento.

Mesmo antes da pandemia já sabíamos que os custos da falta de saúde são muito altos e crescentes, tanto no sistema público como no privado. A todo momento novas tecnologias são incorporadas nos procedimentos médicos fazendo com que os custos da medicina assistencial fique cada vez maior e as empresas perceberam que esse impacto econômico pode ser importante e pode afetar o desempenho de seus negócios. Uma abordagem mais estratégica desse tema passou a ser cada vez mais importante e a incorporação de conceitos de prevenção e promoção de saúde e bem-estar, cada vez mais relevantes para os negócios.

Neste contexto, as empresas se beneficiam com uma abordagem que vai além do cumprimento das normas e regulamentos de saúde e segurança e busca conhecer e atuar em fatores que podem trazer impactos negativos ao bem-estar dos trabalhadores e na sua produtividade. Além disso, a visão estratégica de saúde não pode ficar limitada aos setores operacionais da empresa, ela deve passar a incluir os diversos setores da empresa, inclusive nos níveis de liderança. Para o melhor engajamento de todos os colaboradores o envolvimento da liderança é fator crítico de sucesso.

Com isso, as empresas passam do mero controle de danos, como absenteísmo, acidentes no trabalho ou custos em assistência médica e passam a realizar programas que visam prevenir danos e melhorar os níveis de saúde física e mental dos trabalhadores. Da mesma maneira que ocorre com o meio ambiente e governança, investimento em ESG vai além de se evitar riscos, multas ou penalidades.

Esta mudança exige, também dos gestores, a seleção de indicadores de monitoramento que vão além dos processos e que sejam validados pelas lideranças, pelos investidores e pelo mercado.

Acredita-se que as empresas que sejam competentes e que se inovem na promoção da saúde e bem-estar dos trabalhadores, com a  liderança engajada, modificando suas políticas e protocolos terão maiores chances de sucesso no futuro.

Esse processo melhora a reputação da empresa, contribui significativamente para a retenção e atração de talentos, sendo um diferencial para a empresa no seu ambiente de mercado.

Estudos internacionais, usando simulações e desempenho em valor de ações, mostraram que as empresas com programas sólidos de saúde e bem-estar dos trabalhadores superaram a média da bolsa de valores de maneira significativa.

Finalmente, encorajamos fortemente que os investidores, as empresas e os fundos passem a considerar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores como elementos estratégicos na abordagem ESG, selecionando indicadores de monitoramento e ocupando a liderança neste campo emergente.

*Alberto Ogata é médico, diretor titular adjunto do Comitê de Responsabilidade Social (Cores), da Fiesp, e presidente da Associação Internacional de Promoção da Saúde no Local de Trabalho – IAWHP.

*Paulo Itapura de Miranda é médico, Head of Environmental, Safety and Health Affairs Latam da Clariant e membro do Cores.