Gestão Empresarial Ambiental


A Gestão Empresarial Ambiental pode ser compreendida como o conjunto de ações voltadas à gestão de todos os aspectos inerentes à temática ambiental de uma organização, visando a melhoria contínua da qualidade ambiental de seus processos, produtos e serviços.

Um bom gerenciamento ambiental, além de diminuir riscos, traz ainda oportunidades, como a redução de custos, devido ao melhor gerenciamento de recursos, eliminando desperdícios e fortalecendo sua competitividade.

A série de normas ISO 14000, que trata sobre gestão ambiental, traz ferramentas úteis para as organizações, fornecendo orientações sobre o que pode ser feito para minimizar os impactos ambientais de suas atividades e melhorar continuamente seu desempenho ambiental (figura 1).

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Figura 1. Exemplos de normas da série ISO 14000

Entre estas normas destacam-se a ISO 14001 e ISO 14004, referências para a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) em todos os tipos e portes de organizações, possibilitando sua integração com outros sistemas gerenciais.

O objetivo é garantir todo o acompanhamento do processo, desde a utilização de matérias-primas, passando pelo processo, distribuição de produtos, até a correta destinação dos resíduos gerados. Além disso, o SGA envolve diretamente os colaboradores, aumentando seu comprometimento com os resultados obtidos na área.

O princípio básico do SGA é o ciclo PDCA: Planejar, Desenvolver, Checar e Atuar.

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O ciclo PDCA tembém é utilizado nas normas de Sistema de Gestão da Qualidade, Saúde e Segurança. E atualmente, de forma a otimizar a gestão das empresas, há uma  forte tendência de integração dos sistemas de gestão: meio ambiente, qualidade,  saúde e segurança do trabalho, e responsabilidade social.


Produção e Consumo Sustentáveis

O conceito de Produção e Consumo Sustentáveis representa uma evolução do conceito de Produção mais Limpa (P+L), pois incorpora as melhores práticas possíveis para minimizar impactos ambientais e sociais ao longo do ciclo de vida de produtos e serviços. E tem como base o conceito do Tripé da sustentabilidade ou “Tripple Botton Line”, contemplando as questões ambientais, sociais e econômicas, bem como possibilitar uma visão mais sistêmica da produção e do consumo sob o enfoque da sustentabilidade.

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A evolução destas questões e sua gradual integra ao conceito de Produção e Consumo Sustentáveis (PCS) na gestão ambiental empresarial pode aprimorar os processos industriais, produtos e serviços, para as demandas de um consumidor cada vez mais consciente e exigências ambientais cada vez mais rigorosas.

O setor industrial já reconhece a sutentabilidade como uma premissa para a  competitividade das empresas.  No entanto, muitos ainda têm dúvidas sobre como dar início a esse processo.

Aplicar o conceito de produção e consumo sustentável na indústria significa produzir mais e melhor com menos, combinar ganhos de produtividade com geração de empregos e eficiência no uso dos recursos.

A PCS na pequena e média empresa deve ser vista como um processo natural, sendo que o primeiro passo é o entendimento da importância estratégica da sustentabilidade para o negócio. O comprometimento da direção da empresa e gestores é fundamental neste processo.

Dado o primeiro passo, basta seguir a lógica do PDCA:

  • Entenda o status atual e defina aonde quer chegar.
  • Priorize. Defina objetivos e metas claras, e elabore um plano de ação
  • Monitore e mensure
  • Avalie seu desempenho em relação às metas estabelecidas
  • Comunique suas práticas. Divulgue as ações positivas, para que possam ser replicadas.

Iniciar um programa relacionado à produção e consumo sustentável abrangendo questões críticas para organização ou para o setor de atuação, já será um grande passo.

Inciativas e processo mais simples, como a instalação de economizadores de água nos sanitários e vestiários, implantação de sistema coleta seletiva dos resíduos sólidos devem também ser consideradas, já que permitem eliminar o desperdício e consequentemente reduzir custos.

A Fiesp possui guias setoriais de Produção mais Limpa que apresentam práticas voltadas à melhoria do processo em diversos setores, com o foco na eliminação de desperdícios. São práticas simples, que podem ser replicadas tanto nas micro e pequenas indústrias quanto nas de maior porte.

O envolvimento de todos na empresa, desde de a presidência até o chão de fábrica, possibilita a integração da sustentabilidade na rotina da empresa. Além disso as melhores ideias surgem a partir deste envolvimento.

Ampliar as ações de sustentabilidade indo além do processo produtivo, envolvendo também os fornecedores, clientes e comunidade, possibilita o mapeamento de questões relevantes para o negócio, promoção de inovação em processos e produtos, a identificação de oportunidades e o gerenciamento de riscos.

