Grupo de amigos treina, ao todo, 24 horas por dia para Olimpíada do Conhecimento

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James Ferreira, competidor de Sistemas do Transporte de Informação. Foto: Everton Amaro

Eles ficaram em primeiro lugar na etapa estadual da Olimpíada do Conhecimento – maior torneio entre alunos do ensino profissional do país. E para garantir uma vaga no WorldSkills 2013, na Alemanha, os amigos William Adriano Martins, Thiago Villamagna Machado e James Ferreira, todos com 20 anos, passam ao todo 24 horas treinando na escola Senai Suíço-Brasileira.

A soma do número é assustadora, mas cada um treina oito horas por dia de segunda-feira a sábado, ritmo ainda impressionante. “Cheguei a trabalhar e tentar conciliar, mas chega uma etapa em que você tem de escolher”, conta James Ferreira.

Ele é o caçula de cinco irmãos e teve de comunicar à família que havia se demitido do emprego na área de suporte de uma empresa para se dedicar integralmente à Olimpíada.

“Apesar de aprender muito, é difícil de entender por que você passa a maior parte do tempo no Senai. Então, para algumas pessoas, é difícil compreender que você vai ficar 8,10 horas no estudando”, conta, lembrando que, com o tempo, a família aceitou e a desconfiança deu lugar a mordomias.

“Minha mãe não cobra mais para eu lavar a louça. Essa foi uma das vantagens. Diminuíram as tarefas de casa”, brinca. “Eles começaram a perceber que é um processo para a minha carreira profissional.”

James Ferreira disputa na categoria Sistemas do Transporte de Informação, cujas provas se resumem à solução de problemas em pouco tempo. Para ele, o mais difícil é conter o nervosismo no começo da competição.

Controle sobre os imprevistos

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Thiago Villamagna Machado, competidor da categoria Instalação e Manutenção de Redes. Foto: Everton Amaro

Apesar de terem sido preparados para lidar com imprevistos, Thiago e William acreditam que o maior desafio durante as provas é saber se controlar com algum erro inesperado. Ele lembra que teve problemas ao iniciar a prova na disputa estadual.

“Eu me desestabilizei e aí eu conversei com o chefe de equipe na hora do almoço. Ele me tranquilizou e eu consegui ir bem. Se eu tivesse conseguido me tranquilizar e voltar para prova mais rápido, poderia ter tirado uma nota melhor no primeiro dia.”

No caso de William, os imprevistos aconteceram nos últimos 20 minutos do último dia de prova. “Eu estava fechando uma parte de programação e fiz uma coisa que acabou estragando tudo. Essa é a hora que você precisa acalmar e tentar resolver. No final das contas, consegui corrigir”, relembra.

Thiago terá de solucionar problemas em seis horas de prova na categoria Instalação e Manutenção de Redes, enquanto William vai competir com outros alunos na categoria Web Design.

Ambos estavam no primeiro ano faculdade quando decidiram interromper os estudos para se dedicar exclusivamente ao treinamento para a Olimpíada do Conhecimento – tanto a fase estadual quanto a etapa nacional, a qual classifica para o World Skills Alemanha 2013, torneio que reúne estudantes do ensino profissional de mais de 50 países.

Filho único, Thiago lembra como foi contar para a família sobre largar o curso de Redes de Computadores: “A princípio, acharam um pouco ruim, mas conforme foram passando as etapas e eles foram entendendo o processo e viram que foi certo me dedicar aqui. Meu pai demorou mais para entender, pela questão do trabalho”.

Consenso

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William Adriano Martins, competidor na categoria Web Design. Foto: Everton Amaro

Além do evidente desejo de se classificar para o WorldSkills, quando questionados sobre por que deixaram emprego e faculdade para se dedicar a um torneio, há consenso na resposta: carreira profissional.

“A gente já tem uma boa bagagem profissional. Quando entrarmos no mercado, vamos entrar bem”, resume Thiago com certo conforto.