Emissões Atmosféricas


Introdução

A atmosfera é composta de uma massa de gases onde constantemente ocorrem reações químicas. Ela absorve uma diversidade de sólidos, gases e líquidos provenientes de fontes naturais e industriais, que podem se dispersar, reagir entre si ou com outras substâncias já presentes na atmosfera.

Em relação às fontes de emissão, podem ser de dois tipos: as provenientes de Fontes Fixas e aquelas oriundas de Fontes Móveis. As fontes fixas são aquelas que ocupam uma área relativamente limitada, permitindo uma avaliação direta na fonte, como por exemplo, as indústrias. As fontes móveis são as que se dispersam pela comunidade, por exemplo, os veículos automotores.

Segundo a Resolução Conama nº 382/06, a Emissão é definida como o lançamento na atmosfera de qualquer matéria líquida, sólida ou gasosa. Sendo caracterizadas como Emissão Pontual, quando efetuada por uma fonte provida de dispositivo para dirigir ou controlar seu fluxo, como ventiladores, dutos e chaminés ou Emissão Fugitiva, que corresponde ao lançamento de matéria na atmosfera de forma difusa e desprovida de dispositivos para dirigir ou controlar seu fluxo, como por exemplo em vazamentos de conexões, na abertura de recipientes com substâncias voláteis (tolueno, xileno, alguns álcoois, etc).

Fatores como a localização geográfica, topografia e as condições climáticas locais, principalmente no que diz respeito à constância, intensidade e direção dos ventos, afetam diretamente a dispersão das emissões atmosféricas, influenciando diretamente a qualidade do ar. Estes fatores podem interferir também nos diagnósticos ambientais, principalmente naqueles efetuados a partir da percepção do observador, pois podem criar períodos de intensa poluição em áreas urbanas, tais como fenômenos climáticos como as inversões térmicas.

Padrões de Qualidade do Ar

Os padrões de qualidade do ar foram estabelecidos pela Resolução Conama nº 3/90, sendo divididos em padrões primários e secundários.

Os padrões primários são aqueles em que as concentrações de poluentes, quando ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos, constituindo-se em metas de curto e médio prazo.

Os padrões secundários são aqueles em que as concentrações de poluentes atmosféricos são abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem estar da população, assim como o dano à fauna e a flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo-se em metas de longo prazo.

O grupo de poluentes que servem como indicadores de qualidade do ar, adotados universalmente e que foram escolhidos em razão da frequência de ocorrência e de seus efeitos adversos, são:  Material Particulado (MP), Dióxido de Enxofre (SO2), Trióxido de Enxofre (SO3), Monóxido de Carbono (CO), Oxidantes Fotoquímicos, como o Ozônio (O3), Hidrocarbonetos (HC), Óxidos de Nitrogênio (NOx).

No estado de São Paulo, foi promulgado em abril de 2013 o Decreto Estadual nº 59.113 que estabelece os novos padrões de qualidade do ar, bem como as metas a serem atingidas e os planos de redução de emissão a serem executados, quando estes forem claramente definidos pela Cetesb.

Visando também a minimização dos impactos sobre a qualidade do ar, em âmbito federal, a Resolução Conama nº 382 e sua complementação descrita pela Resolução Conama nº 436/11 definem limites máximos de emissão de poluentes atmosféricos por tipo de fontes fixas (combustão de óleo, gás natural, processos industriais específicos, etc) principalmente no setor industrial, sendo os principais poluentes controlados os seguintes: SO2, SO3, MP, NOx, Chumbo, Fluoretos, Amônia.

Recomendações

Com isso, em situações em que os limites máximos permitidos das emissões das fontes fixas dos processos industriais são ultrapassados, recomenda-se:

1 – Analisar o processo de geração do poluente, desde o início, avaliando se as condições de geração do mesmo são normais.
2 – A emissão pode ser reduzida ou eliminada com a substituição de matérias primas, combustível?
3 – A combustão está ocorrendo de forma eficiente, há “zonas mortas” ou frias nas câmaras que compõe os equipamento? Relação ar/combustível adequada?
4 – Há possibilidade de retornar o material emitido ao processo produtivo ou mesmo destiná-lo à reciclagem?

Caso não haja possibilidade de realizar melhorias na operação do processo que origina o poluente ou mesmo substituir matérias primas ou combustíveis, é importante verificar a possibilidade de se utilizar um Equipamento de Controle de Poluição (ECP) na fonte poluidora, pois sua função será de remover poluentes do fluxo de material emitido para a atmosfera.

Para a escolha de um ECP adequado, variáveis de processo e de característica dos materiais emitidos devem ser analisadas, para garantir que o equipamento projetado tenha uma eficiência de remoção do poluente suficiente, de forma que que a emissão de poluentes para atmosfera, pós ECP, seja a mínima possível e em acordo com a legislação aplicável.

  Exemplos de ECPs e seus principais usos:
– Filtros de Manga – retenção de material particulado.
– Lavadores de gases – absorção de gases e retirada de material particulado.
– Ciclones- retenção de material particulado.
– Precipitadores Eletrostáticos- retenção de material particulado.
– Equipamentos de Adsorção – redução de solventes, odor, hidrocarbonetos, etc.
– Termo-oxidadores – controle de compostos orgânicos voláteis (COVs), CO, hidrocarbonetos, etc.
– Condensadores- componentes condensáveis, alguns hidrocarbonetos, etc.

Na figura abaixo, encontram-se alguns exemplos dos ECPs citados sendo, respectivamente, precipitador eletrostático, filtro manga, coletor de gases e ciclone.

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Links Úteis:

– Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
Conama
Cetesb
Ibama


Veja também:

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