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Artigo: Inovações e desafios da indústria de alimentos


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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por João Dornellas

Responsável por cerca de 10% do faturamento total do PIB (Produto Interno Bruto), a indústria de alimentos é, sem dúvida, uma das principais locomotivas de desenvolvimento do País, com receita de R$ 656 bilhões, mais de 1,6 milhão de empregos diretos e investimentos da ordem de R$ 14 bilhões em fusões e aquisições.

No mercado externo, o Brasil se destaca por fornecer alimentos para mais de 180 países e ser o segundo maior exportador de alimentos industrializados do mundo. Para se ter uma dimensão da importância desse desempenho internacional, vale registrar que 50% do saldo total da balança comercial brasileira em 2018 veio da indústria da alimentação.

2050: 9.7 bilhões de pessoas para alimentar

No contexto internacional, relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) aponta que a população mundial passará dos atuais 7.5 bilhões de pessoas para 9.7 bilhões em 2050. No âmbito da alimentação, a atual oferta de comida é considerada suficiente para o planeta, porém mal distribuída. No último relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) consta que mais de 800 milhões de pessoas passam fome no mundo, enquanto outra parcela da população está obesa.

Configurar entre os protagonistas e se tornar um dos principais centros de abastecimento de alimentos do planeta exigirá do Brasil investimentos em pesquisa e novas tecnologias, em todos os elos da cadeia produtiva, além da modernização das leis vigentes e um olhar mais alinhado às melhores práticas e experiências internacionais no campo da inovação.

A agroindústria promoveu grandes avanços, fornecendo tecnologia para agricultores e permitindo fazer mais com menos, ou seja, aumentar a produção com o mesmo espaço físico. Nesse campo, o Brasil é exemplo para o mundo em relação à conservação das áreas verdes sem impactar o desenvolvimento econômico.

O caminho para a sustentabilidade

A Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas) propõe 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para o mundo, que trazem grandes responsabilidades para a indústria de alimentos e bebidas. Erradicação da pobreza, da fome, promoção da saúde, uso dos recursos renováveis como água e energia, consumo responsável, combate às mudanças climáticas, entre outros.

Na indústria de alimentos, os investimentos em sustentabilidade estão em todas as frentes, desde a redução no uso de recursos naturais, capacitação profissional, projetos sociais para o desenvolvimento das comunidades locais e estratégias de gestão de resíduos. São inúmeras as empresas que vêm reduzindo significativamente o consumo de água, inclusive com ações de tratamento, conscientização, aproveitamento e reuso.

Independentemente das ações setoriais frente à legislação que institui a logística reversa de embalagens, o setor de alimentos está incorporando os conceitos da economia circular, na qual o ciclo de vida do produto é pensado inteiramente, e não apenas até a sua comercialização.

Exemplos são a redução do uso de canudos plásticos, da quantidade de plástico em garrafas de água e de papelão nas caixas de inúmeros produtos, o uso de materiais biodegradáveis, a adoção do plástico verde – feito de etanol – nas garrafas de refrigerante, a inclusão de plásticos reciclados nas garrafas e em outras embalagens, a diminuição dos tamanhos das embalagens e o estímulo às retornáveis.

No Brasil, o futuro é promissor, desde que haja a consolidação de práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva. Os processos produtivos e administrativos precisam de atualização constante, investimentos em automação e sistemas de inteligência pelas empresas privadas, associações representativas, agroindústria e pequenos e médios produtores rurais.

Do lado do governo, a desburocratização, o acesso facilitado ao crédito, o estímulo ao empreendedorismo e à produtividade e a concretização das reformas tributária e previdenciária são os nós a serem desatados para a retomada do crescimento econômico e o social do País.

*João Dornellas – é presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) e Conselheiro de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).