O programas de sustentabilidade na cadeia de valor são  importantes sob o enfoque da gestão de riscos, mas pode tornar-se extremamente positivo no estreitamento das relações  com parceiros de negócios criando-se um ambiente propício para inovações em processos e produtos com foco em sustentabilidade.

Ou seja, as empresas devem estar atentas  as oportunidades  que surgem da agenda da sustentabilidade empresarial.


10 princípios do Pacto Global

Para as empresas que estão no início de suas trajetórias rumo à sustentabilidade em seus negócios, os princípios do Pacto Global podem ser utilizados como ponto de partida para que a organização trace suas diretrizes de sustentabilidade. 

O Pacto Global é uma iniciativa desenvolvida pela ONU com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção refletidos em 10 princípios:


D I R E I T O S    H U M A N O S
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1 – As empresas devem apoiar e respeitar a proteção de direitos humanos reconhecidos internacionalmente;

2 – Assegurar-se de sua não participação em violações destes direitos.


T R A B A L H O
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3 – As empresas devem apoiar a liberdade de associação e o reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva;

4 – A eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório;

5 – A abolição efetiva do trabalho infantil; e

6 – Eliminar a discriminação no emprego.


M E I O   A M B I E N T E
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7 – As empresas devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais;

8 – Desenvolver iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental; e

9 – Incentivar o desenvolvimento e difusão de tecnologias ambientalmente amigáveis.


C O N T R A     A   C O R R U P Ç Ã O
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10 – As empresas devem combater a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina.


Indicadores

Empresas que não monitoram um conjunto de indicadores, podem ter dificuldade em gerenciar sua performance. Por isso destacamos a importância das organizações acompanharem e mensurarem seu desempenho econômico, social e ambiental por meio de indicadores.

Além disso, os indicadores de sustentabilidade são importantes ferramentas de gestão no auxílio às empresas na incorporação da sustentabilidade em suas estratégias de negócio e para a definição de prioridades

Indicadores ambientais, por exemplo, permitem avaliar o desempenho ambiental de uma organização ao longo do tempo, ou em relação aos seus pares, abrangendo aspectos ambientais como o consumo de água, energia elétrica e a geração de resíduos, permitindo melhorias nos processos e na gestão empresarial, resultando em melhoria de produtividade e de competitividade.

Existem algumas referências que podem orientar as empresas na implementação de um sistema de indicadores de sustentabilidade, possibilitando uma avaliação sobre o grau que a sustentabilidade está incorporada nos negócios, sinalizando para as empresas  quais frentes de ação devem ser priorizadas, como por exemplo, a iniciativa Global Reporting  Initiative (GRI), os Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis, e o Índice  de Sustentabilidade Empresarial da BM&F Bovespa (ISE), entre outros.

Alguns setores da indústria também se organizaram de forma a estabelecerem indicadores setoriais de sustentabilidade. Um bom exemplo é o Programa Atuação Responsável da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), com base no “Responsible Care” desenvolvido internacionalmente para a indústria química, que tem como objetivo demonstrar o comprometimento voluntário da indústria na melhoria contínua de seu desempenho em saúde, segurança, meio ambiente e sustentabilidade, e para isso dispõe de indicadores específicos para o setor.

 

Comunicação e compartilhamento de experiências 

É importante que a indústria comunique de forma transparente sua atuação proativa em relação as questões de sustentabilidade. 

A elaboração anual de relatórios de sustentabilidade é uma forma das empresas acompanharem e fazerem o reporte de seu desempenho. Um relatório de sustentabilidade deve fornecer uma

declaração equilibrada e razoável do desempenho de sustentabilidade da organização nele representada. O modelo de relato GRI, é um dos mais utilizados pelas organizações.


Reconhecimento de boas práticas

A Fiesp possui dois prêmios que reconhecem os esforços da indústria frente a sustentabilidade – Prêmio Conservação e Reuso da Água e Prêmio Mérito Ambiental –  sendo grandes oportunidades para que as empresas divulguem suas boas práticas e compartilhem suas experiências. 

Confira as publicações:

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Links úteis:  


Fóruns:  

  • Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental (CB-38): fórum no âmbito da ABNT, que possui a mesma estrutura do ISO TC 207, no qual as normas da série ISO 14000 são discutidas e elaboradas.
  • Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre Produção e Consumo Sustentável: grupo de trabalho instituído pela Confederação Nacional da Indústria e Ministério do Meio ambiente para discussão das questões relacionadas ao tema Produção e Consumo Sustentável
  • ABNT/CEE – 277 Comissão de Estudo Especial de Compras Sustentáveis: comissão para elaboração da norma ISO sobre Compras Sustentáveis
  • Rede Brasileira do Pacto Global

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